Publication

Caracterização e modelação de reservatórios carbonatados: estudo de caso baseado em análogos do Jurássico Médio da região de Vale Florido, Maciço Calcário Estremenho (MCE)

View document

Bibliographic Details
Summary:O presente trabalho visou dois objectivos: i) caracterizar uma formação do Jurássico Médio na região do Vale Florido (Maciço Calcário Estremenho), como análoga de um reservatório carbonatado, analisando as unidades a diversas escalas tendo em especial atenção as litofácies, petrografia, diagénese, estratonomia, geometria dos corpos sedimentares e heterogeneidades (em especial das propriedades petrofísicas do reservatório – porosidade e permeabilidade); ii) ensaiar a conjugação da análise à escala da rocha com a construção de modelos de reservatório que prevejam a distribuição dos geobodies e das suas propriedades petrofísicas, contribuindo para os aferir e aperfeiçoar. Este reservatório no seu todo tem baixa porosidade e permeabilidade, com excepções em certos intervalos, tendo sido amplamente influenciado pela diagénese. A maioria dos níveis classificam-se segundo Ahr (2008) como reservatório diagenéticos ou híbridos 1. Observam-se três litofácies definidas por Azerêdo (1993, 1998) no afloramento do Vale Florido: litofácies 1 (L1) – calcários oolíticos (que se subdividiu neste trabalho em L1a - sem estratificação ou com estratificação planar e L1b – com estratificação grosseira de vário tipos, como seja, ripple marks, estratificação cruzada, etc); litofácies 2 (L2) – calcários calciclásticos e litofácies 3 (L3) – biostromas ou biolititos de corais. A litofácies com maior porosidade associada é a litofácies 1 (em especial 1b). A maior permeabilidade não se relaciona com a fácies nem com a porosidade mais comum, mas sim com determinados processos de dissolução tardia, mais especificamente conducente à dissolução ao longo de estilólitos e à criação de fracturas. O afloramento foi dividido em sete sectores (A, B, C, D, E, F e G). Conclui-se deste estudo que os níveis com maior potencial seriam o D3 – nível oolítico com ripple marks e estratificação obliqua (L1b), o F2,75 – nível oolítico com estratificação oblíqua (L1b) e o E2 – nível biostrómico (L3), observando-se porosidade de canal em todos eles, e possivelmente o nível D5 – nível biostrómico (L3), onde é possível observar em lâmina delgada poros vacuolares (porosidade vuggy) de dimensão razoável e que parecem conectados. A maioria dos níveis seriam também excelentes selos, uma vez que a sua porosidade e permeabilidade são reduzidas. A geometria dos geobodies vista em campo, e posteriormente introduzida e extrapolada no software de modelação (Petrel), permite também verificar o potencial como armadilhas estratigráficas, tendo os corpos biostrómicos muitas vezes configurações lenticulares e os corpos oolíticos variações laterais/interdigitações para níveis mais clásticos/tempestíticos, isolando-se assim os níveis com maior permeabilidade.
Main Authors:Ferreira, Joana Albuquerque Sacadura Lemos
Subject:Vale Florido (Maciço Calcário Estremenho) Reservatório carbonatado Análise multiscala Propriedades petrofísicas Modelação Teses de mestrado - 2016
Year:2016
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:O presente trabalho visou dois objectivos: i) caracterizar uma formação do Jurássico Médio na região do Vale Florido (Maciço Calcário Estremenho), como análoga de um reservatório carbonatado, analisando as unidades a diversas escalas tendo em especial atenção as litofácies, petrografia, diagénese, estratonomia, geometria dos corpos sedimentares e heterogeneidades (em especial das propriedades petrofísicas do reservatório – porosidade e permeabilidade); ii) ensaiar a conjugação da análise à escala da rocha com a construção de modelos de reservatório que prevejam a distribuição dos geobodies e das suas propriedades petrofísicas, contribuindo para os aferir e aperfeiçoar. Este reservatório no seu todo tem baixa porosidade e permeabilidade, com excepções em certos intervalos, tendo sido amplamente influenciado pela diagénese. A maioria dos níveis classificam-se segundo Ahr (2008) como reservatório diagenéticos ou híbridos 1. Observam-se três litofácies definidas por Azerêdo (1993, 1998) no afloramento do Vale Florido: litofácies 1 (L1) – calcários oolíticos (que se subdividiu neste trabalho em L1a - sem estratificação ou com estratificação planar e L1b – com estratificação grosseira de vário tipos, como seja, ripple marks, estratificação cruzada, etc); litofácies 2 (L2) – calcários calciclásticos e litofácies 3 (L3) – biostromas ou biolititos de corais. A litofácies com maior porosidade associada é a litofácies 1 (em especial 1b). A maior permeabilidade não se relaciona com a fácies nem com a porosidade mais comum, mas sim com determinados processos de dissolução tardia, mais especificamente conducente à dissolução ao longo de estilólitos e à criação de fracturas. O afloramento foi dividido em sete sectores (A, B, C, D, E, F e G). Conclui-se deste estudo que os níveis com maior potencial seriam o D3 – nível oolítico com ripple marks e estratificação obliqua (L1b), o F2,75 – nível oolítico com estratificação oblíqua (L1b) e o E2 – nível biostrómico (L3), observando-se porosidade de canal em todos eles, e possivelmente o nível D5 – nível biostrómico (L3), onde é possível observar em lâmina delgada poros vacuolares (porosidade vuggy) de dimensão razoável e que parecem conectados. A maioria dos níveis seriam também excelentes selos, uma vez que a sua porosidade e permeabilidade são reduzidas. A geometria dos geobodies vista em campo, e posteriormente introduzida e extrapolada no software de modelação (Petrel), permite também verificar o potencial como armadilhas estratigráficas, tendo os corpos biostrómicos muitas vezes configurações lenticulares e os corpos oolíticos variações laterais/interdigitações para níveis mais clásticos/tempestíticos, isolando-se assim os níveis com maior permeabilidade.