Publicação
Modelação da suscetibilidade à rutura de movimentos de vertente: Ilha de São Miguel, Açores
| Resumo: | A bacia hidrográfica da Ribeira Grande apresenta um conjunto de caraterísticas que potenciam a ocorrência de movimentos de vertente. A análise monoscópica de ortofotomapas e o trabalho de campo sistemático e detalhado permitiram a inventariação e representação cartográfica de 616 deslizamentos superficiais na bacia hidrográfica. Estes deslizamentos foram separados em dois grupos, em função do mecanismo desencadeante associado: Grupo 1, com 442 movimentos desencadeados pela precipitação, em anos variados (inventário histórico); e Grupo 2, com 174 movimentos desencadeados por sismos em 2005 (inventário de evento). Estes dois grupos de movimentos de vertente foram caraterizados e comparados do ponto de vista morfométrico e utilizados individualmente para produzir modelos de suscetibilidade à rutura com recurso a dois métodos estatísticos: Valor Informativo e Regressão Logística. A suscetibilidade foi ainda avaliada especificamente no setor montante da bacia hidrográfica, onde se concentra a maior parte dos deslizamentos superficiais. Todos os modelos de suscetibilidade foram validados com recurso a taxas de sucesso, a taxas de predição e à estatística Kappa. Os resultados obtidos mostram que os movimentos de vertente superficiais, desencadeados pela precipitação e por sismos, na área de estudo apresentam características morfométricas distintas. Os primeiros tendem a ter uma maior dimensão, enquanto os segundos ocorrem em declives mais acentuados e em posição topográfica mais elevada. A aplicação de métodos estatísticos bivariado (Valor Informativo) e multivariado (Regressão Logística), considerando isoladamente os movimentos de vertente desencadeados pela precipitação e por sismos, produziu resultados equivalentes no que respeita à suscetibilidade de ocorrência de ruturas de movimentos de vertente superficiais. Adicionalmente, verificou-se que os modelos produzidos com o inventário de movimentos de vertente desencadeados pela precipitação são muito eficazes na predição da localização espacial dos movimentos de vertente desencadeados por sismos, o mesmo não acontecendo na situação inversa. Por último, foi possível verificar que, com a restrição da área de estudo ao setor montante da bacia hidrográfica, onde se concentra a maioria dos movimentos de vertente, os modelos apresentam resultados preditivos mais modestos, mas refletem de forma mais realista as relações entre os movimentos de vertente e os fatores de predisposição e a real capacidade para antecipar a localização espacial dos futuros deslizamentos. |
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| Autores principais: | Gordo, Cristina Alexandra Santos |
| Assunto: | Deslizamentos superficiais Fatores Desencadeantes Suscetibilidade Valor Informativo Regressão Logística Validação Ilha de São Miguel Açores |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A bacia hidrográfica da Ribeira Grande apresenta um conjunto de caraterísticas que potenciam a ocorrência de movimentos de vertente. A análise monoscópica de ortofotomapas e o trabalho de campo sistemático e detalhado permitiram a inventariação e representação cartográfica de 616 deslizamentos superficiais na bacia hidrográfica. Estes deslizamentos foram separados em dois grupos, em função do mecanismo desencadeante associado: Grupo 1, com 442 movimentos desencadeados pela precipitação, em anos variados (inventário histórico); e Grupo 2, com 174 movimentos desencadeados por sismos em 2005 (inventário de evento). Estes dois grupos de movimentos de vertente foram caraterizados e comparados do ponto de vista morfométrico e utilizados individualmente para produzir modelos de suscetibilidade à rutura com recurso a dois métodos estatísticos: Valor Informativo e Regressão Logística. A suscetibilidade foi ainda avaliada especificamente no setor montante da bacia hidrográfica, onde se concentra a maior parte dos deslizamentos superficiais. Todos os modelos de suscetibilidade foram validados com recurso a taxas de sucesso, a taxas de predição e à estatística Kappa. Os resultados obtidos mostram que os movimentos de vertente superficiais, desencadeados pela precipitação e por sismos, na área de estudo apresentam características morfométricas distintas. Os primeiros tendem a ter uma maior dimensão, enquanto os segundos ocorrem em declives mais acentuados e em posição topográfica mais elevada. A aplicação de métodos estatísticos bivariado (Valor Informativo) e multivariado (Regressão Logística), considerando isoladamente os movimentos de vertente desencadeados pela precipitação e por sismos, produziu resultados equivalentes no que respeita à suscetibilidade de ocorrência de ruturas de movimentos de vertente superficiais. Adicionalmente, verificou-se que os modelos produzidos com o inventário de movimentos de vertente desencadeados pela precipitação são muito eficazes na predição da localização espacial dos movimentos de vertente desencadeados por sismos, o mesmo não acontecendo na situação inversa. Por último, foi possível verificar que, com a restrição da área de estudo ao setor montante da bacia hidrográfica, onde se concentra a maioria dos movimentos de vertente, os modelos apresentam resultados preditivos mais modestos, mas refletem de forma mais realista as relações entre os movimentos de vertente e os fatores de predisposição e a real capacidade para antecipar a localização espacial dos futuros deslizamentos. |
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