Publicação
Estruturas de subida do clítico: estudo comparativo entre língua falada e língua escrita
| Resumo: | É objetivo principal deste estudo identificar diferenças na frequência ou padrões de subida do clítico entre a fala e escrita de dois falantes de português europeu. Como se sabe, nas orações completivas infinitivas onde o verbo superior é um verbo de reestruturação, um pronome clítico pode cliticizar ao verbo inferior ou ao verbo superior. Quando o pronome sobe para o verbo superior, dá-se aquilo a que chamamos subida do clítico (SC). Estudos anteriores, como Davies (1995), Andrade (2010a) e Barbosa, Paiva & Martins (2017), mostraram que há uma clara preferência pela subida do clítico na fala, preferência essa que não se reflete necessariamente na escrita. Este trabalho quer explorar se as diferenças observadas quando se comparam corpora de língua falada e de língua escrita se observam também na fala e na escrita de uma mesma pessoa, ou se haverá outros fatores em causa – como perfis idioletais mais ou menos comuns na população – por detrás de resultados anteriores. Constituímos assim um corpus a partir de crónicas, programas televisivos e entrevistas de duas personalidades portuguesas: Ricardo Araújo Pereira (RAP) e José Pacheco Pereira (JPP). Os dados de RAP perfazem 60 mil palavras para a escrita e 63 mil palavras para a fala. Os dados de JPP perfazem 67 mil palavras para a escrita e 70 mil para a fala. No total, o corpus contem mais de 130 mil palavras e 22 horas de gravação. A nossa conclusão principal é a de que a diferença entre fala e escrita não parece ser tão importante como a diferença entre falantes. É na comparação entre os idioletos de RAP e JPP que encontramos neste estudo uma grande diferença na utilização da construção de reestruturação. Se a conclusão for correta, isso parece apontar para o facto de que a elevada percentagem de SC nos dados de oralidade de estudos anteriores não é representativa da diferença de uso de um mesmo falante, mas antes reflete a preferência da população em geral. Outros fatores, como o contexto de próclise ao verbo superior ou a frequência do verbo, parecem ser também mais importantes para a SC do que a diferença entre fala e escrita de um mesmo falante. |
|---|---|
| Autores principais: | Freixo, Andreia |
| Assunto: | Língua portuguesa - Clíticos Língua portuguesa falada Língua portuguesa escrita Teses de mestrado - 2021 |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | É objetivo principal deste estudo identificar diferenças na frequência ou padrões de subida do clítico entre a fala e escrita de dois falantes de português europeu. Como se sabe, nas orações completivas infinitivas onde o verbo superior é um verbo de reestruturação, um pronome clítico pode cliticizar ao verbo inferior ou ao verbo superior. Quando o pronome sobe para o verbo superior, dá-se aquilo a que chamamos subida do clítico (SC). Estudos anteriores, como Davies (1995), Andrade (2010a) e Barbosa, Paiva & Martins (2017), mostraram que há uma clara preferência pela subida do clítico na fala, preferência essa que não se reflete necessariamente na escrita. Este trabalho quer explorar se as diferenças observadas quando se comparam corpora de língua falada e de língua escrita se observam também na fala e na escrita de uma mesma pessoa, ou se haverá outros fatores em causa – como perfis idioletais mais ou menos comuns na população – por detrás de resultados anteriores. Constituímos assim um corpus a partir de crónicas, programas televisivos e entrevistas de duas personalidades portuguesas: Ricardo Araújo Pereira (RAP) e José Pacheco Pereira (JPP). Os dados de RAP perfazem 60 mil palavras para a escrita e 63 mil palavras para a fala. Os dados de JPP perfazem 67 mil palavras para a escrita e 70 mil para a fala. No total, o corpus contem mais de 130 mil palavras e 22 horas de gravação. A nossa conclusão principal é a de que a diferença entre fala e escrita não parece ser tão importante como a diferença entre falantes. É na comparação entre os idioletos de RAP e JPP que encontramos neste estudo uma grande diferença na utilização da construção de reestruturação. Se a conclusão for correta, isso parece apontar para o facto de que a elevada percentagem de SC nos dados de oralidade de estudos anteriores não é representativa da diferença de uso de um mesmo falante, mas antes reflete a preferência da população em geral. Outros fatores, como o contexto de próclise ao verbo superior ou a frequência do verbo, parecem ser também mais importantes para a SC do que a diferença entre fala e escrita de um mesmo falante. |
|---|