Publicação
Contributos inovadores do projeto ISI - Informar e Sensibilizar para a Intervenção - contra a violência de género e para o desenvolvimento da educação cidadã, num contexto multicultural
| Resumo: | As comunidades escolares atuais, cada vez mais diversas do ponto de vista sociocultural, fenómeno associado aos movimentos migratórios globais, contêm uma complexidade multicultural intrínseca que cria contextos escolares muito desafiantes. Os docentes, primeiros interlocutores entre as culturas em diálogo, desenvolvem um conjunto de projetos tendo em vista criar respostas que ajudem a ultrapassar as dificuldades decorrentes de um diálogo escolar intercultural escasso e do predomínio dos currículos prescritivos monoculturais. O Projeto – ISI (Informar e Sensibilizar para a Intervenção) Contra a Violência de Género, Tolerância Zero à MGF/C (Mutilação Genital Feminina), realizado na Escola Secundária da Baixa da Banheira, é uma resposta escolar, construída em parceria com uma Organização Não-governamental (ONG), mandatada pela Secretaria de Estado da Igualdade, com o intuito de ser promotor da prevenção da MGF/C nos públicos escolares cuja origem sociocultural coloca as mulheres e meninas em risco iminente de serem sujeitas a esta prática milenar. Iniciando-se a reflexão em torno das questões da identidade e da diferença, passando pelos direitos humanos e a violência de género, procura-se articular teoricamente o potencial da educação e da escola na modelação de comportamentos, para que se caminhe em direção à hermenêutica diatópica enquanto processo coletivo, consciente, da nossa incompletude cultural mútua e promotor de uma educação em direitos humanos. No mundo cada vez mais interligado, a conceção multicultural dos direitos humanos (Santos, 1997, p. 15) tem cada vez mais sentido e levanta questões muito pertinentes em comunidades escolares, palco onde ocorre a ação do Projeto – ISI. O trabalho pretende identificar o potencial inovador do Projeto – ISI e o seu contributo para a prevenção da Mutilação Genital Feminina, a partir de dinâmicas educativas realizadas em ambiente escolar. A reflexão inicial pretende colocar em diálogo questões como a Identidade e a Diferença, os Direitos Humanos, o Relativismo Cultural e a Hermenêutica Diatópica e propõe-se a considerar a Educação Desenvolvente e a Educação em Direitos Humanos como uma ferramenta de ação preventiva da MGF/C junto de comunidades escolares onde a prática pode existir. Desenvolvido sob a forma de um Estudo de Caso, examina-se o caso da Escola Secundária da Baixa da Banheira e o Projeto que nela se desenvolveu, tendo em vista perscrutar o seu potencial inovador educativo, a partir de referentes propostos por diversos autores especialistas na matéria. A recolha de informação foi precedida de um desenho estratégico que pretende, dentro do possível, garantir a representação da diversidade real. As entrevistas semiestruturadas e a leitura das atas dos Conselhos de Diretores de Turma e dos Conselhos de Turma que participaram no projeto foram o manancial de informação a ser interpretada e a partir do qual se desenvolve o racional de análise do projeto. A descrição interpretativa que aqui se apresenta tem em vista evidenciar o potencial Inovador do projeto e o seu contributo para a prevenção da MGF/C, tendo sempre como pano de fundo que, enquanto prática, “viola um conjunto de direitos humanos fundamentais, normas e princípios de igualdade de género e não discriminação, bem como o direito inalienável à vida e o direito a ser livre de tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante” (Cerejo et al, 2015, p. 16). |
|---|---|
| Autores principais: | Cipriano, Ricardo Manuel Lopes |
| Assunto: | Inovação Prevenção Multiculturalismo Violência de género Direitos humanos Teses de mestrado - 2021 |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As comunidades escolares atuais, cada vez mais diversas do ponto de vista sociocultural, fenómeno associado aos movimentos migratórios globais, contêm uma complexidade multicultural intrínseca que cria contextos escolares muito desafiantes. Os docentes, primeiros interlocutores entre as culturas em diálogo, desenvolvem um conjunto de projetos tendo em vista criar respostas que ajudem a ultrapassar as dificuldades decorrentes de um diálogo escolar intercultural escasso e do predomínio dos currículos prescritivos monoculturais. O Projeto – ISI (Informar e Sensibilizar para a Intervenção) Contra a Violência de Género, Tolerância Zero à MGF/C (Mutilação Genital Feminina), realizado na Escola Secundária da Baixa da Banheira, é uma resposta escolar, construída em parceria com uma Organização Não-governamental (ONG), mandatada pela Secretaria de Estado da Igualdade, com o intuito de ser promotor da prevenção da MGF/C nos públicos escolares cuja origem sociocultural coloca as mulheres e meninas em risco iminente de serem sujeitas a esta prática milenar. Iniciando-se a reflexão em torno das questões da identidade e da diferença, passando pelos direitos humanos e a violência de género, procura-se articular teoricamente o potencial da educação e da escola na modelação de comportamentos, para que se caminhe em direção à hermenêutica diatópica enquanto processo coletivo, consciente, da nossa incompletude cultural mútua e promotor de uma educação em direitos humanos. No mundo cada vez mais interligado, a conceção multicultural dos direitos humanos (Santos, 1997, p. 15) tem cada vez mais sentido e levanta questões muito pertinentes em comunidades escolares, palco onde ocorre a ação do Projeto – ISI. O trabalho pretende identificar o potencial inovador do Projeto – ISI e o seu contributo para a prevenção da Mutilação Genital Feminina, a partir de dinâmicas educativas realizadas em ambiente escolar. A reflexão inicial pretende colocar em diálogo questões como a Identidade e a Diferença, os Direitos Humanos, o Relativismo Cultural e a Hermenêutica Diatópica e propõe-se a considerar a Educação Desenvolvente e a Educação em Direitos Humanos como uma ferramenta de ação preventiva da MGF/C junto de comunidades escolares onde a prática pode existir. Desenvolvido sob a forma de um Estudo de Caso, examina-se o caso da Escola Secundária da Baixa da Banheira e o Projeto que nela se desenvolveu, tendo em vista perscrutar o seu potencial inovador educativo, a partir de referentes propostos por diversos autores especialistas na matéria. A recolha de informação foi precedida de um desenho estratégico que pretende, dentro do possível, garantir a representação da diversidade real. As entrevistas semiestruturadas e a leitura das atas dos Conselhos de Diretores de Turma e dos Conselhos de Turma que participaram no projeto foram o manancial de informação a ser interpretada e a partir do qual se desenvolve o racional de análise do projeto. A descrição interpretativa que aqui se apresenta tem em vista evidenciar o potencial Inovador do projeto e o seu contributo para a prevenção da MGF/C, tendo sempre como pano de fundo que, enquanto prática, “viola um conjunto de direitos humanos fundamentais, normas e princípios de igualdade de género e não discriminação, bem como o direito inalienável à vida e o direito a ser livre de tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante” (Cerejo et al, 2015, p. 16). |
|---|