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Relações de produção, produtividade e rendimento na cultura intensiva de cerejeira

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Neste trabalho pretendeu-se verificar algumas relações entre a radiação disponível na copa da cerejeira, seu crescimento e produtividade; assim como saber onde é que o rendimento de colheita é maior, se na zona onde a produção está acessível à mão (em baixo) ou na zona de produção acessível apenas com escadas (em cima), a diferença entre elas e se possível saber o porquê dessa diferença. Para tal fez-se uma pesquisa bibliográfica, onde se pretendeu perceber a evolução dos cerejais em termos de porta-enxertos, densidades de plantação, podas e formas de condução, e também o estudo da luminosidade nas árvores, abordando-se os conceitos de interseção e distribuição da luz. Nela constatámos que a cerisicultura atravessou três grandes fases: a primeira (até aos anos 80 do séc. passado) caracterizou-se por reduzidos inputs e pelo cultivo de árvores muito grandes; na segunda fase, os esforços concentraram-se no controlo do vigor excessivo, na promoção da precocidade e produtividade das árvores;e por fim, a terceira e atual fase caracterizou-se por intensos esforços na promoção de mais vigor e redução das cargas de produção em cavalos ananicantes. Com estes porta-enxertos conseguiu-se aumentar as densidades de plantação, melhorar a distribuição da luz na copa e consequentemente evitar desperdícios de luz aumentando-se as produtividades. Por serem pequenos estes cavalos também permitiram melhorar a eficiência de trabalho quer ao nível dos tratamentos fitossanitários, quer ao nível das operações culturais mais caras a poda e colheita. Relativamente à componente experimental delineámos uma metodologia, e no início de Maio de 2012 fizemos estimativas de produção, procedendo depois à medição das cerejeiras a três dimensões (altura, largura na direção da linha e na perpendicular à linha), calculando-se aí o Volume de copa. Da diferença entre a largura da copa na direcção da linha e a distância planta-a-planta alocada a cada árvore à plantação, calculou-se a interpenetração. Quando esta é positiva significa que há sobreposição de ramos entre árvores vizinhas, quando é negativa quer dizer que a planta não conseguiu preencher o espaço que lhe foi destinado à plantação e portanto o muro fruteito apresenta-se com lacunas; por outro lado se a interpenetração for nula significa que nem há sobreposição, nem há vazios na sebe, trata-se portanto do compasso ideal. Mais tarde, em meados de Julho, quantificámos as produções e tempos de colheita em baixo (de acesso direto dos operadores a partir do chão) e em cima (com escada), e a partir daí calculámos os rendimentos de colheita. Finalizadas as colheitas iniciámos as podas, procedendo à medição da radiação fotossinteticamente ativa (PAR) a dois níveis da copa das cerejeiras – a 0,5 e a 1,5 metros de altura – antes e depois da poda, nas diferentes distâncias planta-a-planta (Dpp), usando para o efeito um ceptómetro Sunfleck. Este fornece-nos radiação fotossinteticamente ativa (PAR) e o Sunfleck (Sf), ou seja, a contabilização dos espaços vazios no interior da copa por onde a luz penetra sem interferência da folhagem. Finalmente, em Janeiro de 2013, medimos os perímetros do tronco em todas as árvores do ensaio, e a partir deles fizemos o cálculo da AST. Efetuado o trabalho de campo transferimos os dados recolhidos para o computador, organizámo-los e procedemos à análise estatística. Esta foi dividida em três partes: na 1ª fizemos análise de variância numa aplicação SAS (SAS institute Inc.) no programa JMP, versão 4.02 (1989–2000), e os cálculos das variâncias esperadas; na 2ª fizemos análises de multirregressão e elaborámos matrizes de correlação, também em JMP; na 3ª e última parte elaborámos médias em Excel. Destas análises concluímos que o porta-enxerto Gisela 5 (Gsl) foi, entre os três estudados, o que proporcionou maior eficiência em produtividade das árvores e rendimento de colheita. A variedade mais produtiva e que proporcionou rendimentos de colheita mais elevados foi a Skeena, e também foi a que permitiu melhor distribuição da PAR pelo interior da copa.A par disso calculámos os rendimentos de colheita manual – com escada e a partir do chão, ou seja, em cima (RendC) e em baixo (RendB) – por bloco, tendo verificado que o RendB foi sempre superior a 30% em relação ao RendC, em todos os efeitos estudados. Também verificámos que esta diferença não se deveu ao facto de haver mais produção ao alcance da mão do que na zona cimeira das árvores. Da análise dos dados verificámos ainda que a poda efetuada foi suficiente para garantir níveis adequados de luminosidade, inclusivé sob Dpps de grande interesse para a ceresicultura intensiva (0,7 a 1,4 m).
