Publicação
Incongruência de género : a terapêutica hormonal
| Resumo: | A incongruência de género representa a discrepância entre a identidade de género vivida por um indivíduo e o género que lhe foi atribuído à nascença. Esta realidade clínica tem vindo a ser progressivamente reconhecida nas últimas décadas, impulsionando a criação de abordagens terapêuticas e legislativas centradas no bem-estar das pessoas transgénero. A terapêutica hormonal de reatribuição sexual assume um papel fundamental na afirmação de género, ao permitir a modificação gradual das características sexuais secundárias através da administração de hormonas sexuais exógenas, como estrogénios, anti androgénios ou testosterona, consoante o género afirmado. Nesta monografia, procede-se a uma análise crítica e abrangente dos fundamentos clínicos da terapêutica de reatribuição sexual, incluindo as formulações hormonais atualmente disponíveis, as diferentes vias de administração, os protocolos terapêuticos recomendados e os critérios de elegibilidade com base nas diretrizes internacionais. São ainda discutidos os efeitos desejados da terapêutica, os potenciais efeitos adversos sobre a saúde física (nomeadamente risco cardiovascular, saúde óssea e perfil metabólico), saúde mental (redução da ansiedade, depressão e ideação suicida) e reprodutiva, bem como os principais parâmetros clínicos e laboratoriais a monitorizar ao longo do tratamento. Dá-se particular atenção ao papel do farmacêutico, profissional que, embora ainda com intervenção limitada nesta área, pode contribuir significativamente para a adesão ao tratamento, a monitorização terapêutica, o aconselhamento individualizado e a promoção da literacia em saúde. Por fim, analisa-se criticamente o contexto português, salientando os obstáculos estruturais no acesso aos cuidados de saúde por parte das pessoas transgénero, tais como a escassez de profissionais com formação adequada, o estigma social persistente e a desarticulação entre os serviços disponíveis. Este enquadramento reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar, sustentada na evidência científica e no respeito pela autodeterminação, garantindo a continuidade e a qualidade dos cuidados prestados à população transgénera. |
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| Autores principais: | Chibeles,Inês Maria Maia |
| Assunto: | 204206138 Incongruência de género Terapia hormonal Transgénero Farmacêutico Mestrado integrado - 2025 |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A incongruência de género representa a discrepância entre a identidade de género vivida por um indivíduo e o género que lhe foi atribuído à nascença. Esta realidade clínica tem vindo a ser progressivamente reconhecida nas últimas décadas, impulsionando a criação de abordagens terapêuticas e legislativas centradas no bem-estar das pessoas transgénero. A terapêutica hormonal de reatribuição sexual assume um papel fundamental na afirmação de género, ao permitir a modificação gradual das características sexuais secundárias através da administração de hormonas sexuais exógenas, como estrogénios, anti androgénios ou testosterona, consoante o género afirmado. Nesta monografia, procede-se a uma análise crítica e abrangente dos fundamentos clínicos da terapêutica de reatribuição sexual, incluindo as formulações hormonais atualmente disponíveis, as diferentes vias de administração, os protocolos terapêuticos recomendados e os critérios de elegibilidade com base nas diretrizes internacionais. São ainda discutidos os efeitos desejados da terapêutica, os potenciais efeitos adversos sobre a saúde física (nomeadamente risco cardiovascular, saúde óssea e perfil metabólico), saúde mental (redução da ansiedade, depressão e ideação suicida) e reprodutiva, bem como os principais parâmetros clínicos e laboratoriais a monitorizar ao longo do tratamento. Dá-se particular atenção ao papel do farmacêutico, profissional que, embora ainda com intervenção limitada nesta área, pode contribuir significativamente para a adesão ao tratamento, a monitorização terapêutica, o aconselhamento individualizado e a promoção da literacia em saúde. Por fim, analisa-se criticamente o contexto português, salientando os obstáculos estruturais no acesso aos cuidados de saúde por parte das pessoas transgénero, tais como a escassez de profissionais com formação adequada, o estigma social persistente e a desarticulação entre os serviços disponíveis. Este enquadramento reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar, sustentada na evidência científica e no respeito pela autodeterminação, garantindo a continuidade e a qualidade dos cuidados prestados à população transgénera. |
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