Publicação
Estudo parasitário de lobos, cães e raposas na margem sul do Douro, Portugal continental
| Resumo: | A interação entre canídeos selvagens e domésticos, como lobo-ibérico (Canis lupus signatus), raposa-vermelha (Vulpes vulpes silacea) e cão doméstico (Canis lupus familiaris), em ambientes compartilhados facilita a transmissão de parasitas gastrointestinais, tornando essencial o estudo desses parasitas nestas populações. Esta dissertação pretende preencher a lacuna de pesquisas parasitológicas na região ao sul do Douro, concentrando-se nos parasitas gastrointestinais que afetam as três espécies de canídeos nessa área. Foram colhidas 85 amostras de fezes de canídeos da margem sul do Douro entre setembro e dezembro de 2022, e analisadas no Laboratório de Parasitologia e Doenças Parasitárias da FMV usando técnicas coprológicas, incluindo flutuação, sedimentação e 3 repetições de McMaster por amostra. Os dados, que incluíram identificação, espécie, coordenadas geográficas e resultados coprológicos, foram inicialmente inseridos no software Epicollect5, transferidos para Microsoft Excel 2016 e exportados para IBM SPSS 29.0.2.0. As análises estatísticas, realizadas com um nível de significância de p<0,05, incluíram estatística descritiva, ANOVA, testes de Qui-quadrado, testes de Fisher e esfericidade de Mauchly. Das 85 amostras recolhidas, sendo 60 de raposa (70,6%), 16 de cão (18,8%) e 9 de lobo (10,6%), 60% (51/85) estavam parasitadas. Obtivemos uma prevalência de 76% (47/51) de Ancylostoma sp., 18% (11/51) de Toxascaris leonina e 6% (4/51) de Toxocara canis. A maioria das amostras parasitadas (78,4%, 40/51) apresentaram infeções simples, enquanto 21,6% (11/51) exibiram infeções mistas. A combinação mais comum nas infeções mistas foi entre Toxocara canis e Ancylostoma sp. (64%, 7/11) seguida pela combinação de Toxascaris leonina e Ancylostoma sp. (36%, 4/11). Não foram observadas coinfecções entre Toxascaris leonina e Toxocara canis. O teste de McNemar revelou uma diferença significativa na deteção de Ancylostoma sp. entre os métodos de flutuação e sedimentação (p<0,001). No entanto, ambos os métodos mostraram desempenho comparável na identificação de Toxascaris leonina e Toxocara canis, sem diferenças significativas (p=0,250 e p=0,500, respetivamente). Este trabalho é importante para aprofundar o conhecimento sobre a interação entre parasitas de canídeos domésticos e silvestres na margem sul do Douro, destacando a necessidade de monitorização contínua e estratégias de desparasitação eficazes para proteger tanto a fauna silvestre, quanto a saúde pública na região |
|---|---|
| Autores principais: | Oliveira, Francisco Santos Gomes Simas |
| Assunto: | Canídeos Coprologia Parasitas gastrointestinais Rio Douro Portugal Canids Coprology Gastrointestinal parasites River Douro Portugal |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A interação entre canídeos selvagens e domésticos, como lobo-ibérico (Canis lupus signatus), raposa-vermelha (Vulpes vulpes silacea) e cão doméstico (Canis lupus familiaris), em ambientes compartilhados facilita a transmissão de parasitas gastrointestinais, tornando essencial o estudo desses parasitas nestas populações. Esta dissertação pretende preencher a lacuna de pesquisas parasitológicas na região ao sul do Douro, concentrando-se nos parasitas gastrointestinais que afetam as três espécies de canídeos nessa área. Foram colhidas 85 amostras de fezes de canídeos da margem sul do Douro entre setembro e dezembro de 2022, e analisadas no Laboratório de Parasitologia e Doenças Parasitárias da FMV usando técnicas coprológicas, incluindo flutuação, sedimentação e 3 repetições de McMaster por amostra. Os dados, que incluíram identificação, espécie, coordenadas geográficas e resultados coprológicos, foram inicialmente inseridos no software Epicollect5, transferidos para Microsoft Excel 2016 e exportados para IBM SPSS 29.0.2.0. As análises estatísticas, realizadas com um nível de significância de p<0,05, incluíram estatística descritiva, ANOVA, testes de Qui-quadrado, testes de Fisher e esfericidade de Mauchly. Das 85 amostras recolhidas, sendo 60 de raposa (70,6%), 16 de cão (18,8%) e 9 de lobo (10,6%), 60% (51/85) estavam parasitadas. Obtivemos uma prevalência de 76% (47/51) de Ancylostoma sp., 18% (11/51) de Toxascaris leonina e 6% (4/51) de Toxocara canis. A maioria das amostras parasitadas (78,4%, 40/51) apresentaram infeções simples, enquanto 21,6% (11/51) exibiram infeções mistas. A combinação mais comum nas infeções mistas foi entre Toxocara canis e Ancylostoma sp. (64%, 7/11) seguida pela combinação de Toxascaris leonina e Ancylostoma sp. (36%, 4/11). Não foram observadas coinfecções entre Toxascaris leonina e Toxocara canis. O teste de McNemar revelou uma diferença significativa na deteção de Ancylostoma sp. entre os métodos de flutuação e sedimentação (p<0,001). No entanto, ambos os métodos mostraram desempenho comparável na identificação de Toxascaris leonina e Toxocara canis, sem diferenças significativas (p=0,250 e p=0,500, respetivamente). Este trabalho é importante para aprofundar o conhecimento sobre a interação entre parasitas de canídeos domésticos e silvestres na margem sul do Douro, destacando a necessidade de monitorização contínua e estratégias de desparasitação eficazes para proteger tanto a fauna silvestre, quanto a saúde pública na região |
|---|