Publicação
Qual a importância da presença de Enterococcus spp. resistentes a antibióticos em colostro fornecido a vitelos?
| Resumo: | A proliferação e disseminação de bactérias resistentes a antibióticos, um grave problema de saúde pública, são, em grande parte, devidas ao elevado consumo de antibióticos em vários setores, nomeadamente na indústria pecuária. Enterococcus spp. fazem parte da microbiota comensal do trato gastrointestinal de humanos e animais. Atualmente, estes são um dos microrganismos multirresistentes mais prevalentes em todo o mundo, e um dos principais causadores de infeções nosocomiais. A alimentação de bezerros com colostro contaminado com bactérias resistentes a antimicrobianos leva à colonização do seu trato gastrointestinal por parte destas. Assim, este estudo teve como objetivo investigar a presença de Enterococcus em amostras colostro, assim como o perfil de resistência a antibióticos e genes de virulência de isolados de colostro, de forma a perceber se este atua como reservatório e veículo de disseminação de Enterococcus spp. resistentes a antibióticos. Neste estudo, foram analisados 88 isolados de Enterococcus spp., previamente recuperados de amostras de colostro destinadas à alimentação de bezerros e posteriormente armazenados. Estes isolados foram testados para a suscetibilidade a 14 antimicrobianos pelo método de difusão em disco, de acordo com as normas do Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI). A identificação das espécies e a análise da presença de genes de resistência a antibióticos e virulência foram realizadas com recurso a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), seguida de eletroforese em gel de agarose. Com os resultados obtidos foi realizada uma análise estatística estritamente descritiva, com recurso ao programa SPSS 15® (SPSS Inc., Chicago III, USA). Dos isolados analisados, as espécies identificadas foram E. faecalis (54,6%), E. faecium (14,8%) e E. gallinarum (6,82%). Em 23,9% dos isolados não foi possível a identificação da espécie. A nível fenotípico, os isolados apresentaram maiores resistências aos seguintes antibióticos: quinupristina-dalfopristina (95,5%), eritromicina (80,7%), tetraciclina (80,7%), e estreptomicina (58%). Apenas um número reduzido de isolados apresentou resistência à vancomicina (5,7%). Contudo, 92% dos isolados demonstrou ser multirresistente. Os genes de resistência mais frequentemente detetados nos isolados analisados foram 3 dos genes codificadores de resistência à tetraciclina analisados, tet(K), tet(M) e tet(L), 1 dos genes codificadores de resistência à eritromicina, erm(B), e o gene codificador de resistência à estreptomicina, ant(6)-Ia. Os isolados resistentes à vancomicina não apresentaram nenhum dos genes de resistência testados [van(A) e van(B)]. Recorrendo à análise estatística, verificou-se que E. faecium demonstrou uma maior probabilidade de apresentar os genes erm(C) e tet(M) (p < 0,05). Os fatores de virulência mais prevalentes foram o cpd, esp, agg e cylLL. Quatorze isolados apresentaram o gene gel(E), porém não apresentaram o locus fsr (genótipo gel(E)+ fsr- ). Cinco genótipos diferentes foram encontrados relativamente aos genes testados do operão cyl, sendo o genótipo cylLL (31,5%) o mais prevalente. E. faecium demonstrou maior probabilidade de transportar o gene ace e gel(E) (p < 0,05). Este estudo revelou que o colostro contém Enterococcus spp. resistentes a diversos antibióticos, constituindo um reservatório e veículo de disseminação de genes de resistência a antibióticos e de virulência. Por esse motivo, recomenda-se uma utilização mais prudente de antibióticos na profilaxia e tratamento de bovinos, bem como o correto manuseamento do colostro. |
|---|---|
| Autores principais: | Cunha, Sandra Manuela Dias |
| Assunto: | Enterococcus spp. colostro bovino |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A proliferação e disseminação de bactérias resistentes a antibióticos, um grave problema de saúde pública, são, em grande parte, devidas ao elevado consumo de antibióticos em vários setores, nomeadamente na indústria pecuária. Enterococcus spp. fazem parte da microbiota comensal do trato gastrointestinal de humanos e animais. Atualmente, estes são um dos microrganismos multirresistentes mais prevalentes em todo o mundo, e um dos principais causadores de infeções nosocomiais. A alimentação de bezerros com colostro contaminado com bactérias resistentes a antimicrobianos leva à colonização do seu trato gastrointestinal por parte destas. Assim, este estudo teve como objetivo investigar a presença de Enterococcus em amostras colostro, assim como o perfil de resistência a antibióticos e genes de virulência de isolados de colostro, de forma a perceber se este atua como reservatório e veículo de disseminação de Enterococcus spp. resistentes a antibióticos. Neste estudo, foram analisados 88 isolados de Enterococcus spp., previamente recuperados de amostras de colostro destinadas à alimentação de bezerros e posteriormente armazenados. Estes isolados foram testados para a suscetibilidade a 14 antimicrobianos pelo método de difusão em disco, de acordo com as normas do Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI). A identificação das espécies e a análise da presença de genes de resistência a antibióticos e virulência foram realizadas com recurso a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), seguida de eletroforese em gel de agarose. Com os resultados obtidos foi realizada uma análise estatística estritamente descritiva, com recurso ao programa SPSS 15® (SPSS Inc., Chicago III, USA). Dos isolados analisados, as espécies identificadas foram E. faecalis (54,6%), E. faecium (14,8%) e E. gallinarum (6,82%). Em 23,9% dos isolados não foi possível a identificação da espécie. A nível fenotípico, os isolados apresentaram maiores resistências aos seguintes antibióticos: quinupristina-dalfopristina (95,5%), eritromicina (80,7%), tetraciclina (80,7%), e estreptomicina (58%). Apenas um número reduzido de isolados apresentou resistência à vancomicina (5,7%). Contudo, 92% dos isolados demonstrou ser multirresistente. Os genes de resistência mais frequentemente detetados nos isolados analisados foram 3 dos genes codificadores de resistência à tetraciclina analisados, tet(K), tet(M) e tet(L), 1 dos genes codificadores de resistência à eritromicina, erm(B), e o gene codificador de resistência à estreptomicina, ant(6)-Ia. Os isolados resistentes à vancomicina não apresentaram nenhum dos genes de resistência testados [van(A) e van(B)]. Recorrendo à análise estatística, verificou-se que E. faecium demonstrou uma maior probabilidade de apresentar os genes erm(C) e tet(M) (p < 0,05). Os fatores de virulência mais prevalentes foram o cpd, esp, agg e cylLL. Quatorze isolados apresentaram o gene gel(E), porém não apresentaram o locus fsr (genótipo gel(E)+ fsr- ). Cinco genótipos diferentes foram encontrados relativamente aos genes testados do operão cyl, sendo o genótipo cylLL (31,5%) o mais prevalente. E. faecium demonstrou maior probabilidade de transportar o gene ace e gel(E) (p < 0,05). Este estudo revelou que o colostro contém Enterococcus spp. resistentes a diversos antibióticos, constituindo um reservatório e veículo de disseminação de genes de resistência a antibióticos e de virulência. Por esse motivo, recomenda-se uma utilização mais prudente de antibióticos na profilaxia e tratamento de bovinos, bem como o correto manuseamento do colostro. |
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