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Terapia farmacológica da obesidade: riscos e benefícios

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Resumo:A obesidade é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma acumulação anormal ou excessiva de gordura no corpo. A prevalência da obesidade tem aumentado exponencialmente e, atualmente, representa um grave problema de saúde pública no mundo. Esta é uma doença crónica que se não for prevenida ou tratada tem consequências graves nomeadamente, aumento do risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e diversos tipos de cancro. As alterações de estilo de vida são o pilar na terapêutica não farmacológica, no entanto não são suficientes para induzir uma perda de peso sustentada a longo prazo. Assim deve-se considerar a terapêutica farmacológica como adjuvante da modificação do estilo de vida na indução e manutenção da perda de peso em indivíduos com um IMC ≥ 30 kg/m2 ou IMC ≥ 27 kg/m2 e comorbilidades associadas ao peso, segundo as guidelines atuais. Atualmente, existem seis medicamentos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) para a terapêutica a longo prazo da obesidade. Destes, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou apenas cinco, uma vez que a terapêutica combinada fentermina/topiramato foi rejeitada por falta de dados sobre os efeitos cardiovasculares da fentermina bem como efeitos adversos psíquicos e cognitivos do topiramato. O orlistato atua ao nível intestinal impedindo a absorção das gorduras, os agonistas do GLP-1 (exenatido, liraglutido, dulaglutido e semaglutido) atuam no sistema nervoso central induzindo uma sensação de saciedade e interferem na homeostasia da glucose, e outros fármacos como a naltrexona/bupropiona, fentermina/topiramato e setmelanotido interferem apenas com as vias do sistema nervoso central levando a redução do apetite. No caso das aminas simpaticomiméticas (fentermina, dietilpropiona), aprovadas para a redução de peso a curto prazo, não existem até hoje dados de segurança da sua utilização a longo prazo. Encontram-se atualmente em ensaios clínicos vários fármacos promotores de perda de peso. Neste contexto, o farmacêutico tem um papel muito importante na promoção de estilos de vida saudáveis (alimentação variada e prática de exercício físico) e na informação ao doente sobre a medicação, nomeadamente efeitos adversos e a necessidade de adesão à terapêutica.
Autores principais:Brito, Mariana Ferreira de
Assunto:Obesidade Perda de peso Terapêutica farmacológica FDA Adesão à terapêutica Mestrado Integrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A obesidade é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma acumulação anormal ou excessiva de gordura no corpo. A prevalência da obesidade tem aumentado exponencialmente e, atualmente, representa um grave problema de saúde pública no mundo. Esta é uma doença crónica que se não for prevenida ou tratada tem consequências graves nomeadamente, aumento do risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e diversos tipos de cancro. As alterações de estilo de vida são o pilar na terapêutica não farmacológica, no entanto não são suficientes para induzir uma perda de peso sustentada a longo prazo. Assim deve-se considerar a terapêutica farmacológica como adjuvante da modificação do estilo de vida na indução e manutenção da perda de peso em indivíduos com um IMC ≥ 30 kg/m2 ou IMC ≥ 27 kg/m2 e comorbilidades associadas ao peso, segundo as guidelines atuais. Atualmente, existem seis medicamentos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) para a terapêutica a longo prazo da obesidade. Destes, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou apenas cinco, uma vez que a terapêutica combinada fentermina/topiramato foi rejeitada por falta de dados sobre os efeitos cardiovasculares da fentermina bem como efeitos adversos psíquicos e cognitivos do topiramato. O orlistato atua ao nível intestinal impedindo a absorção das gorduras, os agonistas do GLP-1 (exenatido, liraglutido, dulaglutido e semaglutido) atuam no sistema nervoso central induzindo uma sensação de saciedade e interferem na homeostasia da glucose, e outros fármacos como a naltrexona/bupropiona, fentermina/topiramato e setmelanotido interferem apenas com as vias do sistema nervoso central levando a redução do apetite. No caso das aminas simpaticomiméticas (fentermina, dietilpropiona), aprovadas para a redução de peso a curto prazo, não existem até hoje dados de segurança da sua utilização a longo prazo. Encontram-se atualmente em ensaios clínicos vários fármacos promotores de perda de peso. Neste contexto, o farmacêutico tem um papel muito importante na promoção de estilos de vida saudáveis (alimentação variada e prática de exercício físico) e na informação ao doente sobre a medicação, nomeadamente efeitos adversos e a necessidade de adesão à terapêutica.