Publicação
Síndroma do desconforto respiratório: surfactantes sintéticos na terapêutica de reposição do surfactante pulmonar
| Resumo: | O surfactante pulmonar é constituído principalmente por fosfolípidos e 4 proteínas do surfactante. A SP-A e a SP-D são proteínas hidrofílicas e têm como função principal a defesa do epitélio pulmonar. A SP-B e a SP-C são proteínas hidrofóbicas que possuem propriedades que permitem o surfactante ter tensões superficiais baixas. Estes baixos valores de tensão superficial na interface ar-líquido nos pulmões facilitam a troca de gases e previnem que os alvéolos colapsem. O dipalmitoilfosfatidilcolina (DPPC) é um dos fosfolípidos mais abundantes na composição do surfactante pulmonar. Este ainda possui também colesterol na sua composição que tem como finalidade modular a fluidez da membrana do surfactante. O síndrome de dificuldade respiratória (ARDS) é uma doença multifatorial que afeta o aparelho respiratório e que se encontra associada a uma elevada taxa de mortalidade. O ARDS pode ainda ser subdividido em síndrome de dificuldade respiratória neonatal (RDS) e síndrome de dificuldade respiratória em si mesmo. RDS é uma patologia que afeta recém-nascidos em particular prematuros. Neste caso os bebés não produzem surfactante pulmonar suficiente devido à imaturidade do epitélio pulmonar, em particular dos pneumócitos tipo II, células responsáveis pela produção e recaptação de surfactante. Este tipo de síndrome de dificuldade respiratória consegue ser tratado eficazmente com a utilização de surfactante pulmonar. Pelo contrário, o ARDS não responde tão bem ao tratamento com surfactante, uma vez que o edema pulmonar, que é característico deste tipo de patologia, pode inativar tanto o surfactante natural dos pulmões como um surfactante exógeno. Nesta patologia também não existe um consenso sobre que dosagem utilizar. No caso dos recém-nascidos 100mg/kg ou 200mg/kg de peso corporal parecem ser as doses ideais, mas quando estas são extrapoladas para um adulto, a quantidade de surfactante pulmonar seria demasiado elevada, encarecendo tanto o tratamento como a investigação. Outro grande avanço tecnológico consiste na distribuição de surfactante pulmonar na forma de aerossol a partir dos novos métodos de nebulização. Esta é uma via preferencial uma vez que exclui a necessidade de intubação e as complicações associadas. Apesar de ainda ser um método relativamente recente, ele poderá constituir uma importante descoberta no tratamento do ARDS. |
|---|---|
| Autores principais: | Januário, Afonso Vieira |
| Assunto: | ARDS Pulmonary surfactant Aerosol Pulmonary proteins Mestrado Integrado - 2019 |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O surfactante pulmonar é constituído principalmente por fosfolípidos e 4 proteínas do surfactante. A SP-A e a SP-D são proteínas hidrofílicas e têm como função principal a defesa do epitélio pulmonar. A SP-B e a SP-C são proteínas hidrofóbicas que possuem propriedades que permitem o surfactante ter tensões superficiais baixas. Estes baixos valores de tensão superficial na interface ar-líquido nos pulmões facilitam a troca de gases e previnem que os alvéolos colapsem. O dipalmitoilfosfatidilcolina (DPPC) é um dos fosfolípidos mais abundantes na composição do surfactante pulmonar. Este ainda possui também colesterol na sua composição que tem como finalidade modular a fluidez da membrana do surfactante. O síndrome de dificuldade respiratória (ARDS) é uma doença multifatorial que afeta o aparelho respiratório e que se encontra associada a uma elevada taxa de mortalidade. O ARDS pode ainda ser subdividido em síndrome de dificuldade respiratória neonatal (RDS) e síndrome de dificuldade respiratória em si mesmo. RDS é uma patologia que afeta recém-nascidos em particular prematuros. Neste caso os bebés não produzem surfactante pulmonar suficiente devido à imaturidade do epitélio pulmonar, em particular dos pneumócitos tipo II, células responsáveis pela produção e recaptação de surfactante. Este tipo de síndrome de dificuldade respiratória consegue ser tratado eficazmente com a utilização de surfactante pulmonar. Pelo contrário, o ARDS não responde tão bem ao tratamento com surfactante, uma vez que o edema pulmonar, que é característico deste tipo de patologia, pode inativar tanto o surfactante natural dos pulmões como um surfactante exógeno. Nesta patologia também não existe um consenso sobre que dosagem utilizar. No caso dos recém-nascidos 100mg/kg ou 200mg/kg de peso corporal parecem ser as doses ideais, mas quando estas são extrapoladas para um adulto, a quantidade de surfactante pulmonar seria demasiado elevada, encarecendo tanto o tratamento como a investigação. Outro grande avanço tecnológico consiste na distribuição de surfactante pulmonar na forma de aerossol a partir dos novos métodos de nebulização. Esta é uma via preferencial uma vez que exclui a necessidade de intubação e as complicações associadas. Apesar de ainda ser um método relativamente recente, ele poderá constituir uma importante descoberta no tratamento do ARDS. |
|---|