Publicação
Caracterização petrográfica, mineralógica e geoquímica do padrão de alteração hidrotermal a muro das massas dos sulfuretos maciços do Lousal, faixa piritosa Ibérica
| Resumo: | A mina de sulfuretos maciços polimetálicos do Lousal situa-se na região NW da Faixa Piritosa Ibérica, ocorre num alinhamento de rochas aflorantes do Complexo Vulcano-Sedimentar (CVS) e é delimitada a N, E e S pelos sedimentos da Bacia Terciária do Sado e, a W, por turbiditos da Formação de Mértola (GFBA). No Lousal foram definidos dois domínios onde ocorrem mineralizações de sulfuretos maciços, ocorrendo ambos no flanco SW de uma estrutura anticlinal principal. As massas de sulfuretos são em geral lenticulares, com possanças muito variáveis, ocorrendo encaixadas concordantemente com as rochas alteradas/mineralizadas de muro. A ocorrência dos sulfuretos é caracterizada por um estilo de mineralização predominantemente hospedada em xistos negros com pirite disseminada. A mineralogia sulfuretada é fortemente dominada por pirite, com proporções muito acessórias de calcopirite, esfalerite, galena, arsenopirite e estanite. O objectivo deste trabalho é a caracterização petrográfica, mineralógica e geoquímica das rochas a muro das massas de sulfuretos maciços no Lousal, com vista a definir as diferentes zonas de alteração associadas a este sistema hidrotermal. O trabalho teve como base o estudo e amostragem de duas sondagens e respectivos perfis de implantação, efectuados e disponibilizados pela Empresa Pirites Alentejanas, S.A., bem como a cartografia e logs efectuados por Matos et al., (in prep.). A integração desta informação permitiu a reconstituição esquemática da sucessão encaixante da mineralização num quadro pré-deformacional, circunstância que permitiu situar a zonalidade temporal e espacial da alteração hidrotermal mineralizante num quadro de interpretação metalogenética. Para além de um estudo petrográfico detalhado das paragéneses secundárias e das relações texturais observadas, esta investigação inclui dados significativos de química mineral, relativos a clorites, sericites, feldspatos e diferentes gerações de carbonatos, e análises representativas de geoquímica de rocha total, obtidas em vinte amostras para um pacote extenso de elementos maiores e em traço. As amostras estudadas são na sua maioria rochas vulcânicas ácidas e, em menor proporção, rochas pertencentes ao Grupo Filito-Quartzítico e rochas vulcânicas básicas. A alteração expressa nas amostras varia de intensidade e apresenta diferentes expressões consoante a litologia afectada. No Lousal foram definidas três zonas de alteração com base nas suas características texturais, mineralógicas e geoquímicas em ordem a um perfil de afastamento relativamente ao eixo do sistema hidrotermal mineralizante. Os trabalhos efectuados por Barriga (1983) e Relvas (1991) em Feitais e Gavião, respectivamente, e por Relvas (2000) em Neves Corvo, foram tidos como referência para este trabalho pois constituem bons exemplos de estudos na Faixa Piritosa Ibérica, dirigidos à compreensão e caracterização do padrão de alteração hidrotermal associado a este tipo de mineralizações. A zona 1 corresponde à zona nuclear do sistema hidrotermal, sendo a alteração pervasiva e destrutiva em relação às características originais das rochas. Esta zona é caracterizada por uma lixiviação intensa dos álcalis e um aumento dos conteúdos em Fe2O3 e MgO. Nesta zona, as relíquias de rocha original são relativamente pouco abundantes, podendo a substituição ser total, dando lugar à formação de clorititos. A paragénese de alteração é constituída por clorite + quartzo ± sericite + carbonatos + sulfuretos. Os sulfuretos são abundantes. A zona 2a situa-se perifericamente à zona 1 e é também caracterizada por uma alteração intensa. No entanto, nesta zona, predomina a alteração sericitica relativamente à clorítica. A sericite é potássica e apresenta quantidades significativas de Ba; os conteúdos em Fe2O3 e MgO na rocha total são ainda relativamente elevados, devido à presença de clorite. Esta zona caracteriza-se por uma intensa sericitização, sulfuretização e alguma silicificação. A paragénese mineralógica é constituída por sericite + clorite + quartzo ± carbonatos + sulfuretos. A zona 2b consiste no halo de alteração mais periférico da secção estudada na sequência de muro das mineralizações do Lousal, apresentando-se enriquecida em Na2O relativamente às restantes zonas de alteração. Este sódio é justificado pelo aumento da molécula paragonítica na sericite e pela albitização dos feldspatos ígneos preservados. O facto de a alteração ser um pouco menos intensa, permitiu a preservação de algumas características mineralógicas e texturais da rocha original. A paragénese de alteração desta zona é constituída por sericite + quartzo + carbonatos + sulfuretos ± clorite ± epídoto. Durante o episódio mineralizante, verifica-se lixiviação dos álcalis e aumento de Fe2O3 e MgO na zona central do sistema hidrotermal. As zonas periféricas são caracterizadas pela fixação dos álcalis, K e Na, nas zonas 2a e 2b, respectivamente. O padrão e assinaturas geoquímicas da alteração hidrotermal associada à formação das mineralizações do Lousal, aliados às características mineralógicas e químicas dos seus minérios, indicam que este jazigo é, no que se refere à fonte dos seus metais e à origem dos fluidos mineralizantes, um jazigo típico da Faixa Piritosa Ibérica. Embora limitados, os dados disponíveis para as mineralizações do Lousal, são consistentes com um ambiente genético de deposição do tipo Brine Pool, semelhante ao proposto para o jazigo de Tharsis. |
