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Piómetra na cadela e na gata : caracterização dos perfis de virulência de isolados de Escherichia coli e sua relação com o tipo de piómetra

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A piómetra é a doença do foro reprodutivo mais importante em cadelas e gatas intactas, sendo Escherichia coli (E. coli) pertencente ao grupo filogenético B2 a bactéria gram-negativa mais frequentemente isolada em casos de piómetra. A patogenicidade dos isolados de E. coli de piómetra está associada à presença de fatores de virulência (FVs), sendo alguns deles codificados em ilhas de patogenicidade (PAIs). No que se refere à classificação histopatológica do útero, a piómetra na gata e na cadela apresenta diferenças significativas. Desta forma, este estudo teve como principal objetivo comparar os perfis de virulência de estirpes de E. coli isoladas de gata e de cadela que desenvolveram piómetra, de forma a esclarecer as diferenças na histopatologia observadas entre os úteros de ambas as espécies. Para tal, foi avaliada a presença de 19 genes que codificam para FVs e 8 marcadores de PAIs, em 20 isolados de E. coli de piómetra de gata e 34 isolados de piómetra de cadela, através de reações de polimerase em cadeia (PCR). Foi ainda testada a presença de isolados de E. coli da linhagem O25b-ST131, multirresistentes a antibióticos. Neste estudo, confirmou-se que o grupo filogenético B2 é o mais prevalente nos isolados de E. coli de piómetra, sendo que 100% dos isolados de gata e 85% dos isolados de cadela pertenceram a este grupo filogenético. As PAIs IIJ96 e I536 (p<0,01), que codificam para a α-hemolisina, os genes hlyA e cnf1 (p<0,001); usp, papGIII e KpsMT-II (p<0,01) e sfa/focDE (p<0,05), são significativamente mais prevalentes nos isolados de E. coli de gata. Verificou-se ainda que os isolados de gata albergam mais marcadores de PAIs( 90% vs. 44%), toxinas (90% vs. 47%) e adesinas (80% vs. 41%),quando comparado com os isolados de piómetra de cadela. Relativamente à classificação histopatológica, a piómetra atrófica foi significativamente mais prevalente na gata (n=16; p<0,01) e a piómetra hiperplásica mais prevalente na cadela (n=14; p<0,01). Além disso, verificou-se que as piómetras atróficas na gata estão significativamente mais associadas a isolados com fenótipo hemolítico, quando comparadas com as piómetras atróficas na cadela (p< 0,001). Quanto à presença de isolados que pertencem ao grupo clonal pandémico ST131- O25b, apenas 2 dos isolados em análise, um de gata e um de cadela, pertencem a esta linhagem. Em conclusão, a α-hemolisina parece ser um dos FVs associados à maior prevalência de piómetras atróficas em gata. Porém, estas diferenças podem estar também relacionadas com fatores específicos do hospedeiro.
Autores principais:Silva, Daniela Sofia Domingos da
Assunto:Piómetra Cadela Gata Escherichia coli Perfil de virulência Pyometra Bitch Queen Escherichia coli Virulence Profile
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A piómetra é a doença do foro reprodutivo mais importante em cadelas e gatas intactas, sendo Escherichia coli (E. coli) pertencente ao grupo filogenético B2 a bactéria gram-negativa mais frequentemente isolada em casos de piómetra. A patogenicidade dos isolados de E. coli de piómetra está associada à presença de fatores de virulência (FVs), sendo alguns deles codificados em ilhas de patogenicidade (PAIs). No que se refere à classificação histopatológica do útero, a piómetra na gata e na cadela apresenta diferenças significativas. Desta forma, este estudo teve como principal objetivo comparar os perfis de virulência de estirpes de E. coli isoladas de gata e de cadela que desenvolveram piómetra, de forma a esclarecer as diferenças na histopatologia observadas entre os úteros de ambas as espécies. Para tal, foi avaliada a presença de 19 genes que codificam para FVs e 8 marcadores de PAIs, em 20 isolados de E. coli de piómetra de gata e 34 isolados de piómetra de cadela, através de reações de polimerase em cadeia (PCR). Foi ainda testada a presença de isolados de E. coli da linhagem O25b-ST131, multirresistentes a antibióticos. Neste estudo, confirmou-se que o grupo filogenético B2 é o mais prevalente nos isolados de E. coli de piómetra, sendo que 100% dos isolados de gata e 85% dos isolados de cadela pertenceram a este grupo filogenético. As PAIs IIJ96 e I536 (p<0,01), que codificam para a α-hemolisina, os genes hlyA e cnf1 (p<0,001); usp, papGIII e KpsMT-II (p<0,01) e sfa/focDE (p<0,05), são significativamente mais prevalentes nos isolados de E. coli de gata. Verificou-se ainda que os isolados de gata albergam mais marcadores de PAIs( 90% vs. 44%), toxinas (90% vs. 47%) e adesinas (80% vs. 41%),quando comparado com os isolados de piómetra de cadela. Relativamente à classificação histopatológica, a piómetra atrófica foi significativamente mais prevalente na gata (n=16; p<0,01) e a piómetra hiperplásica mais prevalente na cadela (n=14; p<0,01). Além disso, verificou-se que as piómetras atróficas na gata estão significativamente mais associadas a isolados com fenótipo hemolítico, quando comparadas com as piómetras atróficas na cadela (p< 0,001). Quanto à presença de isolados que pertencem ao grupo clonal pandémico ST131- O25b, apenas 2 dos isolados em análise, um de gata e um de cadela, pertencem a esta linhagem. Em conclusão, a α-hemolisina parece ser um dos FVs associados à maior prevalência de piómetras atróficas em gata. Porém, estas diferenças podem estar também relacionadas com fatores específicos do hospedeiro.