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Lithic raw materials in the Late Bronze Age : the case of Fraga dos Corvos (Vilar do Monte, Macedo de Cavaleiros)

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Resumo:Este trabalho foca-se no estudo dos materiais líticos recuperados durante as escavações arqueológicas realizadas entre 2011 e 2016 no sector-M do sítio arqueológico da Fraga dos Corvos. O sítio da Fraga dos Corvos localiza-se no distrito de Bragança, concelho de Macedo dos Cavaleiros, freguesia de Vilar do Monte e corresponde a um esporão rochoso filito-quartzítico situado no vertente noroeste da Serra de Bornes, constituindo a elevação conhecida atualmente como Monte do Vilar. Num ponto central do local, a uma altitude de cerca de 870 m, as coordenadas no Sistema PT- TM06/ETRS89 são x: 99210.635; y: 203272,095. O sítio começou a ser estudado em 2003 sendo que, numa primeira análise, os materiais identificados, concluiu-se serem, atribuíveis à Idade do Bronze e revestirem-se de interesse potencial para o conhecimento regional deste período, justificando um primeiro conjunto de sondagens que conduziu às subsequentes intervenções no local. As quinze campanhas arqueológicas já efetuadas têm, desde aí, sido apoiadas logisticamente pela associação “Terras Quentes” e financiadas pela autarquia local. O sítio divide-se em dois sectores principais, o sector-A – correspondendo a níveis preservados de um habitat do Bronze Médio – e o sector-M, ainda não completamente estudado, mas cujos materiais já recuperados remetem para uma ocupação de um momento avançado do Bronze Final e eventualmente já transicional para a Idade do Ferro. Durante o Bronze Final, o habitat da Fraga dos Corvos foi rodeado por uma muralha em talude que engloba uma área superior a 1ha. O sector-M foi aberto em 2011 na plataforma mais a sul do sítio com o intuito de compreender a relação estratigráfica entre a muralha em talude e as ocupações que lhe são interiores, assim como a sua cronologia e relação com o sector-A. Em termos geológicos, a área de estudo enquadra-se, maioritariamente, no Complexo Alóctone Inferior, abrangendo as unidades litostratigráficas que na Folha 7-D (Macedo de Cavaleiros) da Carta Geológica de Portugal à escala 1:50 000 estão designadas por (de baixo para cima): Formação Filito-Quartzítica, Complexo Vulcano-Silicioso e Formação de Macedo de Cavaleiros. Concretamente, é na primeira formação que se insere o sítio arqueológico da Fraga dos Corvos. Na área ocorrem ainda terrenos recentes compostos por areias, argilas e arcoses, alguns afloramentos de rochas graníticas, uma secção do Complexo Ofiolítico e retalhos do Complexo Alóctone Superior. Com o intuito de melhor compreender os materiais líticos existentes no Sector-M, com que objetivos foram utilizados e qual a sua proveniência, procedeu-se, numa primeira fase, à sua sistematização com base em observação macroscópica, o que permitiu inferir sobre a sua tipologia e natureza litológica. O material recolhido compreende fragmentos de rochas ou de minerais, mas também seixos rolados e blocos que perfazem quase metade (43%) do conjunto lítico. Quanto à tipologia, a maior parte dos artefactos recuperados no Sector-M consistem em fragmentos de dormente e pedras polidas por vezes perfuradas. Em termos de manuportes há uma predominância de elementos não transformados (maioritariamente seixos e blocos rolados) e uma relevante presença de termoclastos e polidores. Os seixos rolados apresentam-se, por vezes, fraturados por exposição a bruscas variações de temperatura (termoclastos) e crê-se, portanto, que tenham sido transportados para o sítio arqueológico com o intuito de serem utilizados no aquecimento de água. Em termos de litologias, estabeleceram-se 8 grupos de rochas/minerais: granitos, rochas básicas, pelítico-psamíticas, quartzo-feldspáticas, quartzito, quartzo, talcoxisto e outros. Predominam o quartzo, quartzito e granito. Foi também possível relacionar algumas características das rochas, como o tamanho do grão e a dureza, com certas atividades. Os granitos, tendencialmente de grão grosseiro, foram principalmente usados para fabricar dormentes, enquanto as rochas metavulcânicas básicas e quartzitos foram