Publicação

Avaliação do impacto da implementação de um programa de qualidade de leite na Ilha Terceira

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O objetivo deste trabalho foi avaliar o impacto da implementação de um programa de qualidade de leite em oito explorações da Ilha Terceira. Durante sete meses, foram realizadas visitas de qualidade de leite de periodicidade mensal às oito explorações, onde através de uma Checklist (elaborada pelos orientadores e pela autora) foram avaliados fatores de risco com potencial impacto na qualidade de leite como: máquina de ordenha, maneio e ambiente, rotina de ordenha e pontuações individuais (hiperqueratose e limpeza dos tetos e higiene do úbere); foi realizada a análise de registos (contraste leiteiro e mamites clínicas) e foram feitas análises microbiológicas. No fim do programa de qualidade de leite, cada exploração foi exposta a um total de quatro visitas de qualidade de leite. A partir de toda a informação reunida foi elaborado um relatório adaptado a cada exploração. De forma a aumentar a dinâmica de transmissão de informação, foram feitas reuniões com apresentações em PowerPoint®, para sensibilização do produtor e ordenhadores. Após a intervenção foi feita uma comparação dos resultados obtidos no início e fim da intervenção, tendo-se observado uma diminuição da CCS em 60% das explorações e CCS abaixo das 200.000 células/ml em 50% das explorações. As vacas com mamite crónica mantiveram-se um pouco acima do recomendado podendo dever-se a má gestão de políticas de refugo. A máquina de ordenha foi um dos maiores fatores de risco visto que a manutenção e inspeção não era feita de forma periódica. Na rotina de ordenha os principais problemas identificados foram: a não separação dos animais segundo o estado de infeção do úbere, vacas pouco estimuladas no momento da acoplagem das tetinas e sobreordenha. Em termos microbiológicos registaram-se 57% de culturas negativas, 7 % de isolamento de microrganismos contagiosos e 12% de microrganismos ambientais. Das recomendações propostas observaram-se taxas de cumprimento acima de 50% na larga maioria das explorações. Para melhorar a qualidade de leite de uma exploração é importante que o veterinário construa uma relação de confiança com o produtor. Sendo assim antes de partir para um programa de qualidade de leite, é importante que os produtores estejam abertos à mudança, sendo imprescindível para o Médico-Veterinário identificar o tipo de produtor presente em cada exploração de forma a adotar a melhor estratégia de comunicação.
Autores principais:Fagundes, Vanessa Maria Toste
Assunto:Qualidade de leite CCS Rotina de ordenha Máquina de ordenha Microbiologia Recomendações Milk Quality SCC Milking Routine Milking Machinery Microbiology Recommendations
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O objetivo deste trabalho foi avaliar o impacto da implementação de um programa de qualidade de leite em oito explorações da Ilha Terceira. Durante sete meses, foram realizadas visitas de qualidade de leite de periodicidade mensal às oito explorações, onde através de uma Checklist (elaborada pelos orientadores e pela autora) foram avaliados fatores de risco com potencial impacto na qualidade de leite como: máquina de ordenha, maneio e ambiente, rotina de ordenha e pontuações individuais (hiperqueratose e limpeza dos tetos e higiene do úbere); foi realizada a análise de registos (contraste leiteiro e mamites clínicas) e foram feitas análises microbiológicas. No fim do programa de qualidade de leite, cada exploração foi exposta a um total de quatro visitas de qualidade de leite. A partir de toda a informação reunida foi elaborado um relatório adaptado a cada exploração. De forma a aumentar a dinâmica de transmissão de informação, foram feitas reuniões com apresentações em PowerPoint®, para sensibilização do produtor e ordenhadores. Após a intervenção foi feita uma comparação dos resultados obtidos no início e fim da intervenção, tendo-se observado uma diminuição da CCS em 60% das explorações e CCS abaixo das 200.000 células/ml em 50% das explorações. As vacas com mamite crónica mantiveram-se um pouco acima do recomendado podendo dever-se a má gestão de políticas de refugo. A máquina de ordenha foi um dos maiores fatores de risco visto que a manutenção e inspeção não era feita de forma periódica. Na rotina de ordenha os principais problemas identificados foram: a não separação dos animais segundo o estado de infeção do úbere, vacas pouco estimuladas no momento da acoplagem das tetinas e sobreordenha. Em termos microbiológicos registaram-se 57% de culturas negativas, 7 % de isolamento de microrganismos contagiosos e 12% de microrganismos ambientais. Das recomendações propostas observaram-se taxas de cumprimento acima de 50% na larga maioria das explorações. Para melhorar a qualidade de leite de uma exploração é importante que o veterinário construa uma relação de confiança com o produtor. Sendo assim antes de partir para um programa de qualidade de leite, é importante que os produtores estejam abertos à mudança, sendo imprescindível para o Médico-Veterinário identificar o tipo de produtor presente em cada exploração de forma a adotar a melhor estratégia de comunicação.