Publicação
O idoso com incontinência urinária : a construção do processo de autocuidado
| Resumo: | Vivemos mais anos, é um facto, no entanto coexistem situações de doença que afetam o bemestar, sendo necessário mobilizar estratégias para fazer face aos desafios a que esta situação conduz. A incontinência urinária pelo seu carácter multidimensional, poderá constituir-se uma ameaça ao envelhecimento ativo, sendo ao mesmo tempo um repto à mobilização de recursos promotores da criação de ambientes à promoção do autocuidado. Os enfermeiros através da abordagem holística desempenham um papel significativo nesta intervenção, pelo que quisemos compreender como era construído pelos enfermeiros e idosos com incontinência urinária, em contexto de convalescença, o processo de autocuidado, como entidade integradora de culturas dos atores e dos contextos de cuidado. Para a compreensão de uma cultura de cuidados, articulada multidisciplinarmente e assente num modelo organizacional recente como é o caso da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, ancorámos o estudo a uma metodologia qualitativa e a uma abordagem etnográfica, recorrendo à observação participante, entrevista e análise documental. Os dados foram analisados mobilizando a perspetiva de observação, participação e reflexão, da qual emergiram os domínios culturais. Os resultados ilustraram um processo complexo de construção do autocuidado, ancorado num horizonte temporal onde os atores eram condicionados e condicionadores do processo. A teia de significados subjacente à incontinência urinária constituía desde o acolhimento, o primeiro desafio ao encontro de culturas, regulando os modos ação. Os cuidados eram construídos integrando objetos onde a fralda ocupava um lugar de destaque, atividades, dificuldades e estratégias envolvendo a equipa multidisciplinar. O enfermeiro, ator chave neste processo, mediava as interações integrando culturas individuais e organizacionais. A evolução do idoso no processo de reabilitação influenciava a alta, e embora a incontinência urinária não tenha sido considerada por si só, condicionadora do regresso a casa, uma maior dependência funcional conduzia à referenciação para outras unidades de internamento. |
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| Autores principais: | Arco, Helena |
| Assunto: | Idoso Incontinência urinária Autocuidado Enfermeiro Multidisciplinaridade |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Vivemos mais anos, é um facto, no entanto coexistem situações de doença que afetam o bemestar, sendo necessário mobilizar estratégias para fazer face aos desafios a que esta situação conduz. A incontinência urinária pelo seu carácter multidimensional, poderá constituir-se uma ameaça ao envelhecimento ativo, sendo ao mesmo tempo um repto à mobilização de recursos promotores da criação de ambientes à promoção do autocuidado. Os enfermeiros através da abordagem holística desempenham um papel significativo nesta intervenção, pelo que quisemos compreender como era construído pelos enfermeiros e idosos com incontinência urinária, em contexto de convalescença, o processo de autocuidado, como entidade integradora de culturas dos atores e dos contextos de cuidado. Para a compreensão de uma cultura de cuidados, articulada multidisciplinarmente e assente num modelo organizacional recente como é o caso da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, ancorámos o estudo a uma metodologia qualitativa e a uma abordagem etnográfica, recorrendo à observação participante, entrevista e análise documental. Os dados foram analisados mobilizando a perspetiva de observação, participação e reflexão, da qual emergiram os domínios culturais. Os resultados ilustraram um processo complexo de construção do autocuidado, ancorado num horizonte temporal onde os atores eram condicionados e condicionadores do processo. A teia de significados subjacente à incontinência urinária constituía desde o acolhimento, o primeiro desafio ao encontro de culturas, regulando os modos ação. Os cuidados eram construídos integrando objetos onde a fralda ocupava um lugar de destaque, atividades, dificuldades e estratégias envolvendo a equipa multidisciplinar. O enfermeiro, ator chave neste processo, mediava as interações integrando culturas individuais e organizacionais. A evolução do idoso no processo de reabilitação influenciava a alta, e embora a incontinência urinária não tenha sido considerada por si só, condicionadora do regresso a casa, uma maior dependência funcional conduzia à referenciação para outras unidades de internamento. |
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