Publicação
Avaliação do atual sistema de tratamento de águas residuais de Mondim de Basto na flora ribeirinha do Tâmega
| Resumo: | A presente dissertação teve como principal objetivo avaliar o efeito do atual sistema de tratamento de águas residuais (AR) de Mondim de Basto na flora ribeirinha do Tâmega e, ainda, a sua possível reutilização na rega dos espaços verdes nas proximidades da estação de tratamento de águas residuais (ETAR), através da realização de ensaios laboratoriais e com plantas envasadas. No início do estudo foi realizada a caracterização físico-química do efluente em diferentes datas de recolha. Esta caracterização permitiu definir fatores de diluição do efluente para a realização de testes de fitotoxicidade por análise da germinação de sementes de Cucumis sativum, Lepidium sativum, uma mistura de relva e Sinapis alba. Estes ensaios permitiram verificar que a inibição da taxa de germinação foi muito reduzida ou até mesmo nenhuma no caso de C. sativum. Posteriormente, realizaram-se estudos ecofisiológicos em plantas envasadas de duas espécies ribeirinhas, o freixo-comum (Fraxinus angustifolia) e o carvalho-negral (Quercus pyrenaica) e uma planta ornamental, a petúnia-comum (Petunia×atkinsiana) regadas com água potável e efluente da ETAR sem diluição, pois os valores dos parâmetros físico-químicos estavam praticamente todos abaixo dos legalmente recomendados. Relativamente à vegetação ribeirinha, no que diz respeito à análise de crescimento, a espécie Q. pyrenaica revelou, de uma forma geral, melhor desempenho, associado ao facto de apresentar maior área foliar inicial. Relativamente ao teor de pigmentos fotossintéticos e fenóis totais e perda de eletrólitos, a espécie F. angustifolia apresentou maiores valores. Esta espécie também apresentou melhores resultados ao nível do estado hídrico e revelou melhor desempenho nas trocas gasosas foliares, com valores mais elevados na condutância estomática e taxa fotossintética (A). Relativamente às diferenças entre os tratamentos, verificou-se que a AR da ETAR influenciou positivamente o crescimento das plantas. No entanto, não se verificaram diferenças em relação aos teores de pigmentos fotossintéticos e fenóis totais, estado hídrico e parâmetros estruturais foliares. Por outro lado, as plantas regadas com AR da ETAR revelaram maior perda de eletrólitos comparativamente às plantas controlo, o que nos leva a concluir que este tratamento afetou a integridade membranar. De qualquer das formas não se verificaram efeitos significativos do tratamento nas trocas gasosas foliares exceto na razão entre a concentração de CO2 intercelular e atmosférico. Relativamente à espécie ornamental P.×atkinsiana, verificaram-se diferenças no estado hídrico e trocas gasosas. Os restantes estudos não revelaram diferenças. Apesar das plantas controlo terem feito uma melhor gestão da água com valores mais elevados de eficiência do uso da água e conteúdo relativo de água, as plantas regadas com AR da ETAR apresentaram maior A quando as medições foram realizadas sob maior intensidade luminosa no exterior, podendo este resultado estar associado à maior espessura total da lâmina foliar das plantas deste tratamento. Concluiu-se assim que as descargas da AR tratada no rio Tâmega parecem não ter influência negativa sobre as duas espécies ribeirinhas estudadas e a sua reutilização na rega dos espaços verdes no município poderá ser uma opção viável. Contudo, esta prática deverá ser acompanhada de um plano de monitorização da qualidade do solo e das plantas. |
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| Autores principais: | Pires, Mafalda Daniela Gonçalves |
| Assunto: | Água residual fitotoxicidade |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A presente dissertação teve como principal objetivo avaliar o efeito do atual sistema de tratamento de águas residuais (AR) de Mondim de Basto na flora ribeirinha do Tâmega e, ainda, a sua possível reutilização na rega dos espaços verdes nas proximidades da estação de tratamento de águas residuais (ETAR), através da realização de ensaios laboratoriais e com plantas envasadas. No início do estudo foi realizada a caracterização físico-química do efluente em diferentes datas de recolha. Esta caracterização permitiu definir fatores de diluição do efluente para a realização de testes de fitotoxicidade por análise da germinação de sementes de Cucumis sativum, Lepidium sativum, uma mistura de relva e Sinapis alba. Estes ensaios permitiram verificar que a inibição da taxa de germinação foi muito reduzida ou até mesmo nenhuma no caso de C. sativum. Posteriormente, realizaram-se estudos ecofisiológicos em plantas envasadas de duas espécies ribeirinhas, o freixo-comum (Fraxinus angustifolia) e o carvalho-negral (Quercus pyrenaica) e uma planta ornamental, a petúnia-comum (Petunia×atkinsiana) regadas com água potável e efluente da ETAR sem diluição, pois os valores dos parâmetros físico-químicos estavam praticamente todos abaixo dos legalmente recomendados. Relativamente à vegetação ribeirinha, no que diz respeito à análise de crescimento, a espécie Q. pyrenaica revelou, de uma forma geral, melhor desempenho, associado ao facto de apresentar maior área foliar inicial. Relativamente ao teor de pigmentos fotossintéticos e fenóis totais e perda de eletrólitos, a espécie F. angustifolia apresentou maiores valores. Esta espécie também apresentou melhores resultados ao nível do estado hídrico e revelou melhor desempenho nas trocas gasosas foliares, com valores mais elevados na condutância estomática e taxa fotossintética (A). Relativamente às diferenças entre os tratamentos, verificou-se que a AR da ETAR influenciou positivamente o crescimento das plantas. No entanto, não se verificaram diferenças em relação aos teores de pigmentos fotossintéticos e fenóis totais, estado hídrico e parâmetros estruturais foliares. Por outro lado, as plantas regadas com AR da ETAR revelaram maior perda de eletrólitos comparativamente às plantas controlo, o que nos leva a concluir que este tratamento afetou a integridade membranar. De qualquer das formas não se verificaram efeitos significativos do tratamento nas trocas gasosas foliares exceto na razão entre a concentração de CO2 intercelular e atmosférico. Relativamente à espécie ornamental P.×atkinsiana, verificaram-se diferenças no estado hídrico e trocas gasosas. Os restantes estudos não revelaram diferenças. Apesar das plantas controlo terem feito uma melhor gestão da água com valores mais elevados de eficiência do uso da água e conteúdo relativo de água, as plantas regadas com AR da ETAR apresentaram maior A quando as medições foram realizadas sob maior intensidade luminosa no exterior, podendo este resultado estar associado à maior espessura total da lâmina foliar das plantas deste tratamento. Concluiu-se assim que as descargas da AR tratada no rio Tâmega parecem não ter influência negativa sobre as duas espécies ribeirinhas estudadas e a sua reutilização na rega dos espaços verdes no município poderá ser uma opção viável. Contudo, esta prática deverá ser acompanhada de um plano de monitorização da qualidade do solo e das plantas. |
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