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Transfusão de plasma fresco congelado em cães hospitalizados com parvovirose canina na Unidade de Isolamento e Contenção Biológica do HEV-FMV-ULisboa : estudo retrospetivo

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A parvovirose canina é a principal causa de diarreia hemorrágica e mortalidade em cães jovens a nível global. A abordagem terapêutica atual envolve hospitalização para isolamento e tratamento de suporte e de infeções secundárias, sendo os custos associados, o principal desafio. A transfusão de plasma fresco congelado tem sido utilizada na parvovirose como tratamento adjuvante, porém a sua utilização permanece controversa devido à escassez de evidência que comprove os seus benefícios na prática clínica. Este estudo retrospetivo, teve como objetivo inicial compreender as tendências de uso do plasma fresco congelado em 189 animais hospitalizados com enterite por parvovírus canino na Unidade de Isolamento e Contenção Biológica do Hospital Escolar da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa entre 2013 e 2022. A análise comparativa entre 42 cães que receberam transfusão e os 147 restantes demonstrou a existência de associação estatisticamente significativa entre a administração de plasma e animais com idade inferior a 6 meses (p=0.001), raças puras (p=0.002), presença de leucopénia (p=0.003), neutropénia (p=0.003), linfopénia (p=0.012) e hipoalbuminémia na admissão (p=0.026). Em seguida, através da aplicação de critérios restritos, procurou-se obter uma amostra homogénea do ponto de vista clínico, com o objetivo de avaliar a influência do plasma fresco congelado no desfecho do internamento, duração da hospitalização e evolução do quadro clínico dos animais infetados por parvovírus. Esta amostra incluiu 45 cães e foi composta por dois grupos: 15 animais que receberam transfusão de plasma fresco congelado (PLFC) e 30 animais que não receberam transfusão (NPLFC). Não foi observada associação estatisticamente significativa entre a administração de plasma fresco congelado e o desfecho do internamento (p=0.722). Não obstante, a taxa de sobrevivência do grupo PLFC (80,00%) foi superior à do grupo NPLFC (70,00%). Relativamente à duração do internamento, foi demonstrada uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p=0.009). O grupo PLFC (µ=7,60) apresentou um prolongamento médio de 2,87 dias em relação ao grupo NPLFC (µ=4,43). Através de um sistema de pontuação clínica (0-11) observou-se uma melhoria de sinais clínicos nas primeiras 48 horas após transfusão. Apesar do potencial benefício na sobrevivência e melhoria de sinais clínicos, salienta se que para orientar e garantir uma boa prática clínica persiste a necessidade de novos estudos e diretrizes sobre a utilização do plasma fresco congelado na medicina veterinária
Autores principais:Medeiros, Diana Leal da Silva Goulart
Assunto:Plasma fresco congelado Parvovírus canino Transfusão UICB Enterite Fresh Frozen Plasma Canine parvovirus Transfusion UICB Enteritis
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A parvovirose canina é a principal causa de diarreia hemorrágica e mortalidade em cães jovens a nível global. A abordagem terapêutica atual envolve hospitalização para isolamento e tratamento de suporte e de infeções secundárias, sendo os custos associados, o principal desafio. A transfusão de plasma fresco congelado tem sido utilizada na parvovirose como tratamento adjuvante, porém a sua utilização permanece controversa devido à escassez de evidência que comprove os seus benefícios na prática clínica. Este estudo retrospetivo, teve como objetivo inicial compreender as tendências de uso do plasma fresco congelado em 189 animais hospitalizados com enterite por parvovírus canino na Unidade de Isolamento e Contenção Biológica do Hospital Escolar da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa entre 2013 e 2022. A análise comparativa entre 42 cães que receberam transfusão e os 147 restantes demonstrou a existência de associação estatisticamente significativa entre a administração de plasma e animais com idade inferior a 6 meses (p=0.001), raças puras (p=0.002), presença de leucopénia (p=0.003), neutropénia (p=0.003), linfopénia (p=0.012) e hipoalbuminémia na admissão (p=0.026). Em seguida, através da aplicação de critérios restritos, procurou-se obter uma amostra homogénea do ponto de vista clínico, com o objetivo de avaliar a influência do plasma fresco congelado no desfecho do internamento, duração da hospitalização e evolução do quadro clínico dos animais infetados por parvovírus. Esta amostra incluiu 45 cães e foi composta por dois grupos: 15 animais que receberam transfusão de plasma fresco congelado (PLFC) e 30 animais que não receberam transfusão (NPLFC). Não foi observada associação estatisticamente significativa entre a administração de plasma fresco congelado e o desfecho do internamento (p=0.722). Não obstante, a taxa de sobrevivência do grupo PLFC (80,00%) foi superior à do grupo NPLFC (70,00%). Relativamente à duração do internamento, foi demonstrada uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p=0.009). O grupo PLFC (µ=7,60) apresentou um prolongamento médio de 2,87 dias em relação ao grupo NPLFC (µ=4,43). Através de um sistema de pontuação clínica (0-11) observou-se uma melhoria de sinais clínicos nas primeiras 48 horas após transfusão. Apesar do potencial benefício na sobrevivência e melhoria de sinais clínicos, salienta se que para orientar e garantir uma boa prática clínica persiste a necessidade de novos estudos e diretrizes sobre a utilização do plasma fresco congelado na medicina veterinária