Publicação
A relação inconsciente-consciente na produção do pensamento consciente
| Resumo: | Partindo de um método de pensamento, trabalho e análise interdisciplinar-tentando expor à ideia central a maior quantidade de factos relevantes e contribuições vindas da maior variedade de áreas do conhecimento (Filosofia, Psicologia, Neurociência, Biologia, etc.) -apresentarei um modelo da relação entre inconsciente e consciente na produção do pensamento humano que, negando (por consequência e não como ponto de partida) a divisão, largamente aceite, entre sistemas de análise distintos (intuição e raciocínio), se baseia na que acredito ser a única divisão real entre níveis da mente: inconsciente e consciente. Assim, defendendo um sistema uno de pensamento -composto, naturalmente, por níveis (inconsciente e consciente) e subsistemas inconscientes -dou a que acredito ser a melhor resposta até ao momento a certos aspetos centrais da pergunta "Como pensa o cérebro humano?"1. Podendo o sistema de pensamento variar na energia despendida e nos recursos utilizados, pode produzir saídas (outputs) que nós associamos a diferentes tipos de pensamento -um mais automático (intuição) e outro mais refexivo (raciocínio) -o que, devo argumentar, não corresponde a uma divisão entre sistemas distintos, mas entre produtos distintos (resultados externos classificados diferentemente) resultantes do mesmo sistema através da interação entre as mesmas partes exercendo as mesmas funções. Desta forma, a pergunta "Como funciona o pensamento?" pode transcrever-se em "Como interagem as partes na produção do todo que é o pensamento?", sendo apresentado um modelo em que interagem, na produção do pensamento, o inconsciente (todas as operações a que não acedemos epistemicamente) e o consciente -ou espaço de representação consciente -(onde se formam as imagens mentais2, ou onde estas se tornam acessíveis). Nesta interação, a tese principal é a de que todas as representações mentais conscientes são antecedidas de uma análise inconsciente (e expressões desta) -sendo o consciente, em si, originalmente e à luz da evolução, um espaço de resultados (como explicado na secção 1) -e de que, num processo de "raciocínio", há um processo contínuo de representações conscientes que os sistemas de análise inconscientes ativam e às quais se expõem. Resumindo, o inconsciente ativa imagens conscientes e expõe-se a elas, criando um ciclo a que o Eu pode ter maior ou menor acesso, consoante a energia gasta na representação consciente e na memória de trabalho. Este ciclo, com variações na utilização das partes, produz todo o tipo de pensamentos. E este modelo, mais simples e mais realista que o antecedem, explica mais factos com menos adaptações, atendendo às quatro perspetivas do entendimento da mente e do cérebro e sendo, assim, verdadeiramente holístico: introspeção, comportamento, cérebro e evolução; sendo apresentado ao pormenor e fundamentado com descobertas das várias ciências cognitivas e naturais. Tal como o papel do linguista é estudar a linguagem, o papel de qualquer especialista é estudar pormenorizadamente a área do pensamento em que se especializou. Se o cientista cognitivo tem um papel, é o de descobrir de que forma interagem todos estes sistemas de que falamos de forma fragmentada. Se o cientista cognitivo tem um papel, é aquele a que me proponho. 1 Penso que a pergunta tem que ser esta porque, defendendo a existência de um só sistema de produção de pensamento, o modelo passa a explicar, pelo mesmo funcionamento, aquilo a que chamamos intuição e aquilo a que chamamos raciocínio, tidos aqui como produtos externos (classifcados diferentemente) dos mesmos mecanismos mentais internos. 2 Utilizo o termo "imagem mental" no sentido dado por Damásio, sendo uma imagem mental qualquer representação mental e podendo ser, não só visual, mas composta por qualquer dado dos sentidos (e.g. uma representação mental de uma dor num dedo) Damásio (2010). |
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| Autores principais: | Nascimento, Rafael Augusto Coelho do 1990- |
