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Origens psicológicas das crenças na vida após a morte:aplicação de uma perspectiva evolutiva ao estudo do pensamento religioso

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta dissertação procurou investigar as origens psicológicas das crenças na vida após a morte (VAM). Estas crenças encontram-se em todas as culturas humanas, incluindo as de Homo sapiens pré-históricas. Esta recorrência e prevalência ao longo do tempo sugerem que, apesar da sua variabilidade intercultural, as crenças na VAM dependem de processos psicológicos universais. Ao longo de várias fases de investigação empírica, averiguou-se a existência de constrangimentos psicológicos que pudessem ser responsáveis pelo desenvolvimento intuitivo de ideias acerca da continuidade do Eu após a morte. Os resultados obtidos revelaram a existência de processos cognitivos e fenomenológicos relacionados com a consciência do Eu e sua relação com o corpo que parecem contribuir para criar uma tendência, independente das crenças explícitas na VAM, para atribuir ao Eu-morto a capacidade de ter experiências perceptivas, emocionais, epistémicas e motivacionais. O esclarecimento das origens psicológicas das crenças na VAM não ficaria, porém, concluído com a demonstração de uma tendência actual para representar implicitamente o Eu-morto como capaz de continuar a ter estados mentais. Seria necessário demonstrar a existência de uma tendência histórica e transcultural para acreditar na continuação do Eu após a morte. Para isso foi feita uma comparação intercultural do conceito de alma e sua sobrevivência em doze tradições culturais representativas de vários contextos históricos e geográficos e de tradições religiosas formais e informais. O cruzamento da informação revelou que o padrão de experiências e características atribuídas à alma após a morte pelas doze tradições é idêntico entre si e ao detectado durante os estudos empíricos anteriores. O conjunto de dados recolhidos ao longo das três fases da investigação sugere a existência de uma tendência, recorrente em Homo sapiens para acreditar na continuidade do Eu após a morte, tendência essa que se alicerça em processos psicológicos que caracterizam a consciência e fenomenologia do Eu da espécie.
Autores principais:Pereira, Vera Mónica Borrega, 1981-
Assunto:Teses de doutoramento - 2012
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta dissertação procurou investigar as origens psicológicas das crenças na vida após a morte (VAM). Estas crenças encontram-se em todas as culturas humanas, incluindo as de Homo sapiens pré-históricas. Esta recorrência e prevalência ao longo do tempo sugerem que, apesar da sua variabilidade intercultural, as crenças na VAM dependem de processos psicológicos universais. Ao longo de várias fases de investigação empírica, averiguou-se a existência de constrangimentos psicológicos que pudessem ser responsáveis pelo desenvolvimento intuitivo de ideias acerca da continuidade do Eu após a morte. Os resultados obtidos revelaram a existência de processos cognitivos e fenomenológicos relacionados com a consciência do Eu e sua relação com o corpo que parecem contribuir para criar uma tendência, independente das crenças explícitas na VAM, para atribuir ao Eu-morto a capacidade de ter experiências perceptivas, emocionais, epistémicas e motivacionais. O esclarecimento das origens psicológicas das crenças na VAM não ficaria, porém, concluído com a demonstração de uma tendência actual para representar implicitamente o Eu-morto como capaz de continuar a ter estados mentais. Seria necessário demonstrar a existência de uma tendência histórica e transcultural para acreditar na continuação do Eu após a morte. Para isso foi feita uma comparação intercultural do conceito de alma e sua sobrevivência em doze tradições culturais representativas de vários contextos históricos e geográficos e de tradições religiosas formais e informais. O cruzamento da informação revelou que o padrão de experiências e características atribuídas à alma após a morte pelas doze tradições é idêntico entre si e ao detectado durante os estudos empíricos anteriores. O conjunto de dados recolhidos ao longo das três fases da investigação sugere a existência de uma tendência, recorrente em Homo sapiens para acreditar na continuidade do Eu após a morte, tendência essa que se alicerça em processos psicológicos que caracterizam a consciência e fenomenologia do Eu da espécie.