Publicação
Terapêutica biológica com antiTNF-α na doença de Crohn : efeito sobre o metabolismo ósseo
| Resumo: | A doença de Crohn (DC) tem sido associada a diminuição da densidade mineral óssea (DMO) e aumento do risco de fractura, com 22 a 55% dos doentes a apresentarem osteopenia e 3 a 6% osteoporose. O TNF-α, activador da osteoclatogénese, está aumentado na DC, colocando-se a hipótese desta citocina inflamatória representar uma via patológica comum à inflamação intestinal e às alterações ósseas na DC. O objectivo desta revisão é verificar se os antagonistas do TNF-α, eficazes na indução e manutenção da remissão da DC, têm um efeito positivo sobre o metabolismo ósseo. De facto, tem sido constatada uma melhoria significativa dos marcadores de formação óssea (b-ALP, OC, P1NP), com diminuição dos marcadores de reabsorção óssea (sNTx, bCL). A melhoria dos marcadores de formação óssea e da DMO por antagonistas do TNF-α parece ser independente da corticoterapia e da resposta terapêutica na DC de comportamento inflamatório, mas dependente da resposta terapêutica na DC fistulizante. A OPG, produzida pelos osteoblastos, está aumentada nos indivíduos com DC, reflectindo provavelmente um mecanismo contra-regulatório de protecção à perda acelerada de massa óssea. Após infliximab e adalimumab, os níveis de OPG diminuíram paralelamente ao aumento da formação óssea e da DMO. Estudos in vitro mostraram um efeito directo do adalimumab nos osteoblastos, com estímulo à síntese de b-ALP, marcador de diferenciação precoce dos osteoblastos. Isto sugere que a terapêutica com antagonistas do TNF-α tem um efeito directo nos osteoblastos humanos in vitro e que o aumento dos marcadores de formação óssea identificados in vivo são provavelmente o reflexo deste efeito benéfico. Para concluir, apesar da evidência disponível na literatura apontar para um efeito benéfico dos antiTNF-α na remodelagem óssea e na DMO, há pouca evidência disponível que sustente a redução do risco de fractura com estes agentes, sendo necessários estudos adicionais. |
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| Autores principais: | Ramos, Mariana Rocha Morato Silveira |
| Assunto: | Doença de Crohn Antagonistas TNF-α Osteoblastos Marcadores de remodelagem óssea Densidade mineral óssea Terapêutica biológica |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A doença de Crohn (DC) tem sido associada a diminuição da densidade mineral óssea (DMO) e aumento do risco de fractura, com 22 a 55% dos doentes a apresentarem osteopenia e 3 a 6% osteoporose. O TNF-α, activador da osteoclatogénese, está aumentado na DC, colocando-se a hipótese desta citocina inflamatória representar uma via patológica comum à inflamação intestinal e às alterações ósseas na DC. O objectivo desta revisão é verificar se os antagonistas do TNF-α, eficazes na indução e manutenção da remissão da DC, têm um efeito positivo sobre o metabolismo ósseo. De facto, tem sido constatada uma melhoria significativa dos marcadores de formação óssea (b-ALP, OC, P1NP), com diminuição dos marcadores de reabsorção óssea (sNTx, bCL). A melhoria dos marcadores de formação óssea e da DMO por antagonistas do TNF-α parece ser independente da corticoterapia e da resposta terapêutica na DC de comportamento inflamatório, mas dependente da resposta terapêutica na DC fistulizante. A OPG, produzida pelos osteoblastos, está aumentada nos indivíduos com DC, reflectindo provavelmente um mecanismo contra-regulatório de protecção à perda acelerada de massa óssea. Após infliximab e adalimumab, os níveis de OPG diminuíram paralelamente ao aumento da formação óssea e da DMO. Estudos in vitro mostraram um efeito directo do adalimumab nos osteoblastos, com estímulo à síntese de b-ALP, marcador de diferenciação precoce dos osteoblastos. Isto sugere que a terapêutica com antagonistas do TNF-α tem um efeito directo nos osteoblastos humanos in vitro e que o aumento dos marcadores de formação óssea identificados in vivo são provavelmente o reflexo deste efeito benéfico. Para concluir, apesar da evidência disponível na literatura apontar para um efeito benéfico dos antiTNF-α na remodelagem óssea e na DMO, há pouca evidência disponível que sustente a redução do risco de fractura com estes agentes, sendo necessários estudos adicionais. |
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