Publicação
Risk factor management in a community-based cardiac rehabilitation program : what still needs to be done?
| Resumo: | A reabilitação cardíaca (RC) é uma intervenção multidisciplinar concebida para reduzir o risco cardiovascular (CV) através da promoção de um estilo de vida ativo e da gestão dos fatores de risco. Depois de completar um programa de RC de fase II, é importante manter o controlo dos fatores de risco CV a longo prazo. No entanto, muitos doentes CV não atingem, a longo prazo, as metas propostas pelas recomendações europeias. Portanto, é relevante entender quais os fatores de risco que não estão a ser devidamente controlados de modo a que seja possível personalizar e melhorar a eficácia de programas comunitários de RC de longo prazo. Este estudo observacional foi desenhado para caracterizar os fatores de risco CV modificáveis, incluindo o perfil lipídico, a composição corporal, a atividade física e o CS de pessoas com doença arterial coronária (DAC) admitidos no programa RC realizado no Centro de Reabilitação Cardiovascular da Universidade de Lisboa (CRECUL). Foram realizadas uma análise transversal no momento de entrada no programa de RC e uma análise longitudinal passados 12 meses após a entrada no programa de RC. Os doentes foram avaliados no início do estudo e, posteriormente, anualmente, realizando avaliações com o objetivo de definir a prevalência de fatores de risco CV e avaliar a composição corporal (peso e índice de massa corporal (IMC), atividade física (atividade física de intensidade moderada a vigorosa (AFMV), média da AFMV e tempo sedentário (TS)) e perfil lipídico (colesterol total, colesterol de lipoproteína de alta densidade (LDL), colesterol de lipoproteína de baixa densidade (HDL), colesterol de lipoproteína de não alta (não-HDL) densidade e triglicéridos (TG)). A composição corporal foi avaliada através de uma densitometria raio-x de dupla energia, com o objetivo de avaliar o peso corporal e massa gorda. Em relação ao IMC, este foi classificado da seguinte forma: IMC ≥ 30.0 /2 para obesidade e IMC entre 25.0 e 30.0 /2 para excesso de peso. O padrão de atividade física e o CS foram avaliados objetivamente através do uso de um acelerómetro. A classificação de pessoa fisicamente inativa foi considerada sempre que fossem praticados menos de 150 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana ou 75 minutos de atividade física aeróbica de intensidade vigorosa por semana ou uma combinação equivalente de ambas as intensidades e foi considerada uma pessoa sedentária quem tivesse um TS > 7,5 horas/dia. O perfil lipídico foi obtido a partir de análises ao sangue, sendo considerados níveis de colesterol LDL não controlados para um valor de colesterol LDL > 55 mg/dL. A amostra foi composta por 96 pessoas com DAC antes de entrar num programa comunitário de RC de fase III (61.8 ± 9.7 anos, 12.5% do sexo feminino), em que 89.6% participaram num programa anterior de RC de fase II. Diferenças estatísticas foram observadas na prevalência de dislipidemia sendo maior em doentes que não realizaram um programa de RC de fase II (p < 0.050). No início do programa de RC fase III, 53.1% dos doentes estavam diagnosticados com hipertensão, 20.8% com diabetes mellitus e 55.2% com dislipidemia. O fator de risco mais prevalente foi o CS (100.0%), seguido dos valores altos apresentados do colesterol LDL (72.9%). O valor médio do IMC foi de 27.4 ± 4.3 kg/m2, sendo a maioria dos doentes classificados com excesso de peso (40.6%) ou obesidade (20.8%). A média da AFMV foi de 334.5 ± 177.2 min/semana. Apenas 11.5% foram considerados fisicamente inativos, contudo todos os pacientes foram considerados sedentários. Após uma intervenção de 12 meses (n = 31, 9.7% do sexo feminino, idade média de 63.8 ± 8.1 anos), os níveis de colesterol LDL foram mantidos acima das metas (linha de base: 69.5 ± 23.8 mg/dL e acompanhamento: 64.8 ± 14.8 mg /dL, p = 0.230), o IMC não se alterou (linha de base: 27.0 ± 3.1 kg/m2 e acompanhamento: 27.3 ± 3.2 kg/m2, p = 0.132) e o CS permaneceu alto (linha de base: 11.5 ± 2.6 horas/dia e acompanhamento: 11.9 ± 2.9 horas/dia, p = 0.845). Embora a AFMV tenha diminuído (linha de base: 309.4 ± 157.8 min/semana e acompanhamento: 274.8 ± 165.6 min/semana, p = 0.224), os participantes ainda estavam no alvo, entre 150 e 300 min de AFMV por semana. Em conclusão, os resultados desta pesquisa revelaram que a grande maioria das pessoas com DAC que entraram e participaram durante 12 meses num programa de RC de fase III não apresentavam uma composição corporal, níveis de colesterol LDL ou CS ideais. A atividade física foi o fator de risco CV mais bem controlado. Para concluir, este estudo destaca a importância da otimização de estratégias para melhorar o controlo dos fatores de risco CV. Futuras estratégias devem ser implementadas para melhor controlo do colesterol LDL, da composição corporal e do CS. |
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| Autores principais: | Salgueiro, Diogo Rafael Lopes |
