Publicação
Estudo da microbiota, resistências a antibióticos e ocorrência de biofilmes em feridas de equídeos
| Resumo: | A prevalência de feridas traumáticas em equinos é considerada alta e representa uma significativa preocupação financeira e de bem-estar em equídeos no geral. A infeção é a causa mais frequente de atraso de cicatrização de feridas abertas em cavalos. O atraso na reparação de feridas causado por infeções é adicionalmente complicado pela formação de biofilmes nas feridas e pelo contínuo aumento observado da prevalência de resistências a antibióticos. O presente trabalho teve como objetivo o estudo da microbiota e resistências a antibióticos em feridas de equídeos, assim como a determinação do potencial de formação de biofilme de algumas das bactérias isoladas. Foram recolhidas 9 amostras microbiológicas de feridas agudas e crónicas de equídeos e obteve-se um total de 29 isolados bacterianos. Os isolados bacterianos obtidos foram identificados e determinou-se o seu perfil de suscetibilidade a antibióticos, através do aparelho automático Vitek® 2 Compact. Dos 29 isolados bacterianos obtidos, 76% corresponderam a espécies Gram-negativas. O género Staphylococcus foi o mais frequentemente isolado. Ao nível da espécie, Serratia marcescens, Escherichia coli e Staphylococcus aureus foram as espécies mais isoladas. Tanto quanto é do conhecimento da autora, Escherichia hermannii, Klebsiella oxytoca, Pseudomonas luteola, Methylobacterium spp., Kluyvera intermedia e Achromobacter denitrificans não foram até à data descritas como isoladas de feridas de equídeos. O teste de suscetibilidade a antibióticos dos isolados bacterianos revelou que, relativamente aos isolados Gram-negativos, as cefalosporinas de 1ª geração foram os antibióticos testados que apresentaram maiores percentagens de resistência (68% relativamente à cefalotina e 64% no que diz respeito à cefalexina). Foram obtidos dois isolados da espécie Pseudomonas aeruginosa resistentes a carbapenemos, nomeadamente ao imipenemo e/ou ertapenemo, antibióticos utilizados em ambiente hospitalar como último recurso em casos de infeções causadas por bactérias multirresistentes. Destacou-se também a presença de três isolados multirresistentes, da espécie Serratia marcescens, que se revelaram resistentes a antibióticos da classe dos aminoglicosídeos, nitrofuranos e b-lactâmicos. Tanto quanto é do conhecimento da autora, resistências à amicacina, cefalexina e cefovecina não foram, até ao momento, relatadas em amostras de Serratia marcescens provenientes de equídeos. Relativamente aos isolados Gram-positivos, apenas foram reconhecidas resistências, em dois isolados das espécies Staphylococcus aureus e Staphylococcus saprophyticus, à clindamicina e/ou à eritromicina. Um dos isolados Gram-positivos foi identificado como Staphylococcus aureus resistente à meticilina, bactérias cuja prevalência tem vindo a aumentar, revelando-se um problema importante de saúde pública. Foram selecionados quatro isolados recolhidos de uma ferida crónica com 21 dias de duração, no sentido de determinar o seu potencial de formação de biofilme. Todos estes isolados foram capazes de formar biofilme e verificou-se um aumento da densidade ótica quando se procedeu a 48 horas de incubação da microplaca em comparação com 24 horas de incubação, refletindo um aumento da biomassa e capacidade de formação de biofilme ao longo do tempo. Os resultados sugerem que o desenvolvimento de biofilmes poderá ter sido a causa de cronicidade da ferida deste animal e atraso do normal processo de cicatrização. |
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| Autores principais: | Estêvão, Catarina de Amorim |
| Assunto: | equídeos feridas |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A prevalência de feridas traumáticas em equinos é considerada alta e representa uma significativa preocupação financeira e de bem-estar em equídeos no geral. A infeção é a causa mais frequente de atraso de cicatrização de feridas abertas em cavalos. O atraso na reparação de feridas causado por infeções é adicionalmente complicado pela formação de biofilmes nas feridas e pelo contínuo aumento observado da prevalência de resistências a antibióticos. O presente trabalho teve como objetivo o estudo da microbiota e resistências a antibióticos em feridas de equídeos, assim como a determinação do potencial de formação de biofilme de algumas das bactérias isoladas. Foram recolhidas 9 amostras microbiológicas de feridas agudas e crónicas de equídeos e obteve-se um total de 29 isolados bacterianos. Os isolados bacterianos obtidos foram identificados e determinou-se o seu perfil de suscetibilidade a antibióticos, através do aparelho automático Vitek® 2 Compact. Dos 29 isolados bacterianos obtidos, 76% corresponderam a espécies Gram-negativas. O género Staphylococcus foi o mais frequentemente isolado. Ao nível da espécie, Serratia marcescens, Escherichia coli e Staphylococcus aureus foram as espécies mais isoladas. Tanto quanto é do conhecimento da autora, Escherichia hermannii, Klebsiella oxytoca, Pseudomonas luteola, Methylobacterium spp., Kluyvera intermedia e Achromobacter denitrificans não foram até à data descritas como isoladas de feridas de equídeos. O teste de suscetibilidade a antibióticos dos isolados bacterianos revelou que, relativamente aos isolados Gram-negativos, as cefalosporinas de 1ª geração foram os antibióticos testados que apresentaram maiores percentagens de resistência (68% relativamente à cefalotina e 64% no que diz respeito à cefalexina). Foram obtidos dois isolados da espécie Pseudomonas aeruginosa resistentes a carbapenemos, nomeadamente ao imipenemo e/ou ertapenemo, antibióticos utilizados em ambiente hospitalar como último recurso em casos de infeções causadas por bactérias multirresistentes. Destacou-se também a presença de três isolados multirresistentes, da espécie Serratia marcescens, que se revelaram resistentes a antibióticos da classe dos aminoglicosídeos, nitrofuranos e b-lactâmicos. Tanto quanto é do conhecimento da autora, resistências à amicacina, cefalexina e cefovecina não foram, até ao momento, relatadas em amostras de Serratia marcescens provenientes de equídeos. Relativamente aos isolados Gram-positivos, apenas foram reconhecidas resistências, em dois isolados das espécies Staphylococcus aureus e Staphylococcus saprophyticus, à clindamicina e/ou à eritromicina. Um dos isolados Gram-positivos foi identificado como Staphylococcus aureus resistente à meticilina, bactérias cuja prevalência tem vindo a aumentar, revelando-se um problema importante de saúde pública. Foram selecionados quatro isolados recolhidos de uma ferida crónica com 21 dias de duração, no sentido de determinar o seu potencial de formação de biofilme. Todos estes isolados foram capazes de formar biofilme e verificou-se um aumento da densidade ótica quando se procedeu a 48 horas de incubação da microplaca em comparação com 24 horas de incubação, refletindo um aumento da biomassa e capacidade de formação de biofilme ao longo do tempo. Os resultados sugerem que o desenvolvimento de biofilmes poderá ter sido a causa de cronicidade da ferida deste animal e atraso do normal processo de cicatrização. |
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