Publicação
A “Modernidade” do Sacrifício Qurban, lugares e circuitos transnacionais entre bangladeshis em Lisboa
| Resumo: | Esta tese é o culminar de uma pesquisa sobre os migrantes bangladeshis em Lisboa, levada a cabo entre 2002 e 2005. O seu objectivo central é analisar este fluxo migratório que, num contexto marcado por uma imigração maioritariamente dominada por cidadãos oriundos de vários países de influência colonial portuguesa, se constitui como uma novidade que importa conhecer e analisar. Quem são estes bangladeshis? Como chegaram a Portugal? Como participam na economia portuguesa? Qual a sua relação com o Estado português? Quais as relações que continuam a manter com o Bangladesh? E como são estas relações mantidas através da religião, da política, e da economia? Como é vivida a religiosidade neste contexto migratório recente? O argumento central é que o sacrifício, aqui entendido como a morte ritual (qurban) realizada durante o qurban Id, uma das duas mais importantes festas do calendário islâmico, é uma forma de “domesticar” a modernidade. Dito de outra forma, os sujeitos emigram para aceder aos consumos - associados a uma ideia de classe, “modernidade” e sucesso (pessoal, género e familiar) - que permitem participar do capitalismo global. No entanto, a sua inserção nos mercados de trabalho globais faz-se em posições, sociais e espaciais, associadas a uma grande marginalidade estrutural. Tal tensão vai sendo “domesticada” através da religião, nomeadamente, por via da islamização de vários espaços no país de acolhimento, convertendo-os em lugares de pertença. Todo este processo é visível na própria ritualização do espaço transnacional. Fazer ou patrocinar o sacrifício, o qurban, depende em larga medida da posição dos sujeitos no processo migratório (legal/ilegal, patrão/empregado, pioneiro/freshie, etc). Um projecto migratório bem sucedido (tanto ao nível económico como ao nível do estatuto de cidadania) implica a realização do sacrifício, no Bangladesh e em Portugal. Ao fazer esta cerimónia no Bangladesh recriam-se e actualizam-se os vários laços da unidade doméstica de onde se saiu e com a qual se mantêm relações próximas, enquanto que a sua realização em Portugal é a afirmação da construção de uma casa própria e constituição de uma família. Assim se (re)produzem dois territórios de pertença e sociabilidades que se articulam num espaço social transnacional que é antes de mais vivido como um contínuo da acção social. |
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| Autores principais: | Gonçalves, José Manuel Fraga Mapril |
| Assunto: | Migrações Transnacionalismo Islão Sacrifício Portugal Bangladesh Posições sociais Modernidade |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Esta tese é o culminar de uma pesquisa sobre os migrantes bangladeshis em Lisboa, levada a cabo entre 2002 e 2005. O seu objectivo central é analisar este fluxo migratório que, num contexto marcado por uma imigração maioritariamente dominada por cidadãos oriundos de vários países de influência colonial portuguesa, se constitui como uma novidade que importa conhecer e analisar. Quem são estes bangladeshis? Como chegaram a Portugal? Como participam na economia portuguesa? Qual a sua relação com o Estado português? Quais as relações que continuam a manter com o Bangladesh? E como são estas relações mantidas através da religião, da política, e da economia? Como é vivida a religiosidade neste contexto migratório recente? O argumento central é que o sacrifício, aqui entendido como a morte ritual (qurban) realizada durante o qurban Id, uma das duas mais importantes festas do calendário islâmico, é uma forma de “domesticar” a modernidade. Dito de outra forma, os sujeitos emigram para aceder aos consumos - associados a uma ideia de classe, “modernidade” e sucesso (pessoal, género e familiar) - que permitem participar do capitalismo global. No entanto, a sua inserção nos mercados de trabalho globais faz-se em posições, sociais e espaciais, associadas a uma grande marginalidade estrutural. Tal tensão vai sendo “domesticada” através da religião, nomeadamente, por via da islamização de vários espaços no país de acolhimento, convertendo-os em lugares de pertença. Todo este processo é visível na própria ritualização do espaço transnacional. Fazer ou patrocinar o sacrifício, o qurban, depende em larga medida da posição dos sujeitos no processo migratório (legal/ilegal, patrão/empregado, pioneiro/freshie, etc). Um projecto migratório bem sucedido (tanto ao nível económico como ao nível do estatuto de cidadania) implica a realização do sacrifício, no Bangladesh e em Portugal. Ao fazer esta cerimónia no Bangladesh recriam-se e actualizam-se os vários laços da unidade doméstica de onde se saiu e com a qual se mantêm relações próximas, enquanto que a sua realização em Portugal é a afirmação da construção de uma casa própria e constituição de uma família. Assim se (re)produzem dois territórios de pertença e sociabilidades que se articulam num espaço social transnacional que é antes de mais vivido como um contínuo da acção social. |
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