usados principalmente como percutores ou martelos. Quase todos os talcoxistos recuperados foram polidos e perfurados, no entanto o seu uso efetivo é ainda alvo de discussão, exceto em alguns casos em que manifestamente correspondem a uma utilização como pendentes. Os poucos exemplares de pedra lascada encontrados no local são maioritariamente em quartzo, existindo, no entanto, uma peça em chert negro, um material muito mais seguro e fácil de trabalhar. A caraterização macroscópica dos materiais líticos do sector-M permitiu inferir sobre a proveniência de muitos deles. Os seixos rolados e calhaus de rio, não trabalhados, e os fragmentos de granito que existem em elevado número no sítio arqueológico, podem ter sido explorados na região, os primeiros nas várias ribeiras e rios que a recortam e o último em afloramentos junto a Vilar do Monte e a sul de Vale Benfeito. O elemento de cherte encontrado no sector-M, poderá ser proveniente do Complexo Vulcano-silicioso da região, dado que nele é conhecida a existência de nódulos de sílica criptocristalina. Porém, tal caraterização não é suficiente para determinar a proveniência dos fragmentos de rochas básicas, pelítico-psamíticas, quartzo-feldspáticas e talcoxistos, pelo que se recorreu a estudos de microscopia ótica e a análises de química mineral com recurso a microssonda eletrónica. Para efeitos de análise comparativa, colheram-se amostras nas diversas unidades metamórficas aflorantes na região nas quais tais fragmentos poderão ter tido origem. Tais amostras foram também alvo de estudos microscópicos e de química mineral. Alguns dos artefactos poderão ter estado envolvidos no trabalho de metal como pequenos martelos e dormentes. Por essa razão, sobre eles foram ainda realizadas análises superficiais por μ-XRF (Micro-Fluorescência Raios-X). Os resultados microscópicos permitiram uma nova divisão, em termos litológicos, das amostras arqueológicas: rochas vulcanoclásticas félsicas, rochas quartzo-filíticas, rochas básicas (anfibolitos e xistosverdes), rochas pelíticas-psamíticas, talco-xistos e quartzitos. O grupo das rochas vulcanoclásticas félsicas distingue-se das rochas quartzo-filíticas devido à quantidade reduzida de filossilicatos e à inexistência do bandado (camadas escuras/claras) característico das rochas do outro grupo. As rochas metavulcânicas básicas têm, geralmente, textura granoblástica e são ricas em anfíbolas (horneblenda ou tremolite-actinolite), feldspato e epídoto. As rochas com maior presença de anfíbola em comparação com epídoto foram consideradas anfibolitos, enquanto rochas ricas em epídoto foram consideradas xistosverdes. O grupo das rochas pelítico-psamíticas caracteriza-se por uma textura lepidoblástica, forte crenulação e uma maior (pelíticas) ou menor (psamíticas) presença de filossilicatos em relação ao quartzo. Os talco-xistos são ricos em talco e serpentina e são, geralmente, isotrópicos. Por fim, o grupo dos quartzitos inclui uma só amostra de quartzito impuro, com quartzo, feldspato e moscovite. Quanto às amostras geológicas analisadas microscopicamente foi possível determinar que, no geral, as rochas de campo escolhidas para comparação se assemelham bastante às amostras arqueológicas do mesmo tipo. No entanto, tendem a ser mais grosseiras, mais anisotrópicas, com crenulação mais marcada e em alguns casos podem apresentam foliação milonítica. Mesmo tendo em conta algumas diferenças texturais entre as amostras arqueológicas e geológicas, determinou-se ser importante comparar quimicamente alguns minerais característicos de cada grupo de rochas. Com base nos resultados obtidos por microssonda eletrónica foi possível determinar que o exemplar de rocha félsica vulcanoclástica (FC10679) inclui aegirina e que esta piroxena está também presente, juntamente com riebequite, numa amostra previamente considerada como um quartzo-filito (FC11702). A presença de aegirina e riebequite aponta para rochas plutónicas alcalinas a peralcalinas. Relativamente às amostras arqueológicas quartzo-filíticas, os feldspatos e filossilicatos analisados são, tendencialmente, semelhantes aos presentes nas rochas da Formação filito-quartzítica. Quanto às amostras arqueológicas metavulcânicas básicas, foram analisados