Publicação
Avaliação de fatores genotípicos, fenotípicos e nosológicos associados à duração da gestação na vaca leiteira
| Resumo: | O parto é o momento de maior importância na dinâmica de uma exploração leiteira. A sua complexidade exige procedimentos especiais de maneio dos animais envolvidos no período imediatamente anterior de forma a minimizar a ocorrência de distocias e a preparação da vaca para a nova lactação. Para que se consiga prever de forma adequada a data do parto, é essencial conhecer a duração da gestação (DG) e quais os fatores com ela associados. O presente trabalho debruçou-se sobre o estudo da associação de diversos fatores com a DG. Os dados utilizados na sua elaboração provieram de uma exploração de bovinos de leite da região de Barcelos. O período de tempo considerado engloba aproximadamente 17 anos (janeiro de 2000 – junho de 2017), envolvendo 1263 partos. Além da DG, avaliaram-se os parâmetros sexo do vitelo, raça dos progenitores, efeito individual do progenitor, mês e ano do parto, ocorrência de partos simples ou gemelares, mortalidade perinatal e neonatal e duração da lactação consequente ao parto e respetiva produção leiteira. A DG foi, em média, de 278,3±5,6 (± desvio-padrão) dias, sendo que a gestação envolvendo vitelos machos (279,3±5,3 dias; n=623) foi mais longa, em média, 1,6 dias, do que a de fêmeas (277,7±5,5 dias; n=588; P <0,001). Observou-se uma diferença de 2,3 dias entre a gestação de vacas primíparas (276,7±5,3 dias; n=382) e multíparas (279,0 ± 5,6 dias; n=881; P<0,001). A raça do progenitor influenciou significativamente (P<0,001) a DG. As vacas inseminadas com touros das raças Limousin (284,2±7,1 dias; n=18), Aberdeen Angus (280,0±5,5 dias; n=75) e Brown Swiss (282,0±5,9 dias; n=46) apresentaram uma DG maior do que as inseminadas com raças Holstein-Friesian (277,8±5,4 dias; n=972) ou Red Holstein-Friesian (275,7±5,1 dias; n=22). Os partos gemelares (272,8±6,5 dias; n=52) apresentaram menos 5,7 dias de gestação do que os partos simples (278,5±5,5 dias; n=1211; P<0,001). Os partos ocorridos durante o mês de janeiro (279,9±5,3 dias; n=133) tiveram mais 2 a 3 dias de gestação do que os ocorridos durante os meses mais quentes: maio (277,2±5,0 dias; n=106), junho (277,2±5,6; n=92) e julho (276,8±5,7 dias; n=95; P<0,001). Observou-se ainda uma maior percentagem de mortalidade neonatal (P<0,001) à medida que a DG se afastou da média. Verificou-se ainda que a DG aumentou (P<0,001) com o aumento da produção média diária na lactação seguinte e a estimada aos 305 dias.Com os dados obtidos foi possível determinar que, dos vários fatores que afetaram a DG, a gestação gemelar, a raça do pai e os meses mais quentes foram os que mais variação promoveram (3 ou mais dias). No entanto, especial atenção deve ser dada às novilhas, uma vez que neste grupo, além de se observar um encurtamento da DG, há maior propensão para mortalidade neonatal. Além da determinação da gemelaridade, o sexo fetal pode ser usado como preditor, em situações de uso de sémen sexado e/ou de avaliação ecográfica. Finalmente, a DG está positivamente associada com uma maior produção leiteira na lactação subsequente. |
|---|---|
| Autores principais: | Bogas, Nelson Miguel Sousa Matos |
| Assunto: | produção de leite vacas leiteiras |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | O parto é o momento de maior importância na dinâmica de uma exploração leiteira. A sua complexidade exige procedimentos especiais de maneio dos animais envolvidos no período imediatamente anterior de forma a minimizar a ocorrência de distocias e a preparação da vaca para a nova lactação. Para que se consiga prever de forma adequada a data do parto, é essencial conhecer a duração da gestação (DG) e quais os fatores com ela associados. O presente trabalho debruçou-se sobre o estudo da associação de diversos fatores com a DG. Os dados utilizados na sua elaboração provieram de uma exploração de bovinos de leite da região de Barcelos. O período de tempo considerado engloba aproximadamente 17 anos (janeiro de 2000 – junho de 2017), envolvendo 1263 partos. Além da DG, avaliaram-se os parâmetros sexo do vitelo, raça dos progenitores, efeito individual do progenitor, mês e ano do parto, ocorrência de partos simples ou gemelares, mortalidade perinatal e neonatal e duração da lactação consequente ao parto e respetiva produção leiteira. A DG foi, em média, de 278,3±5,6 (± desvio-padrão) dias, sendo que a gestação envolvendo vitelos machos (279,3±5,3 dias; n=623) foi mais longa, em média, 1,6 dias, do que a de fêmeas (277,7±5,5 dias; n=588; P <0,001). Observou-se uma diferença de 2,3 dias entre a gestação de vacas primíparas (276,7±5,3 dias; n=382) e multíparas (279,0 ± 5,6 dias; n=881; P<0,001). A raça do progenitor influenciou significativamente (P<0,001) a DG. As vacas inseminadas com touros das raças Limousin (284,2±7,1 dias; n=18), Aberdeen Angus (280,0±5,5 dias; n=75) e Brown Swiss (282,0±5,9 dias; n=46) apresentaram uma DG maior do que as inseminadas com raças Holstein-Friesian (277,8±5,4 dias; n=972) ou Red Holstein-Friesian (275,7±5,1 dias; n=22). Os partos gemelares (272,8±6,5 dias; n=52) apresentaram menos 5,7 dias de gestação do que os partos simples (278,5±5,5 dias; n=1211; P<0,001). Os partos ocorridos durante o mês de janeiro (279,9±5,3 dias; n=133) tiveram mais 2 a 3 dias de gestação do que os ocorridos durante os meses mais quentes: maio (277,2±5,0 dias; n=106), junho (277,2±5,6; n=92) e julho (276,8±5,7 dias; n=95; P<0,001). Observou-se ainda uma maior percentagem de mortalidade neonatal (P<0,001) à medida que a DG se afastou da média. Verificou-se ainda que a DG aumentou (P<0,001) com o aumento da produção média diária na lactação seguinte e a estimada aos 305 dias.Com os dados obtidos foi possível determinar que, dos vários fatores que afetaram a DG, a gestação gemelar, a raça do pai e os meses mais quentes foram os que mais variação promoveram (3 ou mais dias). No entanto, especial atenção deve ser dada às novilhas, uma vez que neste grupo, além de se observar um encurtamento da DG, há maior propensão para mortalidade neonatal. Além da determinação da gemelaridade, o sexo fetal pode ser usado como preditor, em situações de uso de sémen sexado e/ou de avaliação ecográfica. Finalmente, a DG está positivamente associada com uma maior produção leiteira na lactação subsequente. |
|---|