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Fibroelastoma papilar cardíaco ou vegetação da válvula aórtica? : um desafio diagnóstico

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Resumo:Os tumores primários cardíacos são entidades raras sendo que, destes, os mais frequentes são os benignos. Vários autores afirmam que os mais frequentes são os mixomas cardíacos colocando os fibroelastomas papilares cardíacos (FEP) em segundo lugar. Contudo, grande parte dos dados que suportam esta afirmação provêm de séries de autópsias, sendo a sua verdadeira incidência incerta. Os FEP são maioritariamente assintomáticos mas, quando sintomáticos, podem resultar em complicações graves, como a ocorrência de acidente vascular cerebral, angina, síncope, ou até morte súbita, no contexto de fenómenos embólicos. Não obstante, o prognóstico melhora quando tratados cirurgicamente. As vegetações cardíacas (infecciosas e não-infecciosas), são também entidades raras. As vegetações infecciosas são frequentemente diferenciadas por características clínicas, hemoculturas e análises laboratoriais. O tratamento consiste na erradicação do agente infeccioso, na estabilização do doente e no tratamento cirúrgico em alguns casos. A endocardite trombótica não-bacteriana, na qual encontramos vegetações não-infecciosas, é, com frequência, uma patologia fatal apenas diagnosticada em autópsia. As opções terapêuticas são limitadas e a intervenção cirúrgica não é recomendada. As semelhanças entre os FEP e as vegetações (infecciosas e não-infecciosas) são um desafio diagnóstico principalmente porque os FEP são sub-diagnosticados e apresentam um potencial tromboembólico tão importante como o das vegetações, tendo, no entanto, um prognóstico melhor após a intervenção cirúrgica, associando-se a menor taxa de complicações. Descrevemos uma situação de fibroelastoma papilar cardíaco, cujo diagnóstico pré-operatório se confundiu facilmente com vegetação valvular aórtica. É objectivo deste caso clínico apresentar uma causa pouco comum - FEP - e provavelmente sub-diagnosticada de acidente vascular cerebral (AVC) isquémico, focando a enorme importância de um diagnóstico diferencial com vegetações para a decisão terapêutica e para o prognóstico.
Autores principais:Lopes, Ana Catarina Afonso Navarro
Assunto:Fibroelastoma papilar cardíaco Endocardite infecciosa Endocardite trombótica não-bacteriana Diagnóstico diferencial Vegetação cardíaca Cardiologia
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os tumores primários cardíacos são entidades raras sendo que, destes, os mais frequentes são os benignos. Vários autores afirmam que os mais frequentes são os mixomas cardíacos colocando os fibroelastomas papilares cardíacos (FEP) em segundo lugar. Contudo, grande parte dos dados que suportam esta afirmação provêm de séries de autópsias, sendo a sua verdadeira incidência incerta. Os FEP são maioritariamente assintomáticos mas, quando sintomáticos, podem resultar em complicações graves, como a ocorrência de acidente vascular cerebral, angina, síncope, ou até morte súbita, no contexto de fenómenos embólicos. Não obstante, o prognóstico melhora quando tratados cirurgicamente. As vegetações cardíacas (infecciosas e não-infecciosas), são também entidades raras. As vegetações infecciosas são frequentemente diferenciadas por características clínicas, hemoculturas e análises laboratoriais. O tratamento consiste na erradicação do agente infeccioso, na estabilização do doente e no tratamento cirúrgico em alguns casos. A endocardite trombótica não-bacteriana, na qual encontramos vegetações não-infecciosas, é, com frequência, uma patologia fatal apenas diagnosticada em autópsia. As opções terapêuticas são limitadas e a intervenção cirúrgica não é recomendada. As semelhanças entre os FEP e as vegetações (infecciosas e não-infecciosas) são um desafio diagnóstico principalmente porque os FEP são sub-diagnosticados e apresentam um potencial tromboembólico tão importante como o das vegetações, tendo, no entanto, um prognóstico melhor após a intervenção cirúrgica, associando-se a menor taxa de complicações. Descrevemos uma situação de fibroelastoma papilar cardíaco, cujo diagnóstico pré-operatório se confundiu facilmente com vegetação valvular aórtica. É objectivo deste caso clínico apresentar uma causa pouco comum - FEP - e provavelmente sub-diagnosticada de acidente vascular cerebral (AVC) isquémico, focando a enorme importância de um diagnóstico diferencial com vegetações para a decisão terapêutica e para o prognóstico.