| Assunto: | Intuição (Psicologia) Comportamento social Consciente Inconsciente Teses de mestrado - 2016 |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Partindo de um método de pensamento, trabalho e análise interdisciplinar-tentando expor à ideia central a maior quantidade de factos relevantes e contribuições vindas da maior variedade de áreas do conhecimento (Filosofia, Psicologia, Neurociência, Biologia, etc.) -apresentarei um modelo da relação entre inconsciente e consciente na produção do pensamento humano que, negando (por consequência e não como ponto de partida) a divisão, largamente aceite, entre sistemas de análise distintos (intuição e raciocínio), se baseia na que acredito ser a única divisão real entre níveis da mente: inconsciente e consciente. Assim, defendendo um sistema uno de pensamento -composto, naturalmente, por níveis (inconsciente e consciente) e subsistemas inconscientes -dou a que acredito ser a melhor resposta até ao momento a certos aspetos centrais da pergunta "Como pensa o cérebro humano?"1. Podendo o sistema de pensamento variar na energia despendida e nos recursos utilizados, pode produzir saídas (outputs) que nós associamos a diferentes tipos de pensamento -um mais automático (intuição) e outro mais refexivo (raciocínio) -o que, devo argumentar, não corresponde a uma divisão entre sistemas distintos, mas entre produtos distintos (resultados externos classificados diferentemente) resultantes do mesmo sistema através da interação entre as mesmas partes exercendo as mesmas funções. Desta forma, a pergunta "Como funciona o pensamento?" pode transcrever-se em "Como interagem as partes na produção do todo que é o pensamento?", sendo apresentado um modelo em que interagem, na produção do pensamento, o inconsciente (todas as operações a que não acedemos epistemicamente) e o consciente -ou espaço de representação consciente -(onde se formam as imagens mentais2, ou onde estas se tornam acessíveis). Nesta interação, a tese principal é a de que todas as representações mentais conscientes são antecedidas de uma análise inconsciente (e expressões desta) -sendo o consciente, em si, originalmente e à luz da evolução, um espaço de resultados (como explicado na secção 1) -e de que, num processo de "raciocínio", há um processo contínuo de representações conscientes que os sistemas de análise inconscientes ativam e às quais se expõem. Resumindo, o inconsciente ativa imagens conscientes e expõe-se a elas, criando um ciclo a que o Eu pode ter maior ou menor acesso, consoante a energia gasta na representação consciente e na memória de trabalho. Este ciclo, com variações na utilização das partes, produz todo o tipo de pensamentos. E este modelo, mais simples e mais realista que o antecedem, explica mais factos com menos adaptações, atendendo às quatro perspetivas do entendimento da mente e do cérebro e sendo, assim, verdadeiramente holístico: introspeção, comportamento, cérebro e evolução; sendo apresentado ao pormenor e fundamentado com descobertas das várias ciências cognitivas e naturais. Tal como o papel do linguista é estudar a linguagem, o papel de qualquer especialista é estudar pormenorizadamente a área do pensamento em que se especializou. Se o cientista cognitivo tem um papel, é o de descobrir de que forma interagem todos estes sistemas de que falamos de forma fragmentada. Se o cientista cognitivo tem um papel, é aquele a que me proponho. 1 Penso que a pergunta tem que ser esta porque, defendendo a existência de um só sistema de produção de pensamento, o modelo passa a explicar, pelo mesmo funcionamento, aquilo a que chamamos intuição e aquilo a que chamamos raciocínio, tidos aqui como produtos externos (classifcados diferentemente) dos mesmos mecanismos mentais internos. 2 Utilizo o termo "imagem mental" no sentido dado por Damásio, sendo uma imagem mental qualquer representação mental e podendo ser, não só visual, mas composta por qualquer dado dos sentidos (e.g. uma representação mental de uma dor num dedo) Damásio (2010). |
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