dois exemplares de anfibolito e um de xistoverde. Um dos anfibolitos (FC10449) apresenta, tendo em conta os minerais analisados, semelhanças com ambos os anfibolitos da formação de anfibolitos a que aflora a Este de Olmos sem, no entanto, corresponder perfeitamente a nenhum deles. Relativamente aos xistos-verdes, a amostra arqueológica analisada apresenta actinolites e clorites bastante semelhantes às da rocha metavulcânica básica amostrada da Formação de Macedo de Cavaleiros. Finalmente, tendo em conta os talco-xistos, o talco e serpentina presentes na amostra arqueológica FC10155 são semelhantes aos da amostra geológica T1.2, mas a cromite e calcite não. Em conclusão, é possível dizer que existe um uso maioritário de rochas da região. Os quartzo-filitos são provavelmente da Formação quartzito-filítica onde se localiza o sítio arqueológico, enquanto os anfibolitos serão da região a este de Olmos e os xistos verdes provenientes dos metavulcanitos básicos a norte de Grijó de Vale Benfeito. Existem, no entanto, algumas rochas que não se relacionam com nenhuma das amostras colhidas no campo. Para estas rochas, pode dar-se o caso de o número de amostras e locais amostrados não terem sido suficientes para avaliar todas as possíveis variações de natureza geológica e textural existente para as várias unidades geológicas estudadas na região. Seria, portanto, necessário um estudo mais abrangente destas unidades geológicas e, em certos casos, de outras fora da área até ao momento estudada. Outra possibilidade para as rochas sem correlação é estas serem de origem alóctone, tendo sido recolhidas junto a rios e ribeiras, transportadas de longe até ao sítio arqueológico, ou resultarem de trocas com outras populações. Os resultados obtidos da análise superficial por μ-XRF não foram, até agora, conclusivos. Esta técnica pode também não ser a mais adequada a este tipo de análises, visto que uma rocha é muito heterogénea e torna-se complicada a distinção da presença natural ou antrópica de cobre, estanho, chumbo e/ou arsénio.
Autores principais:Carvalho, Margarida Moreira de
Assunto:Indústria lítica - Fraga dos Corvos (Macedo de Cavaleiros, Portugal) Idade do Bronze - Portugal Sítios arqueológicos - Fraga dos Corvos (Macedo de Cavaleiros, Portugal) Escavações arqueológicas - Fraga dos Corvos (Macedo de Cavaleiros, Portugal) Teses de mestrado - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este trabalho foca-se no estudo dos materiais líticos recuperados durante as escavações arqueológicas realizadas entre 2011 e 2016 no sector-M do sítio arqueológico da Fraga dos Corvos. O sítio da Fraga dos Corvos localiza-se no distrito de Bragança, concelho de Macedo dos Cavaleiros, freguesia de Vilar do Monte e corresponde a um esporão rochoso filito-quartzítico situado no vertente noroeste da Serra de Bornes, constituindo a elevação conhecida atualmente como Monte do Vilar. Num ponto central do local, a uma altitude de cerca de 870 m, as coordenadas no Sistema PT- TM06/ETRS89 são x: 99210.635; y: 203272,095. O sítio começou a ser estudado em 2003 sendo que, numa primeira análise, os materiais identificados, concluiu-se serem, atribuíveis à Idade do Bronze e revestirem-se de interesse potencial para o conhecimento regional deste período, justificando um primeiro conjunto de sondagens que conduziu às subsequentes intervenções no local. As quinze campanhas arqueológicas já efetuadas têm, desde aí, sido apoiadas logisticamente pela associação “Terras Quentes” e financiadas pela autarquia local. O sítio divide-se em dois sectores principais, o sector-A – correspondendo a níveis preservados de um habitat do Bronze Médio – e o sector-M, ainda não completamente estudado, mas cujos materiais já recuperados remetem para uma ocupação de um momento avançado do Bronze Final e eventualmente já transicional para a Idade do Ferro. Durante o Bronze Final, o habitat da Fraga dos Corvos foi rodeado por uma muralha em talude que engloba uma área superior a 1ha. O sector-M foi aberto em 2011 na plataforma mais a sul do sítio com o intuito de compreender a relação estratigráfica entre a muralha em talude e as ocupações que lhe são interiores, assim como a sua cronologia e relação com o sector-A. Em termos