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Prevalência de sintomas nos últimos quinze dias de vida em doentes internados num hospital geriátrico : estudo retrospetivo

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Resumo:O aumento da esperança média de vida, em Portugal e no Mundo, no último século, tem mudado o paradigma da morte por doença aguda e rápida, para uma morte por doença crónica e prolongada. Os cuidados paliativos (CP) têm em vista a promoção da qualidade de vida nas pessoas com doença crónica incurável e ameaçadora de vida. Sendo o controlo de sintomas um dos pilares dos cuidados paliativos, a identificação destes sintomas e sinais presentes nos últimos dias de vida, surge como uma prioridade na prática dos CP. Neste estudo foi constituída uma amostra com 102 doentes, internados no Hospital do Mar Lisboa – Cuidados Especializados, e que faleceram no período compreendido entre 1 de julho de 2017 e 30 de junho de 2019. Será utilizada uma abordagem quantitativa, com caráter descritivo, retrospetivo, observacional. Como instrumentos para a colheita de dados, serão analisados os registos na ESAS, Registos de Enfermagem e Diário Clínico (integrados na aplicação “TSR – Processos Clínicos”), para identificação dos sintomas e sinais presentes nos 15º e 5º dias que antecederam a morte. Foram analisados registos de 102 doentes, 49 do sexo masculino (48%) e 53 do sexo feminino (52%), com médias de idade em 77,53 anos e 80,91, respetivamente. Foram identificadas 24 pessoas com doença de insuficiência de órgão (23,5%), 34 pessoas com doença neurológica (33,3%) e 44 pessoas com doença oncológica (43,1%). Os 5 sintomas mais prevalentes 15 dias antes da morte foram a sonolência (54,9%), astenia (49%), anorexia (45,1%), dor (33,3%) e depressão (27,5%). Ao 5º dia antes da morte, os 5 sintomas mais prevalentes foram a sonolência (52%), anorexia (45,1%), astenia (43,1%), dor (35,3%) e dispneia (14,7%). Os sinais mais prevalentes 15 dias antes da morte foram a desidratação (50%), confusão (47,1%), tosse (31,4%), farfalheira (17,6%), polipneia e prostração (15,7%). No 5º dia precedente à morte, os 5 sinais mais prevalentes foram a confusão (37,3%), desidratação (37,3%), farfalheira (32,2%), prostração (30,44%) e tosse (26,5%). Neste estudo, foi possível concluir que as pessoas com doença oncológica têm internamentos mais curtos, morrem mais novas, e apresentam maior prevalência de sintomas no 15º dia e 5º dia precedente à morte, do que as pessoas com doença não oncológica.
Autores principais:Correia, Diogo Fernando Ribeiro Lourenço
Assunto:Sintomas Sinais Fim de vida Necessidades paliativas Cuidados paliativos Teses de mestrado - 2022
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O aumento da esperança média de vida, em Portugal e no Mundo, no último século, tem mudado o paradigma da morte por doença aguda e rápida, para uma morte por doença crónica e prolongada. Os cuidados paliativos (CP) têm em vista a promoção da qualidade de vida nas pessoas com doença crónica incurável e ameaçadora de vida. Sendo o controlo de sintomas um dos pilares dos cuidados paliativos, a identificação destes sintomas e sinais presentes nos últimos dias de vida, surge como uma prioridade na prática dos CP. Neste estudo foi constituída uma amostra com 102 doentes, internados no Hospital do Mar Lisboa – Cuidados Especializados, e que faleceram no período compreendido entre 1 de julho de 2017 e 30 de junho de 2019. Será utilizada uma abordagem quantitativa, com caráter descritivo, retrospetivo, observacional. Como instrumentos para a colheita de dados, serão analisados os registos na ESAS, Registos de Enfermagem e Diário Clínico (integrados na aplicação “TSR – Processos Clínicos”), para identificação dos sintomas e sinais presentes nos 15º e 5º dias que antecederam a morte. Foram analisados registos de 102 doentes, 49 do sexo masculino (48%) e 53 do sexo feminino (52%), com médias de idade em 77,53 anos e 80,91, respetivamente. Foram identificadas 24 pessoas com doença de insuficiência de órgão (23,5%), 34 pessoas com doença neurológica (33,3%) e 44 pessoas com doença oncológica (43,1%). Os 5 sintomas mais prevalentes 15 dias antes da morte foram a sonolência (54,9%), astenia (49%), anorexia (45,1%), dor (33,3%) e depressão (27,5%). Ao 5º dia antes da morte, os 5 sintomas mais prevalentes foram a sonolência (52%), anorexia (45,1%), astenia (43,1%), dor (35,3%) e dispneia (14,7%). Os sinais mais prevalentes 15 dias antes da morte foram a desidratação (50%), confusão (47,1%), tosse (31,4%), farfalheira (17,6%), polipneia e prostração (15,7%). No 5º dia precedente à morte, os 5 sinais mais prevalentes foram a confusão (37,3%), desidratação (37,3%), farfalheira (32,2%), prostração (30,44%) e tosse (26,5%). Neste estudo, foi possível concluir que as pessoas com doença oncológica têm internamentos mais curtos, morrem mais novas, e apresentam maior prevalência de sintomas no 15º dia e 5º dia precedente à morte, do que as pessoas com doença não oncológica.