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Dissecação de mecanismos moleculares de resistência a antifúngicos em espécies de Candida não albicans

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As infeções fúngicas são preocupantes para a saúde pública, nomeadamente do género Candida, devido ao aumento de estirpes resistentes às terapêuticas convencionais e a estarem associadas a altas taxas de morbilidade e mortalidade. As espécies não albicans destacam-se pela emergência persistente de estirpes resistentes, contudo, a sua fisiologia e biologia molecular pouco estudadas têm impedido a compreensão dos mecanismos moleculares subjacentes a estas resistências. Neste estudo foram analisados 628 isolados identificados como Candida em pacientes de unidades de saúde da Grande Lisboa verificando-se elevada prevalência de C. albicans. Uma percentagem significativa de isolados Candida não albicans foram também identificados destacando-se C. glabrata e C. parapsilosis. Estes isolados de espécies não albicans foram analisados quanto à sua suscetibilidade a quatro antifúngicos com relevância na prática clínica. Foram identificados sete isolados como resistentes, seis C. glabrata a fluconazol e três (dois C. glabrata e um C. tropicalis) a voriconazol, e três isolados (dois C. parapsilosis e um C. tropicalis) foram identificados como maiores tolerantes a caspofungina, resultando em ~5 % de prevalência de resistência. A identificação do isolado de C. tropicalis multirresistente, constituiu um importante resultado visto a identificação destas estirpes multirresistentes ser, habitualmente rara e não descrita. O estudo das regiões hotspots do gene CpFKS1 pelos dois isolados de C. parapsilosis resistentes revelaram apenas a existência do polimorfismo natural P660A no hotspot 1, tendo já sido identificado noutros estudos como responsável pelo aumento da tolerância a equinocandinas. Dos isolados de C. glabrata que se identificaram como resistentes, apenas ISTE188 se pode correlacionar o fenótipo de resistência com a codificação de uma nova variante hiperativa do regulador transcricional CgPdr1. Nos restantes cinco isolados resistentes, os resultados obtidos não permitiram concluir que estes são mutantes do regulador, havendo possibilidade destes terem adquirido resistência através de um mecanismo independente de CgPdr1.
Autores principais:Antunes, Tânia Catarina Mirandela
Assunto:Antifúngicos Breakpoints Candida não albicans Mutações Resistência antifúngica Teses de mestrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As infeções fúngicas são preocupantes para a saúde pública, nomeadamente do género Candida, devido ao aumento de estirpes resistentes às terapêuticas convencionais e a estarem associadas a altas taxas de morbilidade e mortalidade. As espécies não albicans destacam-se pela emergência persistente de estirpes resistentes, contudo, a sua fisiologia e biologia molecular pouco estudadas têm impedido a compreensão dos mecanismos moleculares subjacentes a estas resistências. Neste estudo foram analisados 628 isolados identificados como Candida em pacientes de unidades de saúde da Grande Lisboa verificando-se elevada prevalência de C. albicans. Uma percentagem significativa de isolados Candida não albicans foram também identificados destacando-se C. glabrata e C. parapsilosis. Estes isolados de espécies não albicans foram analisados quanto à sua suscetibilidade a quatro antifúngicos com relevância na prática clínica. Foram identificados sete isolados como resistentes, seis C. glabrata a fluconazol e três (dois C. glabrata e um C. tropicalis) a voriconazol, e três isolados (dois C. parapsilosis e um C. tropicalis) foram identificados como maiores tolerantes a caspofungina, resultando em ~5 % de prevalência de resistência. A identificação do isolado de C. tropicalis multirresistente, constituiu um importante resultado visto a identificação destas estirpes multirresistentes ser, habitualmente rara e não descrita. O estudo das regiões hotspots do gene CpFKS1 pelos dois isolados de C. parapsilosis resistentes revelaram apenas a existência do polimorfismo natural P660A no hotspot 1, tendo já sido identificado noutros estudos como responsável pelo aumento da tolerância a equinocandinas. Dos isolados de C. glabrata que se identificaram como resistentes, apenas ISTE188 se pode correlacionar o fenótipo de resistência com a codificação de uma nova variante hiperativa do regulador transcricional CgPdr1. Nos restantes cinco isolados resistentes, os resultados obtidos não permitiram concluir que estes são mutantes do regulador, havendo possibilidade destes terem adquirido resistência através de um mecanismo independente de CgPdr1.