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A Casa Ganha Sempre: uma etnografia sobre o trabalho nos casinos em Portugal

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Resumo:Esta investigação etnográfica procura analisar o universo social e laboral dos casinos em Portugal, debruçando-se, em particular, sobre três principais objectivos: a análise das relações estruturais entre capital, Estado e trabalho, bem como das interacções quotidianas entre trabalhadores, chefias e restantes estruturas organizacionais; a investigação das relações entre trabalhadores e jogadores; e a averiguação das relações entre trabalhadores de diferentes categorias profissionais. Neste sentido, foram aplicadas as seguintes técnicas de investigação: em primeiro lugar, realizei observação participante em três momentos distintos, tendo participado como jogador, trabalhador e aluno no universo social e laboral de dois casinos em Portugal; de seguida, apliquei 46 entrevistas semi-estruturadas a diversos profissionais da indústria do jogo nacional; por fim, realizei uma pesquisa documental relativa à história do movimento sindical no sector do jogo. Articulando Marx, Weber e Bourdieu, esta tese trata o universo laboral dos casinos como um “campo social”, isto é, como um espaço dinamizado por agentes hierarquicamente posicionados que competem entre si pela apropriação dos diferentes tipos de capital (económico, social, cultural e simbólico) e, consequentemente, pela imposição do “sentido de jogo” e dos “habitus” sociais mais ajustados aos seus interesses particulares. Os trabalhadores deste sector, apesar de ocuparem uma posição de subordinação estrutural no confronto com o Estado e o capital, incorporam o “sentido de jogo” e os “habitus” sociais de um universo historicamente caracterizado pelo privilégio. A “localização contraditória de classe” dos trabalhadores dos casinos, ou seja, a sua constituição como agentes dominados num “campo social” dominante contribui, decisivamente, para a reprodução das relações assimétricas entre capital e trabalho. As práticas de “oclusão social” que permeiam o universo laboral dos casinos e que visam a salvaguarda de relativos privilégios ocupacionais contra outras fracções da classe trabalhadora, permitem construir a dignidade na subordinação, mas apenas à custa de potenciais projectos emancipatórios.
Autores principais:Gomes, João André Nicolau
Assunto:Antropologia; Etnografia; Casinos; Trabalho; Classes Sociais.
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta investigação etnográfica procura analisar o universo social e laboral dos casinos em Portugal, debruçando-se, em particular, sobre três principais objectivos: a análise das relações estruturais entre capital, Estado e trabalho, bem como das interacções quotidianas entre trabalhadores, chefias e restantes estruturas organizacionais; a investigação das relações entre trabalhadores e jogadores; e a averiguação das relações entre trabalhadores de diferentes categorias profissionais. Neste sentido, foram aplicadas as seguintes técnicas de investigação: em primeiro lugar, realizei observação participante em três momentos distintos, tendo participado como jogador, trabalhador e aluno no universo social e laboral de dois casinos em Portugal; de seguida, apliquei 46 entrevistas semi-estruturadas a diversos profissionais da indústria do jogo nacional; por fim, realizei uma pesquisa documental relativa à história do movimento sindical no sector do jogo. Articulando Marx, Weber e Bourdieu, esta tese trata o universo laboral dos casinos como um “campo social”, isto é, como um espaço dinamizado por agentes hierarquicamente posicionados que competem entre si pela apropriação dos diferentes tipos de capital (económico, social, cultural e simbólico) e, consequentemente, pela imposição do “sentido de jogo” e dos “habitus” sociais mais ajustados aos seus interesses particulares. Os trabalhadores deste sector, apesar de ocuparem uma posição de subordinação estrutural no confronto com o Estado e o capital, incorporam o “sentido de jogo” e os “habitus” sociais de um universo historicamente caracterizado pelo privilégio. A “localização contraditória de classe” dos trabalhadores dos casinos, ou seja, a sua constituição como agentes dominados num “campo social” dominante contribui, decisivamente, para a reprodução das relações assimétricas entre capital e trabalho. As práticas de “oclusão social” que permeiam o universo laboral dos casinos e que visam a salvaguarda de relativos privilégios ocupacionais contra outras fracções da classe trabalhadora, permitem construir a dignidade na subordinação, mas apenas à custa de potenciais projectos emancipatórios.