geológicos, a área de estudo enquadra-se, maioritariamente, no Complexo Alóctone Inferior, abrangendo as unidades litostratigráficas que na Folha 7-D (Macedo de Cavaleiros) da Carta Geológica de Portugal à escala 1:50 000 estão designadas por (de baixo para cima): Formação Filito-Quartzítica, Complexo Vulcano-Silicioso e Formação de Macedo de Cavaleiros. Concretamente, é na primeira formação que se insere o sítio arqueológico da Fraga dos Corvos. Na área ocorrem ainda terrenos recentes compostos por areias, argilas e arcoses, alguns afloramentos de rochas graníticas, uma secção do Complexo Ofiolítico e retalhos do Complexo Alóctone Superior. Com o intuito de melhor compreender os materiais líticos existentes no Sector-M, com que objetivos foram utilizados e qual a sua proveniência, procedeu-se, numa primeira fase, à sua sistematização com base em observação macroscópica, o que permitiu inferir sobre a sua tipologia e natureza litológica. O material recolhido compreende fragmentos de rochas ou de minerais, mas também seixos rolados e blocos que perfazem quase metade (43%) do conjunto lítico. Quanto à tipologia, a maior parte dos artefactos recuperados no Sector-M consistem em fragmentos de dormente e pedras polidas por vezes perfuradas. Em termos de manuportes há uma predominância de elementos não transformados (maioritariamente seixos e blocos rolados) e uma relevante presença de termoclastos e polidores. Os seixos rolados apresentam-se, por vezes, fraturados por exposição a bruscas variações de temperatura (termoclastos) e crê-se, portanto, que tenham sido transportados para o sítio arqueológico com o intuito de serem utilizados no aquecimento de água. Em termos de litologias, estabeleceram-se 8 grupos de rochas/minerais: granitos, rochas básicas, pelítico-psamíticas, quartzo-feldspáticas, quartzito, quartzo, talcoxisto e outros. Predominam o quartzo, quartzito e granito. Foi também possível relacionar algumas características das rochas, como o tamanho do grão e a dureza, com certas atividades. Os granitos, tendencialmente de grão grosseiro, foram principalmente usados para fabricar dormentes, enquanto as rochas metavulcânicas básicas e quartzitos foram usados principalmente como percutores ou martelos. Quase todos os talcoxistos recuperados foram polidos e perfurados, no entanto o seu uso efetivo é ainda alvo de discussão, exceto em alguns casos em que manifestamente correspondem a uma utilização como pendentes. Os poucos exemplares de pedra lascada encontrados no local são maioritariamente em quartzo, existindo, no entanto, uma peça em chert negro, um material muito mais seguro e fácil de trabalhar. A caraterização macroscópica dos materiais líticos do sector-M permitiu inferir sobre a proveniência de muitos deles. Os seixos rolados e calhaus de rio, não trabalhados, e os fragmentos de granito que existem em elevado número no sítio arqueológico, podem ter sido explorados na região, os primeiros nas várias ribeiras e rios que a recortam e o último em afloramentos junto a Vilar do Monte e a sul de Vale Benfeito. O elemento de cherte encontrado no sector-M, poderá ser proveniente do Complexo Vulcano-silicioso da região, dado que nele é conhecida a existência de nódulos de sílica criptocristalina. Porém, tal caraterização não é suficiente para determinar a proveniência dos fragmentos de rochas básicas, pelítico-psamíticas, quartzo-feldspáticas e talcoxistos, pelo que se recorreu a estudos de microscopia ótica e a análises de química mineral com recurso a microssonda eletrónica. Para efeitos de análise comparativa, colheram-se amostras nas diversas unidades metamórficas aflorantes na região nas quais tais fragmentos poderão ter tido origem. Tais amostras foram também alvo de estudos microscópicos e de química mineral. Alguns dos artefactos poderão ter estado envolvidos no trabalho de metal como pequenos martelos e dormentes. Por essa razão, sobre eles foram ainda realizadas análises superficiais por μ-XRF (Micro-Fluorescência Raios-X). Os resultados microscópicos permitiram uma nova divisão, em termos litológicos, das amostras arqueológicas: rochas vulcanoclásticas félsicas, rochas quartzo-filíticas, rochas básicas (anfibolitos e xistosverdes), rochas