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O luto e os cuidadores formais : as vivências dos profissionais de saúde numa unidade de cuidados paliativos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A morte, com a evolução sociocultural do último século e o aumento da longevidade dos indivíduos, tornou-se cada vez mais institucionalizada/hospitalizada e escondida da sociedade. Os Profissionais de Saúde (PDS) de Cuidados Paliativos (CP), não só estabelecem uma relação terapêutica estreita para responder às necessidades da díade doente-família, como também experienciam um número anual acrescido de mortes dos seus doentes. Como tal, estão expostos a vários fatores de stress físico, emocional, psicológico e socio-cultural que os faz desenvolver processos de luto adaptados à realidade e que lhes permite lidar com o seu próprio sofrimento. Objetivos: Avaliar as características do luto profissional dos PDS não médicos, enfermeiros e assistentes operacionais (AOP), identificando os factores que o influenciam. Perceber qual a profissão mais predisposta a desenvolver um luto complicado e quais as atitudes dos PDS perante a morte. Métodos: O presente estudo, trata-se de uma investigação do tipo quantitativo, exploratório, descritivo-correlacional, tendo sido estudada uma amostra de conveniência, numa instituição de internamento com uma unidade de CP. Foi usado um Questionário Sócio-Demográfico, profissional e pessoal construído para o estudo e três escalas validadas em português: Escala de Sobrecarga de Luto Profissional (ESLP), Escala de Avaliação do Perfil de Atitudes acerca da Morte (EAPAM) e Escala de Coping com a Morte (ECM). Resultados: Em 173 questionários distribuídos, obteve-se uma taxa de resposta de 57,8%. A amostra final do estudo foi constituída por 83 PDS (42 enfermeiros e 41 AOP), 75,9% dos quais mulheres jovens, 49,4% com formação superior, 56,6% com formação prévia em CP/Luto e com média de experiência em CP de 4,8 anos. Com base nas respostas à ESLP, não se observa sobrecarga de luto profissional nos PDS estudados. Manifestam que esta é uma área emocionalmente exigente, mas que estão “bem resolvidos”. São os AOP que manifestam maior “esforço emocional ao cuidar” e maior “perda nostálgica”, embora não de forma significativa. Das variáveis estudadas, o estado civil, as habilitações académicas e a experiência em CP influenciam o luto profissional dos Enfermeiros e AOP. Já o género, a idade, o número de mortes experienciadas anualmente e o facto de trabalharem “há menos ou há mais de 1 ano” em contacto com a morte, mostraram não ter impacto. Estes PDS apresentam um perfil de aceitação para com a morte (EAPAM) com a maioria a concordar com a afirmação “a morte é um aspecto natural da vida” (6,51). A dimensão “aceitação como escape” foi a que apresentou média mais baixa (3,05), o que demonstra que uma baixa minoria entende a morte como a única saída para o fim do sofrimento. Com base na ECM os PDS estudados apresentam boa capacidade de coping, com a correlação mais elevada na dimensão “Coping com a própria Morte”, demonstram boa capacidade de compreensão, conhecimento e expressividade de emoções. A formação prévia na área do luto não apresentou impacto o luto profissional e/ou as atitudes perante a morte, não alterando o coping com a morte, tanto para os enfermeiros como os AOP. Já a experiência em CP influencia o luto profissional para ambas as profissões. Conclusões: Os enfermeiros e AOP que exercem funções na unidade de CP, do Hospital do Mar – Cuidados Especializados de Lisboa apresentam processos de luto saudáveis, não apresentando sobrecarga de luto profissional. Assumem que esta é uma área de cuidados emocionalmente exigente, por vezes capaz de fazer sentir falta de tempo para si próprio, mas no final o sentimento de “dever cumprindo”, apazigua- os. Apresentam um perfil neutro e de aceitação, entendendo a morte como um processo natural, procurando nas mortes dos seus doentes significado para a sua própria vida e morte. O reconhecimento da finitude humana é essencial ao saber de todos os PDS, pois a morte fará parte, mais cedo ou mais tarde do seu quotidiano.
