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A Arqueologia em Portugal entre o final do século XX e o início do século XXI (1970 – 2014)

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Resumo:Esta dissertação incide sobre a história recente (entre 1970 e 2014) da Arqueologia portuguesa (no território de em Portugal continental), nomeadamente da legislação arqueológica, da estrutura do Estado, do ensino da Arqueologia, dos arqueólogos, das instituições com actividade em Arqueologia e da actividade arqueológica. O estudo recorre à análise intensiva de dados quantitativos, procurando efectuar o diagnóstico e a caracterização dos indicadores essenciais para a compreensão da realidade em análise. Durante o período em estudo, o regime jurídico português aplicável à Arqueologia sofreu um processo de especialização, complexificação e amplificação de âmbito, em contexto nacional mas também europeu, através dos mecanismos de transposição e ratificação legislativas. Na estrutura do Estado com competências sobre a Arqueologia, verificou-se uma primeira fase, até 2007, de progressiva especialização, seguida de uma fase de contracção e descaracterização, associada a uma “regionalização” latente. No ensino superior, a área científica da Arqueologia autonomizou-se e especializou-se, verificando-se um considerável aumento, dispersão e diversificação da oferta formativa. O grupo sociológico dos arqueólogos cresceu consideravelmente, profissionalizou-se, qualificou-se e diversificou-se. No exercício da profissão, agravaram-se as condições laborais e aprofundou-se a instabilidade. As instituições com actividade em Arqueologia aumentaram de número, verificando-se igualmente uma diversificação (nomeadamente no sector privado) e dispersão no território, com os municípios e as empresas de Arqueologia a assumirem um papel central. A actividade arqueológica registou uma evolução quantitativa notável, evoluindo também para uma progressiva diversificação de âmbito e forma, com a Arqueologia Preventiva a assumir um protagonismo crescente, em detrimento de componentes como a investigação e a valorização. A dissertação persegue um objectivo de observatório da Arqueologia portuguesa, instrumento de análise e diagnóstico que permita delinear propostas futuras. É um trabalho interdisciplinar que cruza as disciplinas da Arqueologia, História e Sociologia, na esfera da Arqueologia Pública, procurando reflectir sobre o papel cívico, social e cultural da Arqueologia.
Autores principais:Bugalhão, Jacinta da Conceição Marques
Assunto:Arqueologia - Portugal - séc.20-21 Arqueologia - Direito - Portugal Arqueologia - Política pública - Portugal Arqueólogos - Portugal Arqueologia preventiva Vestígios arqueológicos - Conservação e restauro Teses de doutoramento - 2021
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta dissertação incide sobre a história recente (entre 1970 e 2014) da Arqueologia portuguesa (no território de em Portugal continental), nomeadamente da legislação arqueológica, da estrutura do Estado, do ensino da Arqueologia, dos arqueólogos, das instituições com actividade em Arqueologia e da actividade arqueológica. O estudo recorre à análise intensiva de dados quantitativos, procurando efectuar o diagnóstico e a caracterização dos indicadores essenciais para a compreensão da realidade em análise. Durante o período em estudo, o regime jurídico português aplicável à Arqueologia sofreu um processo de especialização, complexificação e amplificação de âmbito, em contexto nacional mas também europeu, através dos mecanismos de transposição e ratificação legislativas. Na estrutura do Estado com competências sobre a Arqueologia, verificou-se uma primeira fase, até 2007, de progressiva especialização, seguida de uma fase de contracção e descaracterização, associada a uma “regionalização” latente. No ensino superior, a área científica da Arqueologia autonomizou-se e especializou-se, verificando-se um considerável aumento, dispersão e diversificação da oferta formativa. O grupo sociológico dos arqueólogos cresceu consideravelmente, profissionalizou-se, qualificou-se e diversificou-se. No exercício da profissão, agravaram-se as condições laborais e aprofundou-se a instabilidade. As instituições com actividade em Arqueologia aumentaram de número, verificando-se igualmente uma diversificação (nomeadamente no sector privado) e dispersão no território, com os municípios e as empresas de Arqueologia a assumirem um papel central. A actividade arqueológica registou uma evolução quantitativa notável, evoluindo também para uma progressiva diversificação de âmbito e forma, com a Arqueologia Preventiva a assumir um protagonismo crescente, em detrimento de componentes como a investigação e a valorização. A dissertação persegue um objectivo de observatório da Arqueologia portuguesa, instrumento de análise e diagnóstico que permita delinear propostas futuras. É um trabalho interdisciplinar que cruza as disciplinas da Arqueologia, História e Sociologia, na esfera da Arqueologia Pública, procurando reflectir sobre o papel cívico, social e cultural da Arqueologia.