pelíticas-psamíticas, talco-xistos e quartzitos. O grupo das rochas vulcanoclásticas félsicas distingue-se das rochas quartzo-filíticas devido à quantidade reduzida de filossilicatos e à inexistência do bandado (camadas escuras/claras) característico das rochas do outro grupo. As rochas metavulcânicas básicas têm, geralmente, textura granoblástica e são ricas em anfíbolas (horneblenda ou tremolite-actinolite), feldspato e epídoto. As rochas com maior presença de anfíbola em comparação com epídoto foram consideradas anfibolitos, enquanto rochas ricas em epídoto foram consideradas xistosverdes. O grupo das rochas pelítico-psamíticas caracteriza-se por uma textura lepidoblástica, forte crenulação e uma maior (pelíticas) ou menor (psamíticas) presença de filossilicatos em relação ao quartzo. Os talco-xistos são ricos em talco e serpentina e são, geralmente, isotrópicos. Por fim, o grupo dos quartzitos inclui uma só amostra de quartzito impuro, com quartzo, feldspato e moscovite. Quanto às amostras geológicas analisadas microscopicamente foi possível determinar que, no geral, as rochas de campo escolhidas para comparação se assemelham bastante às amostras arqueológicas do mesmo tipo. No entanto, tendem a ser mais grosseiras, mais anisotrópicas, com crenulação mais marcada e em alguns casos podem apresentam foliação milonítica. Mesmo tendo em conta algumas diferenças texturais entre as amostras arqueológicas e geológicas, determinou-se ser importante comparar quimicamente alguns minerais característicos de cada grupo de rochas. Com base nos resultados obtidos por microssonda eletrónica foi possível determinar que o exemplar de rocha félsica vulcanoclástica (FC10679) inclui aegirina e que esta piroxena está também presente, juntamente com riebequite, numa amostra previamente considerada como um quartzo-filito (FC11702). A presença de aegirina e riebequite aponta para rochas plutónicas alcalinas a peralcalinas. Relativamente às amostras arqueológicas quartzo-filíticas, os feldspatos e filossilicatos analisados são, tendencialmente, semelhantes aos presentes nas rochas da Formação filito-quartzítica. Quanto às amostras arqueológicas metavulcânicas básicas, foram analisados dois exemplares de anfibolito e um de xistoverde. Um dos anfibolitos (FC10449) apresenta, tendo em conta os minerais analisados, semelhanças com ambos os anfibolitos da formação de anfibolitos a que aflora a Este de Olmos sem, no entanto, corresponder perfeitamente a nenhum deles. Relativamente aos xistos-verdes, a amostra arqueológica analisada apresenta actinolites e clorites bastante semelhantes às da rocha metavulcânica básica amostrada da Formação de Macedo de Cavaleiros. Finalmente, tendo em conta os talco-xistos, o talco e serpentina presentes na amostra arqueológica FC10155 são semelhantes aos da amostra geológica T1.2, mas a cromite e calcite não. Em conclusão, é possível dizer que existe um uso maioritário de rochas da região. Os quartzo-filitos são provavelmente da Formação quartzito-filítica onde se localiza o sítio arqueológico, enquanto os anfibolitos serão da região a este de Olmos e os xistos verdes provenientes dos metavulcanitos básicos a norte de Grijó de Vale Benfeito. Existem, no entanto, algumas rochas que não se relacionam com nenhuma das amostras colhidas no campo. Para estas rochas, pode dar-se o caso de o número de amostras e locais amostrados não terem sido suficientes para avaliar todas as possíveis variações de natureza geológica e textural existente para as várias unidades geológicas estudadas na região. Seria, portanto, necessário um estudo mais abrangente destas unidades geológicas e, em certos casos, de outras fora da área até ao momento estudada. Outra possibilidade para as rochas sem correlação é estas serem de origem alóctone, tendo sido recolhidas junto a rios e ribeiras, transportadas de longe até ao sítio arqueológico, ou resultarem de trocas com outras populações. Os resultados obtidos da análise superficial por μ-XRF não foram, até agora, conclusivos. Esta técnica pode também não ser a mais adequada a este tipo de análises, visto que uma rocha é muito heterogénea e torna-se complicada a distinção da presença natural ou antrópica de cobre, estanho, chumbo e/ou arsénio.