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Acidentes vasculares cerebrais: estudo retrospetivo em enfartes cerebrais isquémicos em cães

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Summary:O historial clínico de 17 cães com sinais neurológicos de apresentação aguda não progressiva, sugestiva de enfarte cerebral, e que realizaram ressonância magnética na clínica veterinária Referência Veterinária, foi revisto. Todos eles dispunham de exame físico e neuro-lógico, hemograma completo, bioquímica hepática e renal e ressonância magnética do neuro-crânio com sequências ponderação T1 (T1W) pré e pós-contraste, ponderação T2 (T2W) e Fluid-Attenuated Inversion Recovery (FLAIR) em plano dorsal, transversal e sagital. Outras informações foram recolhidas pelo contacto direto com os centros de atendimento médico-ve-terinário que referenciaram os animais, nomeadamente exames complementares para pesquisa de doenças concorrentes e a sua evolução. Os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) foram classificados como isquémicos ou hemorrágicos, quanto ao tipo (territorial ou lacunar) e loca-lização anatómica (telencéfalo (5/17), cerebelo (4/17), tálamo (2/17), tronco cerebral (3/17) e múltiplos (3/17)) e território vascular. Os enfartes do telencéfalo ocorreram no território vascu-lar da artéria cerebral média, do cerebelo na artéria cerebelar rostral e do tálamo e mesencéfalo nas artérias perfurantes. Todos os AVC eram isquémicos pálidos, hipointensos em T1W e hi-perintensos em T2W e FLAIR. Em média, o tempo entre o início dos sinais clínicos e a reali-zação da ressonância magnética foi de 12.9 dias. Destes, apenas um não apresentava intensifi-cação após contraste e os restantes a intensificação era leve na periferia da lesão, mesmo na-queles em que os proprietários indicaram só aperceberem dos défices neurológicos há menos de 3 dias. Dois tinham adicionalmente lesões encefálicas compatíveis com enfartes cerebrais antigos e três otite média. Os sinais clínicos foram compatíveis com as áreas afetadas, mas também associados a défices persistentes de enfartes antigos e por otites médias. Mais de me-tade tinha doenças concorrentes, alguns diversas simultaneamente, sendo hipotiroidismo (5/17), hiperadrenocorticismo (2/17) e mastocitomas (2/17) as mais encontradas. Nove faleceram, mas 6 devido à doença concorrente e apenas 3 por não melhoria dos défices neurológicos ou suspeita de novos AVC, com confirmação histológica em 3/2. Nestes as causas foram aterosclerose e êmbolos neoplásicos (tumor primário de origem mesenquimatosa). Dos 8 que sobreviveram 2 recuperaram totalmente e 6 evoluíram favoravelmente, permanecendo com alguns sinais neu-rológicos como convulsões, cabeça inclinada e hipermetria. O prognóstico de AVC foi, em geral favorável, indo de encontro à restante literatura. Relativamente à região afetada, a maioria dos estudos indicam o cerebelo como a área mais frequente, não se concluindo aqui o mesmo, eventualmente pela reduzida dimensão da amostra.
Main Authors:Fernandes, Maria Teresa dos Reis
Subject:Acidente vascular cerebral Isquemia encefálica Espectroscopia de ressonância magnética Cão
Year:2017
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Language:Portuguese
Origin:Repositório da UTAD
Description
Summary:O historial clínico de 17 cães com sinais neurológicos de apresentação aguda não progressiva, sugestiva de enfarte cerebral, e que realizaram ressonância magnética na clínica veterinária Referência Veterinária, foi revisto. Todos eles dispunham de exame físico e neuro-lógico, hemograma completo, bioquímica hepática e renal e ressonância magnética do neuro-crânio com sequências ponderação T1 (T1W) pré e pós-contraste, ponderação T2 (T2W) e Fluid-Attenuated Inversion Recovery (FLAIR) em plano dorsal, transversal e sagital. Outras informações foram recolhidas pelo contacto direto com os centros de atendimento médico-ve-terinário que referenciaram os animais, nomeadamente exames complementares para pesquisa de doenças concorrentes e a sua evolução. Os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) foram classificados como isquémicos ou hemorrágicos, quanto ao tipo (territorial ou lacunar) e loca-lização anatómica (telencéfalo (5/17), cerebelo (4/17), tálamo (2/17), tronco cerebral (3/17) e múltiplos (3/17)) e território vascular. Os enfartes do telencéfalo ocorreram no território vascu-lar da artéria cerebral média, do cerebelo na artéria cerebelar rostral e do tálamo e mesencéfalo nas artérias perfurantes. Todos os AVC eram isquémicos pálidos, hipointensos em T1W e hi-perintensos em T2W e FLAIR. Em média, o tempo entre o início dos sinais clínicos e a reali-zação da ressonância magnética foi de 12.9 dias. Destes, apenas um não apresentava intensifi-cação após contraste e os restantes a intensificação era leve na periferia da lesão, mesmo na-queles em que os proprietários indicaram só aperceberem dos défices neurológicos há menos de 3 dias. Dois tinham adicionalmente lesões encefálicas compatíveis com enfartes cerebrais antigos e três otite média. Os sinais clínicos foram compatíveis com as áreas afetadas, mas também associados a défices persistentes de enfartes antigos e por otites médias. Mais de me-tade tinha doenças concorrentes, alguns diversas simultaneamente, sendo hipotiroidismo (5/17), hiperadrenocorticismo (2/17) e mastocitomas (2/17) as mais encontradas. Nove faleceram, mas 6 devido à doença concorrente e apenas 3 por não melhoria dos défices neurológicos ou suspeita de novos AVC, com confirmação histológica em 3/2. Nestes as causas foram aterosclerose e êmbolos neoplásicos (tumor primário de origem mesenquimatosa). Dos 8 que sobreviveram 2 recuperaram totalmente e 6 evoluíram favoravelmente, permanecendo com alguns sinais neu-rológicos como convulsões, cabeça inclinada e hipermetria. O prognóstico de AVC foi, em geral favorável, indo de encontro à restante literatura. Relativamente à região afetada, a maioria dos estudos indicam o cerebelo como a área mais frequente, não se concluindo aqui o mesmo, eventualmente pela reduzida dimensão da amostra.