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Abordagem proactiva à terapêutica da dermatite atópica canina

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Resumo:A dermatite atópica canina (DAC) é uma doença cutânea, crónica e recorrente, de foro alérgico e inflamatório, com predisposição genética. Tem um carácter multifactorial, implicando uma reacção de hipersensibilidade do tipo I a alergénios ambientais e uma barreira cutânea débil, entre outros. É uma das doenças dermatológicas mais comum no cão, existindo predisposição em certas raças, como o Bouledogue Francês, o Cocker Spaniel, o Labrador Retriever, o Golden Retriever, o West Highland White Terrier. A doença manifesta-se normalmente entre os 6 meses e os 3 anos de idade. As lesões distribuem-se tipicamente por determinadas regiões corporais, como a periocular, as comissuras labiais, os pavilhões auriculares, interdigital ventral e dorsal, perianal, entre outras. O primeiro sinal é o prurido, que é posteriormente acompanhado de eritema, seguindo-se as alterações secundárias (alopécia; escoriações; alteração da pigmentação do pêlo; seborreia seca; colaretes; crostas) e as crónicas (liquenificação; hiperpigmentação cutânea; nódulos e/ou feridas por lambedura acral). O diagnóstico da doença é feito com base na anamnese, no exame físico, na exclusão de doenças com manifestações clínicas idênticas e na existência de provas alérgicas positivas. A DAC não tem cura, podendo apenas ser controlada, requerendo manutenção para o resto da vida do animal. Este controlo consiste numa terapêutica multimodal, que pode incluir as seguintes abordagens: evicção de alergénios, reforço da barreira cutânea, fármacos anti-inflamatórios sistémicos e tópicos, imunoterapia específica, terapêutica antimicrobiana, entre outros. Os tratamentos com boa evidência de eficácia são os glucocorticóides orais e tópicos, os inibidores da calcineurina, a imunoterapia específica e o interferão gama. Actualmente os glucocorticóides tópicos são usados eficazmente no controlo das crises agudas da DAC com administrações diárias, sendo o tratamento a longo-prazo um desafio. Tal como se conclui para os humanos, seria interessante perceber se o seu uso intermitente como tratamento de manutenção nas fases de remissão da doença é benéfico. O ensaio realizado teve como objectivo avaliar a eficácia da manutenção da DAC a longo-prazo com o tratamento de fim-de-semana com Aceponato de Hidrocortisona a 0,0584% (Cortavance). Tratou-se de um estudo duplamente cego, controlado com placebo, aleatório e com dois grupos paralelos. Consistiu em duas fases, a resolução da fase aguda e a fase de manutenção com Cortavance ou Placebo bisemanal até nova recidiva. Perante a análise dos dados obtidos, conclui-se que o uso proactivo de Cortavance, duas vezes por semana durante a FM do animal com DAC, permite retardar novas crises agudas da doença.
Autores principais:Nóbrega, Diana Rafaela Ferreira da
Assunto:Dermatite atópica canina Cortavance Fase aguda Fase de manutenção Recidiva Maintenance stage Canine atopic dermatitis Acute stage Relaps
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:trabalho de fim de curso
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A dermatite atópica canina (DAC) é uma doença cutânea, crónica e recorrente, de foro alérgico e inflamatório, com predisposição genética. Tem um carácter multifactorial, implicando uma reacção de hipersensibilidade do tipo I a alergénios ambientais e uma barreira cutânea débil, entre outros. É uma das doenças dermatológicas mais comum no cão, existindo predisposição em certas raças, como o Bouledogue Francês, o Cocker Spaniel, o Labrador Retriever, o Golden Retriever, o West Highland White Terrier. A doença manifesta-se normalmente entre os 6 meses e os 3 anos de idade. As lesões distribuem-se tipicamente por determinadas regiões corporais, como a periocular, as comissuras labiais, os pavilhões auriculares, interdigital ventral e dorsal, perianal, entre outras. O primeiro sinal é o prurido, que é posteriormente acompanhado de eritema, seguindo-se as alterações secundárias (alopécia; escoriações; alteração da pigmentação do pêlo; seborreia seca; colaretes; crostas) e as crónicas (liquenificação; hiperpigmentação cutânea; nódulos e/ou feridas por lambedura acral). O diagnóstico da doença é feito com base na anamnese, no exame físico, na exclusão de doenças com manifestações clínicas idênticas e na existência de provas alérgicas positivas. A DAC não tem cura, podendo apenas ser controlada, requerendo manutenção para o resto da vida do animal. Este controlo consiste numa terapêutica multimodal, que pode incluir as seguintes abordagens: evicção de alergénios, reforço da barreira cutânea, fármacos anti-inflamatórios sistémicos e tópicos, imunoterapia específica, terapêutica antimicrobiana, entre outros. Os tratamentos com boa evidência de eficácia são os glucocorticóides orais e tópicos, os inibidores da calcineurina, a imunoterapia específica e o interferão gama. Actualmente os glucocorticóides tópicos são usados eficazmente no controlo das crises agudas da DAC com administrações diárias, sendo o tratamento a longo-prazo um desafio. Tal como se conclui para os humanos, seria interessante perceber se o seu uso intermitente como tratamento de manutenção nas fases de remissão da doença é benéfico. O ensaio realizado teve como objectivo avaliar a eficácia da manutenção da DAC a longo-prazo com o tratamento de fim-de-semana com Aceponato de Hidrocortisona a 0,0584% (Cortavance). Tratou-se de um estudo duplamente cego, controlado com placebo, aleatório e com dois grupos paralelos. Consistiu em duas fases, a resolução da fase aguda e a fase de manutenção com Cortavance ou Placebo bisemanal até nova recidiva. Perante a análise dos dados obtidos, conclui-se que o uso proactivo de Cortavance, duas vezes por semana durante a FM do animal com DAC, permite retardar novas crises agudas da doença.