Publicação

Estudo da razão entre os mRNAs da \03B1- e da \03B2-globina como um indicador da expressão dos respectivos genes globínicos

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A hemoglobina é constituída essencialmente por dois pares de cadeias globínicas (α e ß) e pelos grupos heme. Defeitos quantitativos na síntese dessas cadeias, causados por mutações ou deleções nos genes correspondentes, originam doenças genéticas como as talassémias, cuja diversidade fenotípica depende, em parte, da extensão do desequilíbrio de síntese entre estas cadeias. Neste estudo, implementou-se uma metodologia de transcrição reversa, seguida de PCR em tempo real, para calcular o desequilíbrio entre a expressão dos genes α- e ß-globínicos (razão α/ß) a partir de mRNAs extraídos de reticulócitos. Foi analisado um total de 42 indivíduos, inicialmente separados em dois grupos, controlo normal (n=28) e ß-talassémicos (n=14), conforme o fenótipo hematológico e bioquímico. Dos que inicialmente constituíam o grupo controlo normal, foram detectados três portadores de α-talassémia que formaram um grupo à parte. Dos indivíduos que inicialmente constituíam o grupo dos ß-talassémicos, 8 foram determinados como sendo portadores de ß-talassémia, tendo sido encontrada, em cada um deles, uma das mutações ß-talassémicas pesquisadas. Ainda no grupo dos ß-talassémicos, foram também encontrados 6 indivíduos com outro tipo de fenótipo: 2 talassémicos major, 2 com talassémia intermédia e 2 casos atípicos de portadores de ß-talassémia. Os resultados mostraram que a razão α/ß dos portadores de ß -talassémia (4,1±1,8) é mais elevada (p<0,001) do que a dos indivíduos normais (2,2±0,98). Nos portadores, essa razão parece reflectir o tipo de mutação (ß+ ou ß0) e nos indivíduos homozigóticos ou compostos heterozigóticos esta é ainda mais elevada. Ao contrário, as razões α/ß do grupo de portadores de -α3,7kb não se distinguem das do grupo controlo normal. Os resultados obtidos permitem-nos concluir que a técnica implementada é indicada para caracterizar a ß-talassémia, reflectindo o grau de desequilíbrio de expressão entre os genes α- e ß -globina. Contudo, é inadequada para distinguir casos de α-talassémia devida a delecão -α3,7kb. Pretende-se aplicar esta metodologia para esclarecer o efeito funcional de novas mutações, casos de hemoglobinopatias atípicas e associações genótipo-fenótipo raras.
Autores principais:Soares, Taciana Muniz
Assunto:Biologia molecular Hemoglobina Talassemia Teses de mestrado
Ano:2009
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A hemoglobina é constituída essencialmente por dois pares de cadeias globínicas (α e ß) e pelos grupos heme. Defeitos quantitativos na síntese dessas cadeias, causados por mutações ou deleções nos genes correspondentes, originam doenças genéticas como as talassémias, cuja diversidade fenotípica depende, em parte, da extensão do desequilíbrio de síntese entre estas cadeias. Neste estudo, implementou-se uma metodologia de transcrição reversa, seguida de PCR em tempo real, para calcular o desequilíbrio entre a expressão dos genes α- e ß-globínicos (razão α/ß) a partir de mRNAs extraídos de reticulócitos. Foi analisado um total de 42 indivíduos, inicialmente separados em dois grupos, controlo normal (n=28) e ß-talassémicos (n=14), conforme o fenótipo hematológico e bioquímico. Dos que inicialmente constituíam o grupo controlo normal, foram detectados três portadores de α-talassémia que formaram um grupo à parte. Dos indivíduos que inicialmente constituíam o grupo dos ß-talassémicos, 8 foram determinados como sendo portadores de ß-talassémia, tendo sido encontrada, em cada um deles, uma das mutações ß-talassémicas pesquisadas. Ainda no grupo dos ß-talassémicos, foram também encontrados 6 indivíduos com outro tipo de fenótipo: 2 talassémicos major, 2 com talassémia intermédia e 2 casos atípicos de portadores de ß-talassémia. Os resultados mostraram que a razão α/ß dos portadores de ß -talassémia (4,1±1,8) é mais elevada (p<0,001) do que a dos indivíduos normais (2,2±0,98). Nos portadores, essa razão parece reflectir o tipo de mutação (ß+ ou ß0) e nos indivíduos homozigóticos ou compostos heterozigóticos esta é ainda mais elevada. Ao contrário, as razões α/ß do grupo de portadores de -α3,7kb não se distinguem das do grupo controlo normal. Os resultados obtidos permitem-nos concluir que a técnica implementada é indicada para caracterizar a ß-talassémia, reflectindo o grau de desequilíbrio de expressão entre os genes α- e ß -globina. Contudo, é inadequada para distinguir casos de α-talassémia devida a delecão -α3,7kb. Pretende-se aplicar esta metodologia para esclarecer o efeito funcional de novas mutações, casos de hemoglobinopatias atípicas e associações genótipo-fenótipo raras.