Publicação
Neolitização da costa sudoeste portuguesa. A cronologia de Vale Pincel I
| Resumo: | Os autores procedem a uma reflexão sobre o processo de neolitização na Costa Sudoeste portuguesa, sublinhando quer a sobrevivência de comportamentos instalados nas sociedades de caçadores-recolectores complexos, quer a capacidade destes de integrarem e reelaborarem as inovações neolíticas. Um significativo conjunto de datas radiocarbónicas obtidas para o extenso (10 ha) habitat do Neolítico antigo de Vale Pincel I (Sines) permite situar a cronologia da sua ocupação nos 2.º e 3.º quartéis do VI milénio BC. Essas datas são apresentadas e contextualizadas nas respectivas estruturas, configurando por agora o mais antigo Neolítico português (fácies de Vale Pincel), de cerâmicas impressas, onde a decoração cardial é rara. Esta realidade arqueológica inscreve-se no Neolítico antigo anterior ao cardial franco‑ibérico, de ceramica impressa, tão bem representado no território nuclear do Cardial pelos sítios de Pont de Roque-Haute, Peiro Signado ou Pendimoun 1, no Sul de França. A informação empírica disponibilizada por Vale Pincel I reforça um conceito de neolitização contrário ao da difusão démica associado a «colonos cardiais». Com efeito, ajusta-se melhor à diversidade regional do Neolítico antigo da bacia mediterrânea ocidental, e à sua rápida dispersão, uma perspectiva teórica valorizadora da transmissão de informação e materiais neolíticos por osmose cultural ou percolação, seguindo os fluxos multidireccionais de uma geometria fractal. |
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| Autores principais: | Silva, Carlos Tavares da |
| Outros Autores: | Soares, Joaquina |
| Assunto: | Neolitização Neolítico antigo Cerâmica impressa Osmose cultural Costa Sudoeste portuguesa |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os autores procedem a uma reflexão sobre o processo de neolitização na Costa Sudoeste portuguesa, sublinhando quer a sobrevivência de comportamentos instalados nas sociedades de caçadores-recolectores complexos, quer a capacidade destes de integrarem e reelaborarem as inovações neolíticas. Um significativo conjunto de datas radiocarbónicas obtidas para o extenso (10 ha) habitat do Neolítico antigo de Vale Pincel I (Sines) permite situar a cronologia da sua ocupação nos 2.º e 3.º quartéis do VI milénio BC. Essas datas são apresentadas e contextualizadas nas respectivas estruturas, configurando por agora o mais antigo Neolítico português (fácies de Vale Pincel), de cerâmicas impressas, onde a decoração cardial é rara. Esta realidade arqueológica inscreve-se no Neolítico antigo anterior ao cardial franco‑ibérico, de ceramica impressa, tão bem representado no território nuclear do Cardial pelos sítios de Pont de Roque-Haute, Peiro Signado ou Pendimoun 1, no Sul de França. A informação empírica disponibilizada por Vale Pincel I reforça um conceito de neolitização contrário ao da difusão démica associado a «colonos cardiais». Com efeito, ajusta-se melhor à diversidade regional do Neolítico antigo da bacia mediterrânea ocidental, e à sua rápida dispersão, uma perspectiva teórica valorizadora da transmissão de informação e materiais neolíticos por osmose cultural ou percolação, seguindo os fluxos multidireccionais de uma geometria fractal. |
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