Autores principais:Cabral, Catarina Martins
Assunto:Luto Profissionais de saúde Atitudes perante a morte Enfermeiros Assistentes operacionais Cuidados paliativos Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: A morte, com a evolução sociocultural do último século e o aumento da longevidade dos indivíduos, tornou-se cada vez mais institucionalizada/hospitalizada e escondida da sociedade. Os Profissionais de Saúde (PDS) de Cuidados Paliativos (CP), não só estabelecem uma relação terapêutica estreita para responder às necessidades da díade doente-família, como também experienciam um número anual acrescido de mortes dos seus doentes. Como tal, estão expostos a vários fatores de stress físico, emocional, psicológico e socio-cultural que os faz desenvolver processos de luto adaptados à realidade e que lhes permite lidar com o seu próprio sofrimento. Objetivos: Avaliar as características do luto profissional dos PDS não médicos, enfermeiros e assistentes operacionais (AOP), identificando os factores que o influenciam. Perceber qual a profissão mais predisposta a desenvolver um luto complicado e quais as atitudes dos PDS perante a morte. Métodos: O presente estudo, trata-se de uma investigação do tipo quantitativo, exploratório, descritivo-correlacional, tendo sido estudada uma amostra de conveniência, numa instituição de internamento com uma unidade de CP. Foi usado um Questionário Sócio-Demográfico, profissional e pessoal construído para o estudo e três escalas validadas em português: Escala de Sobrecarga de Luto Profissional (ESLP), Escala de Avaliação do Perfil de Atitudes acerca da Morte (EAPAM) e Escala de Coping com a Morte (ECM). Resultados: Em 173 questionários distribuídos, obteve-se uma taxa de resposta de 57,8%. A amostra final do estudo foi constituída por 83 PDS (42 enfermeiros e 41 AOP), 75,9% dos quais mulheres jovens, 49,4% com formação superior, 56,6% com formação prévia em CP/Luto e com média de experiência em CP de 4,8 anos. Com base nas respostas à ESLP, não se observa sobrecarga de luto profissional nos PDS estudados. Manifestam que esta é uma área emocionalmente exigente, mas que estão “bem resolvidos”. São os AOP que manifestam maior “esforço emocional ao cuidar” e maior “perda nostálgica”, embora não de forma significativa. Das variáveis estudadas, o estado civil, as habilitações académicas e a experiência em CP influenciam o luto profissional dos Enfermeiros e AOP. Já o género, a idade, o número de mortes experienciadas anualmente e o facto de trabalharem “há menos ou há mais de 1 ano” em contacto com a morte, mostraram não ter impacto. Estes PDS apresentam um perfil de aceitação para com a morte (EAPAM) com a maioria a concordar com a afirmação “a morte é um aspecto natural da vida” (6,51). A dimensão “aceitação como escape” foi a que apresentou média mais baixa (3,05), o que demonstra que uma baixa minoria entende a morte como a única saída para o fim do sofrimento. Com base na ECM os PDS estudados apresentam boa capacidade de coping, com a correlação mais elevada na dimensão “Coping com a própria Morte”, demonstram boa capacidade de compreensão, conhecimento e expressividade de emoções. A formação prévia na área do luto não apresentou impacto o luto profissional e/ou as atitudes perante a morte, não alterando o coping com a morte, tanto para os enfermeiros como os AOP. Já a experiência em CP influencia o luto profissional para ambas as profissões. Conclusões: Os enfermeiros e AOP que exercem funções na unidade de CP, do Hospital do Mar – Cuidados Especializados de Lisboa apresentam processos de luto saudáveis, não apresentando sobrecarga de luto profissional. Assumem que esta é uma área de cuidados emocionalmente exigente, por vezes capaz de fazer sentir falta de tempo para si próprio, mas no final o sentimento de “dever cumprindo”, apazigua- os. Apresentam um perfil neutro e de aceitação, entendendo a morte como um processo natural, procurando nas mortes dos seus doentes significado para a sua própria vida e morte. O reconhecimento da finitude humana é essencial ao saber de todos os PDS, pois a morte fará parte, mais cedo ou mais tarde do seu quotidiano.