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| Autores principais: | Fernandes, Ana Sofia Correia |
| Assunto: | Geologia económica Teses de mestrado - 2011 |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A mina de sulfuretos maciços polimetálicos do Lousal situa-se na região NW da Faixa Piritosa Ibérica, ocorre num alinhamento de rochas aflorantes do Complexo Vulcano-Sedimentar (CVS) e é delimitada a N, E e S pelos sedimentos da Bacia Terciária do Sado e, a W, por turbiditos da Formação de Mértola (GFBA). No Lousal foram definidos dois domínios onde ocorrem mineralizações de sulfuretos maciços, ocorrendo ambos no flanco SW de uma estrutura anticlinal principal. As massas de sulfuretos são em geral lenticulares, com possanças muito variáveis, ocorrendo encaixadas concordantemente com as rochas alteradas/mineralizadas de muro. A ocorrência dos sulfuretos é caracterizada por um estilo de mineralização predominantemente hospedada em xistos negros com pirite disseminada. A mineralogia sulfuretada é fortemente dominada por pirite, com proporções muito acessórias de calcopirite, esfalerite, galena, arsenopirite e estanite. O objectivo deste trabalho é a caracterização petrográfica, mineralógica e geoquímica das rochas a muro das massas de sulfuretos maciços no Lousal, com vista a definir as diferentes zonas de alteração associadas a este sistema hidrotermal. O trabalho teve como base o estudo e amostragem de duas sondagens e respectivos perfis de implantação, efectuados e disponibilizados pela Empresa Pirites Alentejanas, S.A., bem como a cartografia e logs efectuados por Matos et al., (in prep.). A integração desta informação permitiu a reconstituição esquemática da sucessão encaixante da mineralização num quadro pré-deformacional, circunstância que permitiu situar a zonalidade temporal e espacial da alteração hidrotermal mineralizante num quadro de interpretação metalogenética. Para além de um estudo petrográfico detalhado das paragéneses secundárias e das relações texturais observadas, esta investigação inclui dados significativos de química mineral, relativos a clorites, sericites, feldspatos e diferentes gerações de carbonatos, e análises representativas de geoquímica de rocha total, obtidas em vinte amostras para um pacote extenso de elementos maiores e em traço. As amostras estudadas são na sua maioria rochas vulcânicas ácidas e, em menor proporção, rochas pertencentes ao Grupo Filito-Quartzítico e rochas vulcânicas básicas. A alteração expressa nas amostras varia de intensidade e apresenta diferentes expressões consoante a litologia afectada. No Lousal foram definidas três zonas de alteração com base nas suas características texturais, mineralógicas e geoquímicas em ordem a um perfil de afastamento relativamente ao eixo do sistema hidrotermal mineralizante. Os trabalhos efectuados por Barriga (1983) e Relvas (1991) em Feitais e Gavião, respectivamente, e por Relvas (2000) em Neves Corvo, foram tidos como referência para este trabalho pois constituem bons exemplos de estudos na Faixa Piritosa Ibérica, dirigidos à compreensão e caracterização do padrão de alteração hidrotermal associado a este tipo de mineralizações. A zona 1 corresponde à zona nuclear do sistema hidrotermal, sendo a alteração pervasiva e destrutiva em relação às características originais das rochas. Esta zona é caracterizada por uma lixiviação intensa dos álcalis e um aumento dos conteúdos em Fe2O3 e MgO. Nesta zona, as relíquias de rocha original são relativamente pouco abundantes, podendo a substituição ser total, dando lugar à formação de clorititos. A paragénese de alteração é constituída por clorite + quartzo ± sericite + carbonatos + sulfuretos. Os sulfuretos são abundantes. A zona 2a situa-se perifericamente à zona 1 e é também caracterizada por uma alteração intensa. No entanto, nesta zona, predomina a alteração sericitica relativamente à clorítica. A sericite é potássica e apresenta quantidades significativas de Ba; os conteúdos em Fe2O3 e MgO na rocha total são ainda relativamente elevados, devido à presença de clorite. Esta zona caracteriza-se por uma intensa sericitização, sulfuretização e alguma silicificação. A paragénese mineralógica é constituída por sericite + clorite + quartzo ± carbonatos + sulfuretos. A zona 2b consiste no halo de alteração mais periférico da secção estudada na sequência de muro das mineralizações do Lousal, apresentando-se enriquecida em Na2O relativamente às restantes zonas de alteração. Este sódio é justificado pelo aumento da molécula paragonítica na sericite e pela albitização dos feldspatos ígneos preservados. O facto de a alteração ser um pouco menos intensa, permitiu a preservação de algumas características mineralógicas e texturais da rocha original. A paragénese de alteração desta zona é constituída por sericite + quartzo + carbonatos + sulfuretos ± clorite ± epídoto. Durante o episódio mineralizante, verifica-se lixiviação dos álcalis e aumento de Fe2O3 e MgO na zona central do sistema hidrotermal. As zonas periféricas são caracterizadas pela fixação dos álcalis, K e Na, nas zonas 2a e 2b, respectivamente. O padrão e assinaturas geoquímicas da alteração hidrotermal associada à formação das mineralizações do Lousal, aliados às características mineralógicas e químicas dos seus minérios, indicam que este jazigo é, no que se refere à fonte dos seus metais e à origem dos fluidos mineralizantes, um jazigo típico da Faixa Piritosa Ibérica. Embora limitados, os dados disponíveis para as mineralizações do Lousal, são consistentes com um ambiente genético de deposição do tipo Brine Pool, semelhante ao proposto para o jazigo de Tharsis. |
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