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Efeito da pré-exposição a selénio na toxicidade do metilmercúrio em astrócitos e células da microglia

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O metilmercúrio (MeHg) é a principal forma de exposição humana a mercúrio (Hg), acontecendo principalmente pelo consumo de peixe do topo da cadeia alimentar (peixe-espada, atum, tubarão, etc.). O consumo excessivo de peixe causa uma exposição crónica ao MeHg causando efeitos neurotóxicos nefastos sobretudo na população infantil e durante desenvolvimento fetal. Tendo sido relatado que em Portugal foram encontrados níveis de MeHg acima do estipulado como seguro pela European Food Safety Authority (EFSA) em crianças e grávidas. É por isso importante a prevenção da exposição ao MeHg e estabelecer novas estratégias de prevenção do risco de toxicidade por MeHg. O principal mecanismo de toxicidade do MeHg a nível molecular relaciona-se com elevada afinidade para o grupo selenol (SeH) dos resíduos Sec das selenoproteínas do sistema redox reduzindo a atividade antioxidante destas enzimas. No organismo, o selénio (Se) ingerido é reduzido à forma de seleneto (Se2-) que por sua vez é importante na atividade antioxidante das selenoproteínas ao ser incorporado no resíduo de selenocisteína (Sec) do sítio ativo destas enzimas. Compreender o efeito da interação entre o MeHg e o Se ao nível dos sistemas redox poderá ser uma forma de mitigar os efeitos negativos do MeHg. Este trabalho teve por objetivo avaliar o efeito da suplementação com selénio na viabilidade celular de astrócitos e células da microglia expostas a metilmercúrio e estabelecer a sua ligação à síntese de selenoproteínas. A viabilidade de ambas as linhas celulares diminuiu em função da concentração de MeHg e foi dependente do tempo de exposição. Ademais a microglia foi a mais vulnerável à citotoxicidade induzida pelo MeHg devido a uma menor quantidade de selenoproteínas disponível nestas células. Verificou-se que a exposição a Se teve um efeito protetor da viabilidade de ambas as linhas celulares expostas a MeHg, em particular a níveis mais reduzidos de Se (0,1 vs 0,5 μM). A pré-exposição a Se aumentou consideravelmente a expressão das selenoproteínas do sistema da glutationa, GPx1 e GPx4. Com efeito na microglia verificou-se um aumento de 3 e 40 vezes na GPx4 e GPx1 enquanto nos astrócitos esse aumento foi de 10 e 5 vezes respetivamente. Curiosamente a expressão da TrxR1, um dos principais alvos moleculares do MeHg teve apenas um pequeno aumento resultante da suplementação com Se, o que se pode explicar pelo facto dos seus níveis basais serem já mais elevados. Por fim, observou-se que enquanto o MeHg inibe translocação nuclear do Nrf-2, a pré-exposição a Se promove-a, o que explica por sua vez o aumento da síntese das selenoproteínas. No seu conjunto estes resultados mostram que suplementação com Se e a otimização da síntese das selenopoteínas são um fator essencial na proteção das células contra a toxicidade do MeHg.
Autores principais:Cousiño, Miguel Alexandre Rodrigues
Assunto:Metilmercúrio Selénio Selenoproteínas Nrf-2 Células da glia Mestrado Integrado - 2024
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O metilmercúrio (MeHg) é a principal forma de exposição humana a mercúrio (Hg), acontecendo principalmente pelo consumo de peixe do topo da cadeia alimentar (peixe-espada, atum, tubarão, etc.). O consumo excessivo de peixe causa uma exposição crónica ao MeHg causando efeitos neurotóxicos nefastos sobretudo na população infantil e durante desenvolvimento fetal. Tendo sido relatado que em Portugal foram encontrados níveis de MeHg acima do estipulado como seguro pela European Food Safety Authority (EFSA) em crianças e grávidas. É por isso importante a prevenção da exposição ao MeHg e estabelecer novas estratégias de prevenção do risco de toxicidade por MeHg. O principal mecanismo de toxicidade do MeHg a nível molecular relaciona-se com elevada afinidade para o grupo selenol (SeH) dos resíduos Sec das selenoproteínas do sistema redox reduzindo a atividade antioxidante destas enzimas. No organismo, o selénio (Se) ingerido é reduzido à forma de seleneto (Se2-) que por sua vez é importante na atividade antioxidante das selenoproteínas ao ser incorporado no resíduo de selenocisteína (Sec) do sítio ativo destas enzimas. Compreender o efeito da interação entre o MeHg e o Se ao nível dos sistemas redox poderá ser uma forma de mitigar os efeitos negativos do MeHg. Este trabalho teve por objetivo avaliar o efeito da suplementação com selénio na viabilidade celular de astrócitos e células da microglia expostas a metilmercúrio e estabelecer a sua ligação à síntese de selenoproteínas. A viabilidade de ambas as linhas celulares diminuiu em função da concentração de MeHg e foi dependente do tempo de exposição. Ademais a microglia foi a mais vulnerável à citotoxicidade induzida pelo MeHg devido a uma menor quantidade de selenoproteínas disponível nestas células. Verificou-se que a exposição a Se teve um efeito protetor da viabilidade de ambas as linhas celulares expostas a MeHg, em particular a níveis mais reduzidos de Se (0,1 vs 0,5 μM). A pré-exposição a Se aumentou consideravelmente a expressão das selenoproteínas do sistema da glutationa, GPx1 e GPx4. Com efeito na microglia verificou-se um aumento de 3 e 40 vezes na GPx4 e GPx1 enquanto nos astrócitos esse aumento foi de 10 e 5 vezes respetivamente. Curiosamente a expressão da TrxR1, um dos principais alvos moleculares do MeHg teve apenas um pequeno aumento resultante da suplementação com Se, o que se pode explicar pelo facto dos seus níveis basais serem já mais elevados. Por fim, observou-se que enquanto o MeHg inibe translocação nuclear do Nrf-2, a pré-exposição a Se promove-a, o que explica por sua vez o aumento da síntese das selenoproteínas. No seu conjunto estes resultados mostram que suplementação com Se e a otimização da síntese das selenopoteínas são um fator essencial na proteção das células contra a toxicidade do MeHg.