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Utilização do estuário do Sado pela população residente de roazes (Turisops truncatus) e interacções com a navegação

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Desde os anos 80 que se realizam estudos sobre a população de roazes do estuário do Sado, no entanto, o conhecimento que se tem da sua utilização do estuário e interacções com as embarcações é relativamente reduzido, desde logo, devido aos métodos utilizados até agora para o fazer, nomeadamente a utilização de sectores com resolução demasiado pequena para estudo de interferência das embarcações, ou estudos com obtenção de posições GPS a bordo de embarcações, que naturalmente mascaram os efeitos da presença/ausência de embarcações. Com o recurso à medição de ângulos a partir de pontos em terra (goniometria), esses problemas ficam resolvidos, e é possível determinar com precisão a posição de alvos no estuário (roazes ou embarcações), bem como as possíveis interferências da navegação sobre a população. Foram efectuadas observações entre Maio de 2011 e Junho de 2012, contabilizando um total de 139 horas de observação, tendo sido avistados roazes durante 44,5 horas. Nessas observações foi possível evidenciar a clara preferência dos roazes pelo canal Sul do estuário, assim como pela barra (utilizada para a transposição entre o meio estuarino e o meio oceânico), o que está de acordo com estudos anteriores sobre a população. Foi também possível inferir uma preferência pela entrada no estuário durante os períodos de enchente da maré (e saída durante a vazante), mostrando assim a utilização da maré pelos roazes em seu proveito. Face aos encontros entre roazes e embarcações, poucos foram os que resultaram num afastamento ou desaparecimento do grupo, mostrando assim, que apesar do estuário do Sado ter um nível de tráfego marítimo elevado, os roazes parecem estar adaptados, sendo que na maioria das vezes mantêm o seu comportamento anterior aquando da presença de uma embarcação em seu redor. A actividade comportamental mais observada foi a deslocação (79%), seguida da socialização (13%), e da alimentação (8%). Nunca foi observado repouso, durante as observações. De entre os comportamentos observados, os saltos foram os mais frequentes (54%), talvez devido à facilidade de registo dos mesmos, mesmo a longas distâncias. Não foi, no entanto, observada uma utilização diferencial do estuário.
Autores principais:Brito, Inês Margarida Bernardo, 1989-
Assunto:Mamíferos aquáticos Golfinhos Impacto ambiental Estuário do Sado - Portugal Teses de mestrado - 2012
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Desde os anos 80 que se realizam estudos sobre a população de roazes do estuário do Sado, no entanto, o conhecimento que se tem da sua utilização do estuário e interacções com as embarcações é relativamente reduzido, desde logo, devido aos métodos utilizados até agora para o fazer, nomeadamente a utilização de sectores com resolução demasiado pequena para estudo de interferência das embarcações, ou estudos com obtenção de posições GPS a bordo de embarcações, que naturalmente mascaram os efeitos da presença/ausência de embarcações. Com o recurso à medição de ângulos a partir de pontos em terra (goniometria), esses problemas ficam resolvidos, e é possível determinar com precisão a posição de alvos no estuário (roazes ou embarcações), bem como as possíveis interferências da navegação sobre a população. Foram efectuadas observações entre Maio de 2011 e Junho de 2012, contabilizando um total de 139 horas de observação, tendo sido avistados roazes durante 44,5 horas. Nessas observações foi possível evidenciar a clara preferência dos roazes pelo canal Sul do estuário, assim como pela barra (utilizada para a transposição entre o meio estuarino e o meio oceânico), o que está de acordo com estudos anteriores sobre a população. Foi também possível inferir uma preferência pela entrada no estuário durante os períodos de enchente da maré (e saída durante a vazante), mostrando assim a utilização da maré pelos roazes em seu proveito. Face aos encontros entre roazes e embarcações, poucos foram os que resultaram num afastamento ou desaparecimento do grupo, mostrando assim, que apesar do estuário do Sado ter um nível de tráfego marítimo elevado, os roazes parecem estar adaptados, sendo que na maioria das vezes mantêm o seu comportamento anterior aquando da presença de uma embarcação em seu redor. A actividade comportamental mais observada foi a deslocação (79%), seguida da socialização (13%), e da alimentação (8%). Nunca foi observado repouso, durante as observações. De entre os comportamentos observados, os saltos foram os mais frequentes (54%), talvez devido à facilidade de registo dos mesmos, mesmo a longas distâncias. Não foi, no entanto, observada uma utilização diferencial do estuário.