Publicação

A fala sussurrada : alguns aspetos na fonética forense

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Um dos objetivos da Fonética Forense é a identificação do falante. A investigação tentou encontrar métodos e parâmetros necessários para reconhecer o autor de uma gravação produzida por meio do sussurro. Outro objetivo foi o de obter dados para confirmar ou não a eficácia dum método de investigação de caráter percetivo. Neste trabalho, são analisadas duas gravações por cada um dos seis autores (de língua materna portuguesa): uma produzida com fala normal e uma com fala sussurrada. Obtidas as gravações, o trabalho foi dividido em duas tarefas independentes mas complementares. Na primeira experiência (O sussurro no espectrograma), procedeu-se a uma análise das gravações por meio de espectrograma. A análise do sussurro não é considerada fácil porque este elimina alguns padrões fundamentais da fala. Por esta razão, a fala sussurrada funciona muitas vezes como a técnica mais eficaz para esconder a própria identidade. O objetivo foi, portanto, encontrar padrões que permitam reconhecer o autor das gravações, não obstante o disfarce. Na segunda experiência (A perceção do sussurro), de caráter percetivo, as gravações produzidas com o sussurro são ouvidas por pessoas que conhecem o autor, mas que ignoram que seja ele o autor da mesma. O objetivo foi obter dados para confirmar ou não a eficácia deste método de investigação (a perceção humana). Os dados das duas experiências foram depois confrontados em função dos resultados. Descobriu-se o seguinte. No que diz respeito à primeira tarefa (O sussurro no espectrograma), os resultados indicam que há padrões resistentes ao sussurro. Estes são: os valores do primeiro formante F1 e do segundo formante F2 das vogais, o valor da soma dos tempos de explosão e V.O.T. das consoantes oclusivas, o formante da nasalidade e o formante das consoantes fricativas. Os dados indicam que é preciso manter uma visão global, e não se focar somente num destes parâmetros. No que diz respeito à segunda tarefa (A perceção do sussurro), descobriu-se que, embora um método puramente percetivo possa fornecer indicações preciosas num primeiro momento, este não seja fidedigno e, portanto, seja preferível empregar métodos científicos.
Autores principais:Parmigiani, Claudio
Assunto:Voz - Aspectos sociais Identificação pela voz Identidade judicial Fonologia Reconhecimento automático da palavra Linguística forense Tese de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Um dos objetivos da Fonética Forense é a identificação do falante. A investigação tentou encontrar métodos e parâmetros necessários para reconhecer o autor de uma gravação produzida por meio do sussurro. Outro objetivo foi o de obter dados para confirmar ou não a eficácia dum método de investigação de caráter percetivo. Neste trabalho, são analisadas duas gravações por cada um dos seis autores (de língua materna portuguesa): uma produzida com fala normal e uma com fala sussurrada. Obtidas as gravações, o trabalho foi dividido em duas tarefas independentes mas complementares. Na primeira experiência (O sussurro no espectrograma), procedeu-se a uma análise das gravações por meio de espectrograma. A análise do sussurro não é considerada fácil porque este elimina alguns padrões fundamentais da fala. Por esta razão, a fala sussurrada funciona muitas vezes como a técnica mais eficaz para esconder a própria identidade. O objetivo foi, portanto, encontrar padrões que permitam reconhecer o autor das gravações, não obstante o disfarce. Na segunda experiência (A perceção do sussurro), de caráter percetivo, as gravações produzidas com o sussurro são ouvidas por pessoas que conhecem o autor, mas que ignoram que seja ele o autor da mesma. O objetivo foi obter dados para confirmar ou não a eficácia deste método de investigação (a perceção humana). Os dados das duas experiências foram depois confrontados em função dos resultados. Descobriu-se o seguinte. No que diz respeito à primeira tarefa (O sussurro no espectrograma), os resultados indicam que há padrões resistentes ao sussurro. Estes são: os valores do primeiro formante F1 e do segundo formante F2 das vogais, o valor da soma dos tempos de explosão e V.O.T. das consoantes oclusivas, o formante da nasalidade e o formante das consoantes fricativas. Os dados indicam que é preciso manter uma visão global, e não se focar somente num destes parâmetros. No que diz respeito à segunda tarefa (A perceção do sussurro), descobriu-se que, embora um método puramente percetivo possa fornecer indicações preciosas num primeiro momento, este não seja fidedigno e, portanto, seja preferível empregar métodos científicos.