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Afirmação e interrogação de um professor

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Resumo:Nesta dissertação, faz-se o estudo da história de vida de um homem que é professor no ensino secundário, incidindo principalmente nas narrativas por ele escritas no contexto de uma interacção, orientada pelo método autobiográfico tal como o caracterizam autores como Ferrarotti e Pineau, e visando a compreensão do desenvolvimento pessoal e profissional de alguém que, ao longo de mais de quarenta anos, manteve uma relação muito estreita e significativa com a escola e a problemática da educação. Estudando as relações entre esse desenvolvimento e as transformações porque passaram as instituições educativas e as finalidades definidas para a educação no contexto das transformações sociais em geral, compreende-se como são vividos por essa pessoa o impasse político-social resultante da longa ditadura salazarista, as profundas transformações sociais nas sociedades europeias na segunda metade do século XX e a crise de valores civilizacionais que lhe está associada, compreende-se a dinâmica de realização intelectual de um camponês que quis fazer um curso de letras, conseguiu fazê-lo no contexto de uma política social educativa de alargamento mitigado das elites, se tomou professor no contexto de mobilização educacional, e se descobre preso à escola num momento histórico em que esta instituição educativa perdeu o elan emancipador e os professores, especialmente os do ensino secundário, se sentem desclassificados no seu estatuto social, e no estatuto intelectual em particular. São postos em evidência os reflexos que essa crise e transformações tiveram e estão tendo na escola e é problematizado o papel que a educação, entendida no seu sentido antropológico mais abrangente, tem e pode ter na maneira como indivíduos, comunidades e a sociedade em geral podem enfrentar essa crise. Nesse contexto e através das experiências e posicionamentos deste homem, é problematizado o estatuto intelectual dos professores. Esse problema é mesmo determinante da metodologia escolhida. Por um lado, a abordagem autobiográfica proporciona ao sujeito o controlo das problemáticas, por outro, ao totalizar a sua época permite desocultar alguns aspectos da condição do professor, as possibilidades, os constrangimentos e os limites da afirmação que resultam do seu estatuto social e intelectual, da sua noz- Para isso são mobilizados, além dos esquemas interpretativos constituídos na experiência dos dois professores envolvidos, esquemas interpretativos constituídos nos domínios da filosofia, sobretudo a antropologia filosófica, da literatura e das ciências sociais, com destaque para os que se relacionam com termos como: autoformação e heteronomia, classificação e campo de lutas sociais, objectivação e reificação. pertença e identidade, campo dos possíveis e projecto, mediação pelos papéis sociais e totalização aberta e imperfeita na refiguração narrativa.
Autores principais:Filipe, José Manuel Cravo Pombeiro, 1951-
Assunto:Narrativas Histórias de vida Professor Interacção Teses de mestrado - 1999
Ano:1999
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Nesta dissertação, faz-se o estudo da história de vida de um homem que é professor no ensino secundário, incidindo principalmente nas narrativas por ele escritas no contexto de uma interacção, orientada pelo método autobiográfico tal como o caracterizam autores como Ferrarotti e Pineau, e visando a compreensão do desenvolvimento pessoal e profissional de alguém que, ao longo de mais de quarenta anos, manteve uma relação muito estreita e significativa com a escola e a problemática da educação. Estudando as relações entre esse desenvolvimento e as transformações porque passaram as instituições educativas e as finalidades definidas para a educação no contexto das transformações sociais em geral, compreende-se como são vividos por essa pessoa o impasse político-social resultante da longa ditadura salazarista, as profundas transformações sociais nas sociedades europeias na segunda metade do século XX e a crise de valores civilizacionais que lhe está associada, compreende-se a dinâmica de realização intelectual de um camponês que quis fazer um curso de letras, conseguiu fazê-lo no contexto de uma política social educativa de alargamento mitigado das elites, se tomou professor no contexto de mobilização educacional, e se descobre preso à escola num momento histórico em que esta instituição educativa perdeu o elan emancipador e os professores, especialmente os do ensino secundário, se sentem desclassificados no seu estatuto social, e no estatuto intelectual em particular. São postos em evidência os reflexos que essa crise e transformações tiveram e estão tendo na escola e é problematizado o papel que a educação, entendida no seu sentido antropológico mais abrangente, tem e pode ter na maneira como indivíduos, comunidades e a sociedade em geral podem enfrentar essa crise. Nesse contexto e através das experiências e posicionamentos deste homem, é problematizado o estatuto intelectual dos professores. Esse problema é mesmo determinante da metodologia escolhida. Por um lado, a abordagem autobiográfica proporciona ao sujeito o controlo das problemáticas, por outro, ao totalizar a sua época permite desocultar alguns aspectos da condição do professor, as possibilidades, os constrangimentos e os limites da afirmação que resultam do seu estatuto social e intelectual, da sua noz- Para isso são mobilizados, além dos esquemas interpretativos constituídos na experiência dos dois professores envolvidos, esquemas interpretativos constituídos nos domínios da filosofia, sobretudo a antropologia filosófica, da literatura e das ciências sociais, com destaque para os que se relacionam com termos como: autoformação e heteronomia, classificação e campo de lutas sociais, objectivação e reificação. pertença e identidade, campo dos possíveis e projecto, mediação pelos papéis sociais e totalização aberta e imperfeita na refiguração narrativa.