Publicação
Análise dos fatores associados à utilização de cuidados médicos por doentes hipertensos
| Resumo: | A equidade no acesso aos cuidados de saúde é um dos pressupostos básicos do sistema de saúde português, no entanto barreiras ao acesso persistem, sendo necessária a implementação de estratégias que reduzam estas desigualdades. Existem alguns estudos direcionados para analisar os determinantes da utilização de cuidados médicos em Portugal, no entanto análises que estudem estes fatores na população hipertensa são escassas. Este estudo pretende analisar os fatores que determinam a utilização de cuidados médicos, motivados pela hipertensão, em duas coortes de doentes hipertensos, seguidos nos Cuidados de Saúde Primários. Foram analisados os dados provenientes do estudo DIMATCH-HTA, um estudo observacional longitudinal em duas coortes, imigrantes e não imigrantes. A variável indicadora do consumo de recursos foi o número de consultas médicas, autoreportadas, por motivos relacionados com a hipertensão nos três meses anteriores a cada entrevista. A variável foi recolhida em quatro momentos distintos, 3,6,9 e 12 meses após entrada no estudo. As variáveis explicativas consideradas foram idade, sexo, etnia, estado civil, rendimento, nível de ensino, seguro privado, subsistema de saúde, ocupação profissional, número de pessoas do agregado, diabetes, colesterol, controlo de hipertensão, tempo desde diagnóstico de hipertensão e autoperceção da doença. A metodologia usada implicou a comparação de diferentes métodos de regressão de contagem, que permitissem simultaneamente acomodar a correlação dos dados e a dispersão. Entre os modelos estimados, os testes estatísticos deram preferência ao modelo de efeitos aleatórios e ao modelo de classes latentes. Os modelos de efeitos aleatórios são pouco usados no âmbito da economia da saúde, mas este trabalho contribui para demonstrar que estes podem ser uma alternativa interessante para acomodar a heterogeneidade individual. Os resultados do modelo de efeitos aleatórios permitiram concluir que existem diferenças significativas na utilização de cuidados médicos consoante a escolaridade. A perceção do estado de saúde também foi um fator determinante no número médio de consultas. Ser beneficiário de um subsistema de saúde teve impacto negativo no número médio de consultas. O modelo de classes latentes sugere a existência de duas subpopulações com diferentes níveis de utilização. Na classe dos utilizadores \mais controlados "verificou-se que os principais determinantes estavam relacionados com o estado de saúde. Por sua vez, na classe dos \menos controlados", a escolaridade e perceção influenciaram significativamente a utilização de cuidados. Nesta classe de utilizadores, a variável diabetes teve impacto contrário ao esperado, estando associado a uma menor utilização. O estado de saúde e etnia foram os indicadores que mais contribuíram para explicar a afetação às classes. |
|---|---|
| Autores principais: | Pinheiro, Bernardete Andrade |
| Assunto: | Hipertensão Utilização de cuidados de saúde Modelos longitudinais Modelos de contagem Teses de mestrado - 2013 |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A equidade no acesso aos cuidados de saúde é um dos pressupostos básicos do sistema de saúde português, no entanto barreiras ao acesso persistem, sendo necessária a implementação de estratégias que reduzam estas desigualdades. Existem alguns estudos direcionados para analisar os determinantes da utilização de cuidados médicos em Portugal, no entanto análises que estudem estes fatores na população hipertensa são escassas. Este estudo pretende analisar os fatores que determinam a utilização de cuidados médicos, motivados pela hipertensão, em duas coortes de doentes hipertensos, seguidos nos Cuidados de Saúde Primários. Foram analisados os dados provenientes do estudo DIMATCH-HTA, um estudo observacional longitudinal em duas coortes, imigrantes e não imigrantes. A variável indicadora do consumo de recursos foi o número de consultas médicas, autoreportadas, por motivos relacionados com a hipertensão nos três meses anteriores a cada entrevista. A variável foi recolhida em quatro momentos distintos, 3,6,9 e 12 meses após entrada no estudo. As variáveis explicativas consideradas foram idade, sexo, etnia, estado civil, rendimento, nível de ensino, seguro privado, subsistema de saúde, ocupação profissional, número de pessoas do agregado, diabetes, colesterol, controlo de hipertensão, tempo desde diagnóstico de hipertensão e autoperceção da doença. A metodologia usada implicou a comparação de diferentes métodos de regressão de contagem, que permitissem simultaneamente acomodar a correlação dos dados e a dispersão. Entre os modelos estimados, os testes estatísticos deram preferência ao modelo de efeitos aleatórios e ao modelo de classes latentes. Os modelos de efeitos aleatórios são pouco usados no âmbito da economia da saúde, mas este trabalho contribui para demonstrar que estes podem ser uma alternativa interessante para acomodar a heterogeneidade individual. Os resultados do modelo de efeitos aleatórios permitiram concluir que existem diferenças significativas na utilização de cuidados médicos consoante a escolaridade. A perceção do estado de saúde também foi um fator determinante no número médio de consultas. Ser beneficiário de um subsistema de saúde teve impacto negativo no número médio de consultas. O modelo de classes latentes sugere a existência de duas subpopulações com diferentes níveis de utilização. Na classe dos utilizadores \mais controlados "verificou-se que os principais determinantes estavam relacionados com o estado de saúde. Por sua vez, na classe dos \menos controlados", a escolaridade e perceção influenciaram significativamente a utilização de cuidados. Nesta classe de utilizadores, a variável diabetes teve impacto contrário ao esperado, estando associado a uma menor utilização. O estado de saúde e etnia foram os indicadores que mais contribuíram para explicar a afetação às classes. |
|---|