Publicação
Para além da dicotomia cuidar/educar : sentidos e significados da intervenção no contexto de creche
| Resumo: | No desenvolvimento do presente estudo colocámo-nos numa perspetiva heurística de compreensão dos sentidos e significados que as educadoras de infância atribuem às suas práticas pedagógicas, ou seja, como vivem e pensam a sua profissão no contexto de creche, bem como a(s) forma(s) como pensam a educação nesta valência e como se veem a si próprias enquanto educadoras no atendimento de crianças dos zero aos três anos. Em suma, como encaram o (seu) profissionalismo docente e a sua identidade profissional. Para conseguirmos esse entendimento procurámos aceder ao conhecimento de alguns traços das suas trajetórias pessoais e profissionais e dos contextos onde atuam. Do ponto de vista metodológico, o estudo inscreve-se num paradigma de natureza qualitativa e interpretativa com características de estudo de caso múltiplo. A incursão empírica realizou-se em três estabelecimentos educativos (rede privada e social), com a participação de seis educadoras de infância. Para a recolha da informação recorremos a observações, pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas individuais e coletiva (focus group). A análise interpretativa da informação recolhida permitiu compreender que as educadoras de infância procuram atribuir à educação das crianças em contexto de creche uma especificidade teoricamente fundamentada, o que efetivam através da afirmação de uma intencionalidade da ação educativa e da procura permanente de construção de um discurso educacional, no sentido de ultrapassar a visão assistencialista da intervenção que tende a prevalecer. Tais processos são consubstanciados por interações humanas, através de uma intervenção revestida de sentido ético, afetividade, responsabilidade e respeito pelas crianças, famílias e equipas educativas. Atuam como facilitadoras das trocas sociais entre adultos e crianças, multiplicando-se em funções, pelo que têm necessidade de recorrer a diferentes domínios do saber. A valorização dos saberes construídos num diálogo permanente com a situação real, a construção de uma pedagogia articulada entre as equipas educativas e as famílias, a inovação na divulgação das práticas pedagógicas conduzem a traços identitários destas educadoras e singularizam a sua identidade profissional. |
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| Autores principais: | Correia, Isabel Maria Tomázio, 1963- |
| Assunto: | Teses de doutoramento - 2018 |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | No desenvolvimento do presente estudo colocámo-nos numa perspetiva heurística de compreensão dos sentidos e significados que as educadoras de infância atribuem às suas práticas pedagógicas, ou seja, como vivem e pensam a sua profissão no contexto de creche, bem como a(s) forma(s) como pensam a educação nesta valência e como se veem a si próprias enquanto educadoras no atendimento de crianças dos zero aos três anos. Em suma, como encaram o (seu) profissionalismo docente e a sua identidade profissional. Para conseguirmos esse entendimento procurámos aceder ao conhecimento de alguns traços das suas trajetórias pessoais e profissionais e dos contextos onde atuam. Do ponto de vista metodológico, o estudo inscreve-se num paradigma de natureza qualitativa e interpretativa com características de estudo de caso múltiplo. A incursão empírica realizou-se em três estabelecimentos educativos (rede privada e social), com a participação de seis educadoras de infância. Para a recolha da informação recorremos a observações, pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas individuais e coletiva (focus group). A análise interpretativa da informação recolhida permitiu compreender que as educadoras de infância procuram atribuir à educação das crianças em contexto de creche uma especificidade teoricamente fundamentada, o que efetivam através da afirmação de uma intencionalidade da ação educativa e da procura permanente de construção de um discurso educacional, no sentido de ultrapassar a visão assistencialista da intervenção que tende a prevalecer. Tais processos são consubstanciados por interações humanas, através de uma intervenção revestida de sentido ético, afetividade, responsabilidade e respeito pelas crianças, famílias e equipas educativas. Atuam como facilitadoras das trocas sociais entre adultos e crianças, multiplicando-se em funções, pelo que têm necessidade de recorrer a diferentes domínios do saber. A valorização dos saberes construídos num diálogo permanente com a situação real, a construção de uma pedagogia articulada entre as equipas educativas e as famílias, a inovação na divulgação das práticas pedagógicas conduzem a traços identitários destas educadoras e singularizam a sua identidade profissional. |
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