Publicação
Relevância da ecografia na caracterização de descolamento de retina em cães e gatos : a propósito de 47 casos clínicos
| Resumo: | O descolamento de retina (DR) é uma doença ocular que pode afectar cães e gatos e que implica uma perda parcial ou total da visão. Existem 3 tipos de DR, o reumatogénico (R), o exsudativo (E) e o tracional (Tr), com características, tratamento e prognósticos diferentes. O diagnóstico é geralmente clínico mas pode ser confirmado ecograficamente, sendo este meio de diagnóstico essencial nos casos em que existe opacidade dos meios oculares. Os objectivos deste estudo consistiam em reforçar a importância da ecografia enquanto meio de diagnóstico de DR, caracterizar os tipos de DR em termos de aspeto ecográfico, avaliar a evolução das lesões e o prognóstico dos casos e encontrar possíveis associações entre descolamento de retina e outras doenças concomitantes. Foram incluídos no estudo 47 cães e gatos que se apresentaram ao Serviço de Ecografia do Hospital Escolar Veterinário entre abril de 2022 e dezembro de 2024. A amostra incluiu um total de 94 olhos, dos quais 59% tinham descolamento de retina (55/94). O diagnóstico foi clínico em 11% (5/47) e ecográfico em 89% (42/47) dos casos. Cerca de 85% da amostra eram cães (40/47) e 15% gatos (7/47). A idade média foi de 10.0 ±3.8 anos, variando entre 0.08 e 17 anos. Quanto à raça, 23% dos cães eram sem raça definida (9/40) e 71% dos gatos eram Doméstico de pêlo curto (5/7). O DR afectou 83% dos animais unilateralmente (39/47) e 17% bilateralmente (8/47). Quanto à extensão, 44% dos olhos apresentava descolamento parcial (24/55) e 56% descolamento total. O DR do tipo exsudativo foi o mais prevalente, afectando 54% dos casos (30/55). O tipo tracional afectou 24% (13/55) e o tipo reumatogénico 22% (12/55) dos casos. Em 13% dos casos (6/47) existia historial de cirurgia intraocular. As alterações clínicas concomitantes mais frequentes eram todas oculares: cataratas (51%), glaucoma (30%), buftalmia (26%), luxação da lente (26%) e uveíte (21%). Foi encontrada uma associação positiva entre estas alterações e o DR, bem como entre a presença de cataratas e DR do tipo R, uveíte e DR do tipo E, buftalmia e DR do tipo Tr e luxação da lente e DR do tipo Tr. A ecografia identificou 40% mais animais (19/47) e 44% mais olhos (21/48) com DR do que os que diagnosticados com fundoscopia e, através da caracterização ecográfica, foi possível em todos os casos a classificação dos tipos de DR. A ecografia ocular é uma ferramenta adequada para o diagnóstico de descolamento de retina, permitindo uma caracterização inicial dos aspetos ecográficos mais detalhada, a respetiva classificação quanto ao tipo lesional e um melhor acompanhamento da evolução dos casos. Este meio de diagnóstico foi particularmente útil nos casos de opacidade ocular nos quais a fundoscopia não era possível |
|---|---|
| Autores principais: | Santos,Anita Costa |
| Assunto: | Cão Gato Descolamento de retina Ecografia ocular Diagnóstico por imagem Dog Cat Ocular ultrasound Retinal detachement Imaging diagnosis |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O descolamento de retina (DR) é uma doença ocular que pode afectar cães e gatos e que implica uma perda parcial ou total da visão. Existem 3 tipos de DR, o reumatogénico (R), o exsudativo (E) e o tracional (Tr), com características, tratamento e prognósticos diferentes. O diagnóstico é geralmente clínico mas pode ser confirmado ecograficamente, sendo este meio de diagnóstico essencial nos casos em que existe opacidade dos meios oculares. Os objectivos deste estudo consistiam em reforçar a importância da ecografia enquanto meio de diagnóstico de DR, caracterizar os tipos de DR em termos de aspeto ecográfico, avaliar a evolução das lesões e o prognóstico dos casos e encontrar possíveis associações entre descolamento de retina e outras doenças concomitantes. Foram incluídos no estudo 47 cães e gatos que se apresentaram ao Serviço de Ecografia do Hospital Escolar Veterinário entre abril de 2022 e dezembro de 2024. A amostra incluiu um total de 94 olhos, dos quais 59% tinham descolamento de retina (55/94). O diagnóstico foi clínico em 11% (5/47) e ecográfico em 89% (42/47) dos casos. Cerca de 85% da amostra eram cães (40/47) e 15% gatos (7/47). A idade média foi de 10.0 ±3.8 anos, variando entre 0.08 e 17 anos. Quanto à raça, 23% dos cães eram sem raça definida (9/40) e 71% dos gatos eram Doméstico de pêlo curto (5/7). O DR afectou 83% dos animais unilateralmente (39/47) e 17% bilateralmente (8/47). Quanto à extensão, 44% dos olhos apresentava descolamento parcial (24/55) e 56% descolamento total. O DR do tipo exsudativo foi o mais prevalente, afectando 54% dos casos (30/55). O tipo tracional afectou 24% (13/55) e o tipo reumatogénico 22% (12/55) dos casos. Em 13% dos casos (6/47) existia historial de cirurgia intraocular. As alterações clínicas concomitantes mais frequentes eram todas oculares: cataratas (51%), glaucoma (30%), buftalmia (26%), luxação da lente (26%) e uveíte (21%). Foi encontrada uma associação positiva entre estas alterações e o DR, bem como entre a presença de cataratas e DR do tipo R, uveíte e DR do tipo E, buftalmia e DR do tipo Tr e luxação da lente e DR do tipo Tr. A ecografia identificou 40% mais animais (19/47) e 44% mais olhos (21/48) com DR do que os que diagnosticados com fundoscopia e, através da caracterização ecográfica, foi possível em todos os casos a classificação dos tipos de DR. A ecografia ocular é uma ferramenta adequada para o diagnóstico de descolamento de retina, permitindo uma caracterização inicial dos aspetos ecográficos mais detalhada, a respetiva classificação quanto ao tipo lesional e um melhor acompanhamento da evolução dos casos. Este meio de diagnóstico foi particularmente útil nos casos de opacidade ocular nos quais a fundoscopia não era possível |
|---|