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Observação e descrição de elementos naturais ao longo das viagens dos descobrimentos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta tese procura trazer um contributo ao conhecimento da ciência europeia dos séculos XV-XVII. Estuda-se nesta dissertação as descrições de elementos naturais observados durante as viagens portuguesas de longa distância realizadas nesses séculos, essencialmente na chamada Carreira da Índia. Por elementos naturais entendem-se mamíferos marinhos ou peixes, aves ou borboletas, ou mesmo detritos vegetais arrastados por correntes marítimas e que eram frequentemente mencionados nos vários documentos analisados. Este trabalho teve por objetivo adicionar novos dados aos estudos sobre a história científica no período da expansão marítima europeia, mais especificamente o tentar compreender as circunstâncias e a natureza do ato de observar durante estas viagens. Este processo era muito complexo e compreendê-lo exige analisar as condições em que as observações eram feitas, por quem e com que propósitos. Para tal, foram utilizados como fontes diários da autoria dos pilotos destas viagens, numa leitura feita com uma abordagem diferente e no contexto próprio da história da ciência. O nosso estudo mostrou como estas observações estavam determinadas pelas condições de localidade em que eram levadas a cabo. As descrições e referências aos diferentes elementos naturais surgem subordinadas às exigências mais urgentes da navegação: a necessidade de saber a posição no mar – por isso procuravam aves, mamíferos marinhos ou imundices de terra que funcionavam como sinais característicos de determinados locais. Era também importante saber o tempo com que se poderia contar – procuravam aves pousadas ou borboletas que vinham trazidas pelos ventos e trovoadas de terra. E ainda, porque a alimentação era uma necessidade básica diária e comum a todos os que iam embarcados – referiam peixes e os locais onde eles existiam em abundância. Verificou-se uma acentuada disparidade entre os relatos daqueles que efetivamente navegavam, quando comparados com os relatos dos que ficavam em terra ou escreviam a posteriori, mostrando a importância da experiência existencial.
Autores principais:Picanço, Cristina Isabel de Caré
Assunto:Animais como sinais Animais marinhos Descobrimentos portugueses Diários de viagens História natural Mapas Observação da natureza Animals as signs Marine animals Portuguese discoveries logbooks Natural history Maps Observation of nature
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta tese procura trazer um contributo ao conhecimento da ciência europeia dos séculos XV-XVII. Estuda-se nesta dissertação as descrições de elementos naturais observados durante as viagens portuguesas de longa distância realizadas nesses séculos, essencialmente na chamada Carreira da Índia. Por elementos naturais entendem-se mamíferos marinhos ou peixes, aves ou borboletas, ou mesmo detritos vegetais arrastados por correntes marítimas e que eram frequentemente mencionados nos vários documentos analisados. Este trabalho teve por objetivo adicionar novos dados aos estudos sobre a história científica no período da expansão marítima europeia, mais especificamente o tentar compreender as circunstâncias e a natureza do ato de observar durante estas viagens. Este processo era muito complexo e compreendê-lo exige analisar as condições em que as observações eram feitas, por quem e com que propósitos. Para tal, foram utilizados como fontes diários da autoria dos pilotos destas viagens, numa leitura feita com uma abordagem diferente e no contexto próprio da história da ciência. O nosso estudo mostrou como estas observações estavam determinadas pelas condições de localidade em que eram levadas a cabo. As descrições e referências aos diferentes elementos naturais surgem subordinadas às exigências mais urgentes da navegação: a necessidade de saber a posição no mar – por isso procuravam aves, mamíferos marinhos ou imundices de terra que funcionavam como sinais característicos de determinados locais. Era também importante saber o tempo com que se poderia contar – procuravam aves pousadas ou borboletas que vinham trazidas pelos ventos e trovoadas de terra. E ainda, porque a alimentação era uma necessidade básica diária e comum a todos os que iam embarcados – referiam peixes e os locais onde eles existiam em abundância. Verificou-se uma acentuada disparidade entre os relatos daqueles que efetivamente navegavam, quando comparados com os relatos dos que ficavam em terra ou escreviam a posteriori, mostrando a importância da experiência existencial.