Publicação

Coccidiose em explorações pecuárias de pequenos ruminantes − estudo de casos em Trás-os-Montes

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A coccidiose é uma doença intestinal insidiosa provocada por protozoários do género Eimeria. Trata-se de uma das mais importantes doenças intestinais em ruminantes e tem um grande impacto económico em explorações de todo o mundo. A manifestação da doença ocorre maioritariamente em animais jovens, principalmente quando submetidos a fatores de stresse, levando ao aparecimento de sinais clínicos como diarreia, debilidade, inapetência ou perda de peso. Apesar de na maioria dos casos ser uma doença autolimitante pode estar associada a alguma mortalidade. Para além de planos profiláticos estratégicamente delineados, uma parte importante do controlo da disseminação da infeção deve passar pela implementação de boas práticas de higiene e maneio nas explorações. Como tal, foi levado a cabo este estudo no distrito de Bragança na região de Trásos-Montes que contou com a participação de 126 animais (119 ovinos e 7 caprinos) entre as 4 e as 6 semanas de idade, provenientes de 46 explorações diferentes. Para além de determinar a prevalência das diferentes espécies de Eimeria, foram avaliados diversos fatores relacionados com o maneio das explorações relativamente à associação com a presença de infeções maciças (OPG> 5 000) e identificação de espécies virulentas. Verificou-se que a espécie de Eimeria com maior prevalência em ovinos foi E. ovinoidalis (68,7%) e a com menor prevalência foi E. intricata (13,3%). Nos caprinos, E. ninakohlyakimovae foi a espécie com maior prevalência (100%) e E. alijevi (25%) menos frequente. Verificou-se que a fonte de água para abeberamento do rebanho influenciou o aparecimento de infeções maciças (p= 0,0232), sendo que nas explorações cuja água é proveniente da rede pública o risco de se desenvolverem infeções maciças é cerca de 3 vezes superior (OR= 2,922; IC 95%: 1,129- 7,555) comparativamente a explorações com outras fontes de água. Nas explorações onde há uma grande concentração de animais nos locais de abeberamento ocorrem significativamente (p< 0,001) mais infeções maciças, sendo que o risco de se desenvolverem estas infeções é quase 8 vezes (OR= 7,677; IC 95%: 2,729 – 21,589) superior do que nas explorações onde a concentração de animais junto aos pontos de água é inferior. Nas explorações onde não se recorre ao uso de antiparasitários, o risco de identificação de oocistos de espécies virulentas (p= 0,0065) de Eimeria é cerca de 12 vezes superior (OR= 12,167; IC 95%: 1,786- 82,864) quando comparado com as outras explorações.
Autores principais:Afonso, Margarida de Araújo
Assunto:coccidiose Eimeria
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:A coccidiose é uma doença intestinal insidiosa provocada por protozoários do género Eimeria. Trata-se de uma das mais importantes doenças intestinais em ruminantes e tem um grande impacto económico em explorações de todo o mundo. A manifestação da doença ocorre maioritariamente em animais jovens, principalmente quando submetidos a fatores de stresse, levando ao aparecimento de sinais clínicos como diarreia, debilidade, inapetência ou perda de peso. Apesar de na maioria dos casos ser uma doença autolimitante pode estar associada a alguma mortalidade. Para além de planos profiláticos estratégicamente delineados, uma parte importante do controlo da disseminação da infeção deve passar pela implementação de boas práticas de higiene e maneio nas explorações. Como tal, foi levado a cabo este estudo no distrito de Bragança na região de Trásos-Montes que contou com a participação de 126 animais (119 ovinos e 7 caprinos) entre as 4 e as 6 semanas de idade, provenientes de 46 explorações diferentes. Para além de determinar a prevalência das diferentes espécies de Eimeria, foram avaliados diversos fatores relacionados com o maneio das explorações relativamente à associação com a presença de infeções maciças (OPG> 5 000) e identificação de espécies virulentas. Verificou-se que a espécie de Eimeria com maior prevalência em ovinos foi E. ovinoidalis (68,7%) e a com menor prevalência foi E. intricata (13,3%). Nos caprinos, E. ninakohlyakimovae foi a espécie com maior prevalência (100%) e E. alijevi (25%) menos frequente. Verificou-se que a fonte de água para abeberamento do rebanho influenciou o aparecimento de infeções maciças (p= 0,0232), sendo que nas explorações cuja água é proveniente da rede pública o risco de se desenvolverem infeções maciças é cerca de 3 vezes superior (OR= 2,922; IC 95%: 1,129- 7,555) comparativamente a explorações com outras fontes de água. Nas explorações onde há uma grande concentração de animais nos locais de abeberamento ocorrem significativamente (p< 0,001) mais infeções maciças, sendo que o risco de se desenvolverem estas infeções é quase 8 vezes (OR= 7,677; IC 95%: 2,729 – 21,589) superior do que nas explorações onde a concentração de animais junto aos pontos de água é inferior. Nas explorações onde não se recorre ao uso de antiparasitários, o risco de identificação de oocistos de espécies virulentas (p= 0,0065) de Eimeria é cerca de 12 vezes superior (OR= 12,167; IC 95%: 1,786- 82,864) quando comparado com as outras explorações.