Publicação
Inácio de Santa Teresa : o percurso de um arcebispo polémico
| Resumo: | Esta tese resultou do aprofundamento de temas e interrogações perspectivados na dissertação de mestrado (FLUL, 2012-05-18). Efectivamente, a investigação levada a cabo permitiu a recolha de novos dados que não só fortaleceram o conhecimento dos meandros em que o Arcebispo se movimentou como proporcionaram o esclarecimento de factos controversos que então se apresentavam sem explicação. Para uma mais apropriada contextualização da época em que o Arcebispo permaneceu no Oriente, aduziram-se as razões que conduziram Goa ao estado de declínio que então era notório. Importava, também, aprofundar as medidas reformadoras por ele implementadas e confrontá-las com os resultados obtidos. É o que se trata no primeiro capítulo. A jurisdição própria constituiu uma das principais obsessões do Arcebispo e o denominador comum dos conflitos que o levou a envolver-se com Jesuítas, Franciscanos e com os próprios vice-reis. Quando o confronto com os Jesuítas se mostrou mais aceso, surgiu no palco o Padre Geral da Companhia de Jesus, Miguel Angelo Tamburino, a presentear o Prelado com um testemunho laudatório, gesto que se apresentou como qualquer coisa de intrigante no contexto em que foi produzido. Esta intervenção constituiu uma das questões de maior interesse que importava esclarecer, o que de facto se conseguiu. O cisma de Santa Mónica foi devidamente desenvolvido na citada dissertação. Todavia, tornava-se necessário desvendar os motivos que levaram mulheres simples e incultas a enfrentar um arcebispo todo-poderoso. A investigação mostrou, de forma clara, que foram as principais Ordens Religiosas, presentes em Goa, os agentes de tal rebelião. O último capítulo baseia-se num documento, que D. Inácio de Santa Teresa intitulou Estado do Estado da Índia e produziu em 1725, mas que somente foi tornado público em 1760, após a sua morte. Divide-se em duas partes distintas. Na primeira, inventariou os males que cavaram a ruína de Goa e os remédios para a sua cura. Na segunda, desenvolveu, muito peculiarmente, a teoria de António Vieira acerca de um Quinto Império universal que teria Portugal à cabeça, tudo fruto de uma interpretação fantasiosa da lenda de Ourique. O Arcebispo dispunha de uma experiência que resultava das relações privilegiadas que mantinha com diversos sectores eclesiais e da administração local, facto que lhe proporcionava um diagnóstico dos problemas que afectavam a solidez do Estado, em particular no Oriente. As suas propostas de reforma nem sempre coincidiam, todavia, com uma praticabilidade objectiva e consistente. |
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| Autores principais: | Mendes, José Maria |
| Assunto: | Santa Teresa, Inácio, 1682-1751 Igreja Católica - Bispos - Portugal - séc.18 - Biografias Igreja Católica - Portugal - séc.18 Igreja Católica - Goa (Índia) - séc.18 Goa (Índia) - História religiosa - séc.18 Teses de doutoramento - 2015 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Esta tese resultou do aprofundamento de temas e interrogações perspectivados na dissertação de mestrado (FLUL, 2012-05-18). Efectivamente, a investigação levada a cabo permitiu a recolha de novos dados que não só fortaleceram o conhecimento dos meandros em que o Arcebispo se movimentou como proporcionaram o esclarecimento de factos controversos que então se apresentavam sem explicação. Para uma mais apropriada contextualização da época em que o Arcebispo permaneceu no Oriente, aduziram-se as razões que conduziram Goa ao estado de declínio que então era notório. Importava, também, aprofundar as medidas reformadoras por ele implementadas e confrontá-las com os resultados obtidos. É o que se trata no primeiro capítulo. A jurisdição própria constituiu uma das principais obsessões do Arcebispo e o denominador comum dos conflitos que o levou a envolver-se com Jesuítas, Franciscanos e com os próprios vice-reis. Quando o confronto com os Jesuítas se mostrou mais aceso, surgiu no palco o Padre Geral da Companhia de Jesus, Miguel Angelo Tamburino, a presentear o Prelado com um testemunho laudatório, gesto que se apresentou como qualquer coisa de intrigante no contexto em que foi produzido. Esta intervenção constituiu uma das questões de maior interesse que importava esclarecer, o que de facto se conseguiu. O cisma de Santa Mónica foi devidamente desenvolvido na citada dissertação. Todavia, tornava-se necessário desvendar os motivos que levaram mulheres simples e incultas a enfrentar um arcebispo todo-poderoso. A investigação mostrou, de forma clara, que foram as principais Ordens Religiosas, presentes em Goa, os agentes de tal rebelião. O último capítulo baseia-se num documento, que D. Inácio de Santa Teresa intitulou Estado do Estado da Índia e produziu em 1725, mas que somente foi tornado público em 1760, após a sua morte. Divide-se em duas partes distintas. Na primeira, inventariou os males que cavaram a ruína de Goa e os remédios para a sua cura. Na segunda, desenvolveu, muito peculiarmente, a teoria de António Vieira acerca de um Quinto Império universal que teria Portugal à cabeça, tudo fruto de uma interpretação fantasiosa da lenda de Ourique. O Arcebispo dispunha de uma experiência que resultava das relações privilegiadas que mantinha com diversos sectores eclesiais e da administração local, facto que lhe proporcionava um diagnóstico dos problemas que afectavam a solidez do Estado, em particular no Oriente. As suas propostas de reforma nem sempre coincidiam, todavia, com uma praticabilidade objectiva e consistente. |
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