| Assunto: | Doença arterial coronária Comportamento sedentário Reabilitação cardíaca Composição corporal Gestão de fatores de risco Colesterol Teses de mestrado - 2024 |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A reabilitação cardíaca (RC) é uma intervenção multidisciplinar concebida para reduzir o risco cardiovascular (CV) através da promoção de um estilo de vida ativo e da gestão dos fatores de risco. Depois de completar um programa de RC de fase II, é importante manter o controlo dos fatores de risco CV a longo prazo. No entanto, muitos doentes CV não atingem, a longo prazo, as metas propostas pelas recomendações europeias. Portanto, é relevante entender quais os fatores de risco que não estão a ser devidamente controlados de modo a que seja possível personalizar e melhorar a eficácia de programas comunitários de RC de longo prazo. Este estudo observacional foi desenhado para caracterizar os fatores de risco CV modificáveis, incluindo o perfil lipídico, a composição corporal, a atividade física e o CS de pessoas com doença arterial coronária (DAC) admitidos no programa RC realizado no Centro de Reabilitação Cardiovascular da Universidade de Lisboa (CRECUL). Foram realizadas uma análise transversal no momento de entrada no programa de RC e uma análise longitudinal passados 12 meses após a entrada no programa de RC. Os doentes foram avaliados no início do estudo e, posteriormente, anualmente, realizando avaliações com o objetivo de definir a prevalência de fatores de risco CV e avaliar a composição corporal (peso e índice de massa corporal (IMC), atividade física (atividade física de intensidade moderada a vigorosa (AFMV), média da AFMV e tempo sedentário (TS)) e perfil lipídico (colesterol total, colesterol de lipoproteína de alta densidade (LDL), colesterol de lipoproteína de baixa densidade (HDL), colesterol de lipoproteína de não alta (não-HDL) densidade e triglicéridos (TG)). A composição corporal foi avaliada através de uma densitometria raio-x de dupla energia, com o objetivo de avaliar o peso corporal e massa gorda. Em relação ao IMC, este foi classificado da seguinte forma: IMC ≥ 30.0 /2 para obesidade e IMC entre 25.0 e 30.0 /2 para excesso de peso. O padrão de atividade física e o CS foram avaliados objetivamente através do uso de um acelerómetro. A classificação de pessoa fisicamente inativa foi considerada sempre que fossem praticados menos de 150 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana ou 75 minutos de atividade física aeróbica de intensidade vigorosa por semana ou uma combinação equivalente de ambas as intensidades e foi considerada uma pessoa sedentária quem tivesse um TS > 7,5 horas/dia. O perfil lipídico foi obtido a partir de análises ao sangue, sendo considerados níveis de colesterol LDL não controlados para um valor de colesterol LDL > 55 mg/dL. A amostra foi composta por 96 pessoas com DAC antes de entrar num programa comunitário de RC de fase III (61.8 ± 9.7 anos, 12.5% do sexo feminino), em que 89.6% participaram num programa anterior de RC de fase II. Diferenças estatísticas foram observadas na prevalência de dislipidemia sendo maior em doentes que não realizaram um programa de RC de fase II (p < 0.050). No início do programa de RC fase III, 53.1% dos doentes estavam diagnosticados com hipertensão, 20.8% com diabetes mellitus e 55.2% com dislipidemia. O fator de risco mais prevalente foi o CS (100.0%), seguido dos valores altos apresentados do colesterol LDL (72.9%). O valor médio do IMC foi de 27.4 ± 4.3 kg/m2, sendo a maioria dos doentes classificados com excesso de peso (40.6%) ou obesidade (20.8%). A média da AFMV foi de 334.5 ± 177.2 min/semana. Apenas 11.5% foram considerados fisicamente inativos, contudo todos os pacientes foram considerados sedentários. Após uma intervenção de 12 meses (n = 31, 9.7% do sexo feminino, idade média de 63.8 ± 8.1 anos), os níveis de colesterol LDL foram mantidos acima das metas (linha de base: 69.5 ± 23.8 mg/dL e acompanhamento: 64.8 ± 14.8 mg /dL, p = 0.230), o IMC não se alterou (linha de base: 27.0 ± 3.1 kg/m2 e acompanhamento: 27.3 ± 3.2 kg/m2, p = 0.132) e o CS permaneceu alto (linha de base: 11.5 ± 2.6 horas/dia e acompanhamento: 11.9 ± 2.9 horas/dia, p = 0.845). Embora a AFMV tenha diminuído (linha de base: 309.4 ± 157.8 min/semana e acompanhamento: 274.8 ± 165.6 min/semana, p = 0.224), os participantes ainda estavam no alvo, entre 150 e 300 min de AFMV por semana. Em conclusão, os resultados desta pesquisa revelaram que a grande maioria das pessoas com DAC que entraram e participaram durante 12 meses num programa de RC de fase III não apresentavam uma composição corporal, níveis de colesterol LDL ou CS ideais. A atividade física foi o fator de risco CV mais bem controlado. Para concluir, este estudo destaca a importância da otimização de estratégias para melhorar o controlo dos fatores de risco CV. Futuras estratégias devem ser implementadas para melhor controlo do colesterol LDL, da composição corporal e do CS. |
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