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Arquitetura, morte, silêncio

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Resumo:Na presente dissertação, propõe-se uma reflexão sobre a forma como a sociedade atual lida com a morte. Um olhar crítico para a História das Civilizações, não nos deixa qualquer dúvida, sempre existiu uma forte ligação entre a arquitetura e a morte. Nos dias de hoje, o cemitério representa um local com uma carga negativa e a celebração do funeral deixou de ser o que era em tempos, passando para um plano de fundo. No que diz respeito à cultura ocidental, nas últimas décadas, a prática da cremação tem vindo a consolidar-se como uma nova e mais expressiva tipologia da celebração da morte. De uma proibição total por razões religiosas, até à sua aceitação, a cremação, parece-me ser, provavelmente a prática mais comum nos próximos anos, também dentro dos grupos cristãos. Os cemitérios são vistos como locais distantes e longe da vida quotidiana. Devido à falta de articulação arquitetónica do crematório com o cemitério e com a cidade, nota-se que não existe contacto com o morto e esta forma não tem, consequentemente, favorecido, aos vivos, a consciência sobre a morte. Existe uma oportunidade no desenvolvimento da arquitetura funerária, especialmente nos crematórios, que estão associados maioritariamente a edifícios pragmáticos, com pouca espiritualidade e relativamente banais. O objetivo deste trabalho é, justamente, repensar a tipologia do cemitério com crematório, permitindo recuperar a qualidade espiritual e reintroduzir a cerimónia como um aspeto essencial. Este projecto pretende transformar a ideia de cemitério sombrio numa experiência natural, simples e profunda, através de uma série de elementos naturais que exploram a Luz e a Sombra. A intenção é procurar uma resposta arquitectónica que dignifique as homenagens diárias prestadas nestes espaços. É uma busca pela aceitação da mortalidade e o ciclo da vida natural da vida e da morte. Por isso a proposta procura um espaço onde as pessoas possam sentir a presença espiritual
Autores principais:Leite, Luís Maria Ribeiro da Silva Pinto
Assunto:Crematório Cemitério Sombra Funeral Imortalidade Crematorium Cemetery Shadow Funeral Immortality
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Na presente dissertação, propõe-se uma reflexão sobre a forma como a sociedade atual lida com a morte. Um olhar crítico para a História das Civilizações, não nos deixa qualquer dúvida, sempre existiu uma forte ligação entre a arquitetura e a morte. Nos dias de hoje, o cemitério representa um local com uma carga negativa e a celebração do funeral deixou de ser o que era em tempos, passando para um plano de fundo. No que diz respeito à cultura ocidental, nas últimas décadas, a prática da cremação tem vindo a consolidar-se como uma nova e mais expressiva tipologia da celebração da morte. De uma proibição total por razões religiosas, até à sua aceitação, a cremação, parece-me ser, provavelmente a prática mais comum nos próximos anos, também dentro dos grupos cristãos. Os cemitérios são vistos como locais distantes e longe da vida quotidiana. Devido à falta de articulação arquitetónica do crematório com o cemitério e com a cidade, nota-se que não existe contacto com o morto e esta forma não tem, consequentemente, favorecido, aos vivos, a consciência sobre a morte. Existe uma oportunidade no desenvolvimento da arquitetura funerária, especialmente nos crematórios, que estão associados maioritariamente a edifícios pragmáticos, com pouca espiritualidade e relativamente banais. O objetivo deste trabalho é, justamente, repensar a tipologia do cemitério com crematório, permitindo recuperar a qualidade espiritual e reintroduzir a cerimónia como um aspeto essencial. Este projecto pretende transformar a ideia de cemitério sombrio numa experiência natural, simples e profunda, através de uma série de elementos naturais que exploram a Luz e a Sombra. A intenção é procurar uma resposta arquitectónica que dignifique as homenagens diárias prestadas nestes espaços. É uma busca pela aceitação da mortalidade e o ciclo da vida natural da vida e da morte. Por isso a proposta procura um espaço onde as pessoas possam sentir a presença espiritual