Publicação
O Cobre nas doenças de Wilson e Menkes
| Resumo: | O cobre é um elemento de transição essencial para o organismo humano. É importante, nomeadamente, para o desenvolvimento neurológico já que existem enzimas envolvidas neste processo cuja atividade depende do cobre. Assim, disfunções genéticas do metabolismo deste elemento provocam níveis séricos de cobre anormais, resultando em graves consequências para o indivíduo. A proteína ATP7A é responsável pela absorção intestinal do cobre ingerido na dieta, que depois é transportado até ao fígado. Aí, o cobre pode, por exemplo, ser armazenado numa forma não tóxica ou ser excretado. O processo de excreção biliar do cobre é regulado pela proteína ATP7B. Assim, mutações nos genes que codificam as proteínas ATP7A e ATP7B causam disfunções na homeostasia do cobre. A sub-expressão de ATP7B provoca reduzidos níveis séricos de cobre e ceruloplasmina e uma acumulação de cobre intracelular na forma livre, o que provoca lesões celulares em vários tecidos – principalmente no fígado e no cérebro (doença de Wilson). Já mutações no gene ATP7A diminuem a atividade das enzimas dependentes do cobre uma vez que este elemento não é absorvido, verificando-se reduzidos níveis séricos de cobre e ceruloplasmina e, consequentemente, um atraso no desenvolvimento cerebral do indivíduo (doença de Menkes). A terapêutica da doença de Wilson consiste na administração de agentes complexantes do catião cobre (D-penicilamina, trietilenotetramina e tetratiomolibdato) e/ou sais de zinco. Contudo, apresentam graves efeitos secundários e algumas manifestações podem mesmo ser agravadas, pelo que a terapêutica não é segura. O tratamento da doença de Menkes baseia-se na administração de cobre por via subcutânea. Contudo, não é eficaz porque mesmo com níveis séricos de cobre normais, este elemento é incapaz de atravessar a barreira hematoencefálica (porque a ATP7A não é expressa), não se conseguindo evitar o atraso no desenvolvimento cerebral do doente. Assim, é necessário procurar novos agentes terapêuticos e assegurar o diagnóstico precoce destas doenças. |
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| Autores principais: | Assunção, Ana Catarina Ferreira |
| Assunto: | Cobre Ceruloplasmina Doença de Wilson Doença de Menkes Agentes quelantes Mestrado Integrado - 2016 |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O cobre é um elemento de transição essencial para o organismo humano. É importante, nomeadamente, para o desenvolvimento neurológico já que existem enzimas envolvidas neste processo cuja atividade depende do cobre. Assim, disfunções genéticas do metabolismo deste elemento provocam níveis séricos de cobre anormais, resultando em graves consequências para o indivíduo. A proteína ATP7A é responsável pela absorção intestinal do cobre ingerido na dieta, que depois é transportado até ao fígado. Aí, o cobre pode, por exemplo, ser armazenado numa forma não tóxica ou ser excretado. O processo de excreção biliar do cobre é regulado pela proteína ATP7B. Assim, mutações nos genes que codificam as proteínas ATP7A e ATP7B causam disfunções na homeostasia do cobre. A sub-expressão de ATP7B provoca reduzidos níveis séricos de cobre e ceruloplasmina e uma acumulação de cobre intracelular na forma livre, o que provoca lesões celulares em vários tecidos – principalmente no fígado e no cérebro (doença de Wilson). Já mutações no gene ATP7A diminuem a atividade das enzimas dependentes do cobre uma vez que este elemento não é absorvido, verificando-se reduzidos níveis séricos de cobre e ceruloplasmina e, consequentemente, um atraso no desenvolvimento cerebral do indivíduo (doença de Menkes). A terapêutica da doença de Wilson consiste na administração de agentes complexantes do catião cobre (D-penicilamina, trietilenotetramina e tetratiomolibdato) e/ou sais de zinco. Contudo, apresentam graves efeitos secundários e algumas manifestações podem mesmo ser agravadas, pelo que a terapêutica não é segura. O tratamento da doença de Menkes baseia-se na administração de cobre por via subcutânea. Contudo, não é eficaz porque mesmo com níveis séricos de cobre normais, este elemento é incapaz de atravessar a barreira hematoencefálica (porque a ATP7A não é expressa), não se conseguindo evitar o atraso no desenvolvimento cerebral do doente. Assim, é necessário procurar novos agentes terapêuticos e assegurar o diagnóstico precoce destas doenças. |
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