Publicação
Concepções e práticas de jovens professores perante a resolução de problemas de matemática : um estudo longitudinal de dois casos
| Resumo: | Este estudo incide sobre as concepções e práticas de dois alunos no último ano de formação inicial e no primeiro ano de exercício da docência, relativamente a actividades de resolução de problemas de matemática. Em particular, o estudo foi orientado pelas seguintes questões gerais: (a) Que concepções revelaram os futuros professores relativamente à resolução de problemas? (b) Que concepções e práticas, em relação à resolução de problemas de matemática e ao seu ensino, revelam os participantes no início da sua carreira docente? (c) Que relações existem entre as concepções e práticas dos participantes enquanto alunos e enquanto professores? (d) Como é que se poderão explicar as concepções e práticas dos participantes? Em face dos objectivos do estudo, foi decidido realizar estudos de caso de dois alunos, em que a investigadora optou por ser uma observadora passiva, testemunhar presencialmente várias aulas dos participantes e orientar pessoalmente todas as entrevistas realizadas. O estudo desenvolveu-se em duas fases: na primeira, acompanharam-se os dois alunos no último ano da sua formação inicial e na segunda, acompanharam-se os participantes no primeiro ano de exercício da sua docência. Privilegiou-se a recolha de dados de natureza qualitativa, durante cerca de dois anos lectivos, através de: (a) gravações em vídeo das aulas dos participantes, enquanto alunos; (b) registos e notas feitas presencialmente, pela investigadora, nas aulas observadas nas duas fases do estudo; (c) gravações em áudio de entrevistas semi-estruturadas realizadas aos participantes durante as duas fases do estudo. Estes dados foram analisados a partir de um conjunto inicial de categorias definidas pela investigadora a partir de objectivos definidos. Relativamente às concepções manifestadas, pelos participantes no estudo, em relação à resolução de problemas, podem-se salientar as seguintes: (a) identificam problema e resolução de problemas com matemática; (b) atribuem grande importância à resolução de problemas que consideram útil para ensinar os alunos a raciocinar; (c) consideram que a resolução de problemas pode ser um meio de “dar” matemática, motivando os alunos; (d) consideram que para ensinar resolução de problemas não é necessário saber muita matemática; e (e) consideram que ensinar resolução de problemas não é uma tarefa fácil. As concepções que ambos os participantes manifestaram em relação à matemática têm subjacente uma visão dualística da disciplina: a matemática prática, que está ligada aos cálculos e a matemática do raciocínio, ligada aos problemas. No que respeita à relação entre as concepções e as práticas dos participantes pode salientar-se que: (a) não se detectaram inconsistências entre as concepções dos participantes enquanto alunos e depois como professores em relação à resolução de problemas de matemática; (b) existe inconsistência entre as concepções sobre o ensino da matemática e da resolução de problemas com a sua prática; (c) no Rui é a visão instrumentalista da matemática que é consistente com a sua prática; (d) na Maria é a visão dinâmica da matemática que é consistente com a sua prática; e (e) as concepções dos professores não estão relacionados de um modo simples com a sua prática na sala de aula, parecendo dirigidas por factores que esta investigação não conseguiu detectar. |
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| Autores principais: | Vale, Isabel |
| Assunto: | Professores de matemática Práticas educativas Matemática Resolução de problemas Ensino básico Teses de mestrado - 1993 |
| Ano: | 1993 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Este estudo incide sobre as concepções e práticas de dois alunos no último ano de formação inicial e no primeiro ano de exercício da docência, relativamente a actividades de resolução de problemas de matemática. Em particular, o estudo foi orientado pelas seguintes questões gerais: (a) Que concepções revelaram os futuros professores relativamente à resolução de problemas? (b) Que concepções e práticas, em relação à resolução de problemas de matemática e ao seu ensino, revelam os participantes no início da sua carreira docente? (c) Que relações existem entre as concepções e práticas dos participantes enquanto alunos e enquanto professores? (d) Como é que se poderão explicar as concepções e práticas dos participantes? Em face dos objectivos do estudo, foi decidido realizar estudos de caso de dois alunos, em que a investigadora optou por ser uma observadora passiva, testemunhar presencialmente várias aulas dos participantes e orientar pessoalmente todas as entrevistas realizadas. O estudo desenvolveu-se em duas fases: na primeira, acompanharam-se os dois alunos no último ano da sua formação inicial e na segunda, acompanharam-se os participantes no primeiro ano de exercício da sua docência. Privilegiou-se a recolha de dados de natureza qualitativa, durante cerca de dois anos lectivos, através de: (a) gravações em vídeo das aulas dos participantes, enquanto alunos; (b) registos e notas feitas presencialmente, pela investigadora, nas aulas observadas nas duas fases do estudo; (c) gravações em áudio de entrevistas semi-estruturadas realizadas aos participantes durante as duas fases do estudo. Estes dados foram analisados a partir de um conjunto inicial de categorias definidas pela investigadora a partir de objectivos definidos. Relativamente às concepções manifestadas, pelos participantes no estudo, em relação à resolução de problemas, podem-se salientar as seguintes: (a) identificam problema e resolução de problemas com matemática; (b) atribuem grande importância à resolução de problemas que consideram útil para ensinar os alunos a raciocinar; (c) consideram que a resolução de problemas pode ser um meio de “dar” matemática, motivando os alunos; (d) consideram que para ensinar resolução de problemas não é necessário saber muita matemática; e (e) consideram que ensinar resolução de problemas não é uma tarefa fácil. As concepções que ambos os participantes manifestaram em relação à matemática têm subjacente uma visão dualística da disciplina: a matemática prática, que está ligada aos cálculos e a matemática do raciocínio, ligada aos problemas. No que respeita à relação entre as concepções e as práticas dos participantes pode salientar-se que: (a) não se detectaram inconsistências entre as concepções dos participantes enquanto alunos e depois como professores em relação à resolução de problemas de matemática; (b) existe inconsistência entre as concepções sobre o ensino da matemática e da resolução de problemas com a sua prática; (c) no Rui é a visão instrumentalista da matemática que é consistente com a sua prática; (d) na Maria é a visão dinâmica da matemática que é consistente com a sua prática; e (e) as concepções dos professores não estão relacionados de um modo simples com a sua prática na sala de aula, parecendo dirigidas por factores que esta investigação não conseguiu detectar. |
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