Autores principais:Gonçalves, Marco António Faria
Assunto:Prunus avium (cerejeira) Variedades Rendimento Produtividade
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Neste trabalho pretendeu-se verificar algumas relações entre a radiação disponível na copa da cerejeira, seu crescimento e produtividade; assim como saber onde é que o rendimento de colheita é maior, se na zona onde a produção está acessível à mão (em baixo) ou na zona de produção acessível apenas com escadas (em cima), a diferença entre elas e se possível saber o porquê dessa diferença. Para tal fez-se uma pesquisa bibliográfica, onde se pretendeu perceber a evolução dos cerejais em termos de porta-enxertos, densidades de plantação, podas e formas de condução, e também o estudo da luminosidade nas árvores, abordando-se os conceitos de interseção e distribuição da luz. Nela constatámos que a cerisicultura atravessou três grandes fases: a primeira (até aos anos 80 do séc. passado) caracterizou-se por reduzidos inputs e pelo cultivo de árvores muito grandes; na segunda fase, os esforços concentraram-se no controlo do vigor excessivo, na promoção da precocidade e produtividade das árvores;e por fim, a terceira e atual fase caracterizou-se por intensos esforços na promoção de mais vigor e redução das cargas de produção em cavalos ananicantes. Com estes porta-enxertos conseguiu-se aumentar as densidades de plantação, melhorar a distribuição da luz na copa e consequentemente evitar desperdícios de luz aumentando-se as produtividades. Por serem pequenos estes cavalos também permitiram melhorar a eficiência de trabalho quer ao nível dos tratamentos fitossanitários, quer ao nível das operações culturais mais caras a poda e colheita. Relativamente à componente experimental delineámos uma metodologia, e no início de Maio de 2012 fizemos estimativas de produção, procedendo depois à medição das cerejeiras a três dimensões (altura, largura na direção da linha e na perpendicular à linha), calculando-se aí o Volume de copa. Da diferença entre a largura da copa na direcção da linha e a distância planta-a-planta alocada a cada árvore à plantação, calculou-se a interpenetração. Quando esta é positiva significa que há sobreposição de ramos entre árvores vizinhas, quando é negativa quer dizer que a planta não conseguiu preencher o espaço que lhe foi destinado à plantação e portanto o muro fruteito apresenta-se com lacunas; por outro lado se a interpenetração for nula significa que nem há sobreposição, nem há vazios na sebe, trata-se portanto do compasso ideal. Mais tarde, em meados de Julho, quantificámos as produções e tempos de colheita em baixo (de acesso direto dos operadores a partir do chão) e em cima (com escada), e a partir daí calculámos os rendimentos de colheita. Finalizadas as colheitas iniciámos as podas, procedendo à medição da radiação fotossinteticamente ativa (PAR) a dois níveis da copa das cerejeiras – a 0,5 e a 1,5 metros de altura – antes e depois da poda, nas diferentes distâncias planta-a-planta (Dpp), usando para o efeito um ceptómetro Sunfleck. Este fornece-nos radiação fotossinteticamente ativa (PAR) e o Sunfleck (Sf), ou seja, a contabilização dos espaços vazios no interior da copa por onde a luz penetra sem interferência da folhagem. Finalmente, em Janeiro de 2013, medimos os perímetros do tronco em todas as árvores do ensaio, e a partir deles fizemos o cálculo da AST. Efetuado o trabalho de campo transferimos os dados recolhidos para o computador, organizámo-los e procedemos à análise estatística. Esta foi dividida em três partes: na 1ª fizemos análise de variância numa aplicação SAS (SAS institute Inc.) no programa JMP, versão 4.02 (1989–2000), e os cálculos das variâncias esperadas; na 2ª fizemos análises de multirregressão e elaborámos matrizes de correlação, também em JMP; na 3ª e última parte elaborámos médias em Excel. Destas análises concluímos que o porta-enxerto Gisela 5 (Gsl) foi, entre os três estudados, o que proporcionou maior eficiência em produtividade das árvores e rendimento de colheita. A variedade mais produtiva e que proporcionou rendimentos de colheita mais elevados foi a Skeena, e também foi a que permitiu melhor distribuição da PAR pelo interior da copa.A par disso calculámos os rendimentos de colheita manual – com escada e a partir do chão, ou seja, em cima (RendC) e em baixo (RendB) – por bloco, tendo verificado que o RendB foi sempre superior a 30% em relação ao RendC, em todos os efeitos estudados. Também verificámos que esta diferença não se deveu ao facto de haver mais produção ao alcance da mão do que na zona cimeira das árvores. Da análise dos dados verificámos ainda que a poda efetuada foi suficiente para garantir níveis adequados de luminosidade, inclusivé sob Dpps de grande interesse para a ceresicultura intensiva (0,7 a 1,4 m).