Publicação
Resultados clínicos do tratamento do pé boto segundo a técnica de Ponseti
| Resumo: | Introdução: O método de Ponseti é atualmente considerado um método de eleição no tratamento do pé boto congénito, dada a sua elevada taxa de sucesso. O tratamento visa obter um pé plantígrado, indolor e flexível. Porém, vários estudos têm demonstrado taxas importantes de recidiva. Neste trabalho, é nosso objetivo avaliar os resultados clínicos do método, o impacto da recidiva no resultado final e identificar parâmetros clínicos e radiográficos relacionados com a recidiva. Materiais e Métodos: Avaliámos 61 pés botos em 42 crianças, tratadas com o método de Ponseti. Os parâmetros clínicos avaliados foram: classificação de Pirani e grau de dorsiflexão. No estudo radiográfico, realizado em média aos 35 meses, avaliámos na incidência ântero-posterior, os ângulos talo-calcaneano e talo-1ºmetatarso, e na incidência lateral, o ângulo tibio-calcaneano e a inclinação do calcâneo. Os resultados finais foram classificados em “bons”, “satisfatórios” e “maus” de acordo com a necessidade de cirurgia ou não. Os dados foram tratados numa tabela de Excel e utilizou-se o programa SPSS-26 para a análise estatística, realizando-se testes t-student e regressões logísticas com nível de significância de 95%. Resultados: O seguimento médio das crianças foi de 147,1 meses (mín. 71; máx. 203). A avaliação de Pirani final foi 0.5, com dorsiflexão média final de 12, 31º. A taxa de recidiva foi de 36%, não tendo comprometido os resultados finais, com 67,2% de bons resultados e 32,8% de resultados satisfatórios. Encontrámos correlação significativa com a recidiva para as varáveis: classificação de Pirani inicial e no primeiro ano, grau de dorsiflexão aos três anos, ângulo TC (AP), ângulo T1Met (Lat) e índice TC, tendo o ângulo TC (AP) o maior valor preditivo (p=0,015, odds-ratio 0,876). Discussão: O método de Ponseti é fiável, reprodutível e proporciona bons resultados clínicos. A cirurgia extra-articular em caso de recidiva, não parece comprometer os resultados clínicos, podendo ser considerada como parte do tratamento em determinados pés. Um ângulo talo-calcaneano na incidência antero-posterior aos três anos de idade, inferior a 20º, correlaciona-se com recidiva. |
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| Autores principais: | Fernandes, Sara Cardoso Lourenço Silva |
| Assunto: | Pé boto Ponseti Resultados clínicos Recidiva Ortopedia |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: O método de Ponseti é atualmente considerado um método de eleição no tratamento do pé boto congénito, dada a sua elevada taxa de sucesso. O tratamento visa obter um pé plantígrado, indolor e flexível. Porém, vários estudos têm demonstrado taxas importantes de recidiva. Neste trabalho, é nosso objetivo avaliar os resultados clínicos do método, o impacto da recidiva no resultado final e identificar parâmetros clínicos e radiográficos relacionados com a recidiva. Materiais e Métodos: Avaliámos 61 pés botos em 42 crianças, tratadas com o método de Ponseti. Os parâmetros clínicos avaliados foram: classificação de Pirani e grau de dorsiflexão. No estudo radiográfico, realizado em média aos 35 meses, avaliámos na incidência ântero-posterior, os ângulos talo-calcaneano e talo-1ºmetatarso, e na incidência lateral, o ângulo tibio-calcaneano e a inclinação do calcâneo. Os resultados finais foram classificados em “bons”, “satisfatórios” e “maus” de acordo com a necessidade de cirurgia ou não. Os dados foram tratados numa tabela de Excel e utilizou-se o programa SPSS-26 para a análise estatística, realizando-se testes t-student e regressões logísticas com nível de significância de 95%. Resultados: O seguimento médio das crianças foi de 147,1 meses (mín. 71; máx. 203). A avaliação de Pirani final foi 0.5, com dorsiflexão média final de 12, 31º. A taxa de recidiva foi de 36%, não tendo comprometido os resultados finais, com 67,2% de bons resultados e 32,8% de resultados satisfatórios. Encontrámos correlação significativa com a recidiva para as varáveis: classificação de Pirani inicial e no primeiro ano, grau de dorsiflexão aos três anos, ângulo TC (AP), ângulo T1Met (Lat) e índice TC, tendo o ângulo TC (AP) o maior valor preditivo (p=0,015, odds-ratio 0,876). Discussão: O método de Ponseti é fiável, reprodutível e proporciona bons resultados clínicos. A cirurgia extra-articular em caso de recidiva, não parece comprometer os resultados clínicos, podendo ser considerada como parte do tratamento em determinados pés. Um ângulo talo-calcaneano na incidência antero-posterior aos três anos de idade, inferior a 20º, correlaciona-se com recidiva. |
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