Publicação
Comportamento das marrãs durante a quarentena
| Resumo: | Actualmente há uma forte preocupação para avaliar o bem-estar dos suínos em ambiente de produção. Nos últimos anos essa preocupação tem levado à publicação de numerosos trabalhos sobre aspectos relacionados com as porcas em produção. Todavia, há pouca informação sobre a avaliação do comportamento de marrãs durante a quarentena. Neste sentido o presente trabalho tem como principal objectivo a avaliação do comportamento das marrãs durante o período de quarentena. Com base num grupo de 49 marrãs importadas de França foram constituídos 5 grupos que foram alvo do trabalho experimental. Os grupos em estudo eram compostos por 4 (grupos I, II e III) ou 5 porcas (grupos IV e V) com a mesma área disponível por marrã (1,55 m2). Para a análise dos comportamentos foi seguido um etograma em que se estudaram os comportamentos de descanso, em pé, movimento, exploratório, mastigar, social, agonístico, beber/eliminar e comer. As observações foram feitas com auxílio de uma câmara de vídeo (Sony® Super SteadyShot, modelo HDR-SR11 E), e os comportamentos analisados em computador. Para a análise dos comportamentos foi seguida a metodologia de observação designada de Scan Sampling. Com esta metodologia foram registados os comportamentos de todos os animais de cada grupo foram considerados os períodos “antes da refeição das 8 horas” (8ANT), “durante a refeição” (8DUR) e “depois da refeição” (8DEP). De forma idêntica foram obtidos registos “antes da segunda refeição das 16 horas” (16ANT), “durante” (16DUR) e “depois” (16DEP). A duração para cada um destes períodos foi padronizada para 300 segundos. O trabalho experimental decorreu durante 41 dias e foi dividido em três tempos (T1, T2 e T3). Em que o T1 corresponde a 6 dias na primeira semana após a chegada das marrãs, T2 corresponde a 5 dias entre o 11º dia e o 21º dia e T3 corresponde a 5 dias entre o 25º e o 41º dia. A análise dos comportamentos foi realizada por um factorial, sendo estudados os efeitos tempo e período. Os grupos foram utilizados como repetições. A comparação de médias foi realizada pelo teste de Tukey HSD. Como era de esperar há um efeito altamente significativo (P<0,0001) do período para todos os comportamentos excepto para o “comportamento de movimento” (P=0,2225). Já para o efeito tempo apenas o “comportamento descanso” (P=0,0004), “comportamento mastigar” (P=0,0138) e “comportamento beber/eliminar” (P=0,0011) mostraram ser significativos. Estes resultados mostram de uma forma generalizada uma marcada alteração do comportamento durante a refeição, quer na manhã quer à tarde. Relativamente ao “comportamento agonístico” este ocorre apenas durante as refeições (P<0,05) e não existe, ao contrário do que seria de esperar, um efeito do tempo embora se observe uma tendência para a sua redução (P=0,1061). De uma forma geral ao longo da quarentena não foram observados comportamentos que sejam indicadores de problemas com o bem-estar das marrãs mesmo nas situações em que são geralmente referenciados problemas, como é o caso da formação de novos grupos ou de interacções agressivas durante as refeições. Este resultado certamente fundamenta-se no facto de os animais terem origem muito próxima. |
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| Autores principais: | Fragateiro, Daniela Pinto |
| Assunto: | Bem estar animal Quarentena Comportamento animal Suíno (marrãs) |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | Actualmente há uma forte preocupação para avaliar o bem-estar dos suínos em ambiente de produção. Nos últimos anos essa preocupação tem levado à publicação de numerosos trabalhos sobre aspectos relacionados com as porcas em produção. Todavia, há pouca informação sobre a avaliação do comportamento de marrãs durante a quarentena. Neste sentido o presente trabalho tem como principal objectivo a avaliação do comportamento das marrãs durante o período de quarentena. Com base num grupo de 49 marrãs importadas de França foram constituídos 5 grupos que foram alvo do trabalho experimental. Os grupos em estudo eram compostos por 4 (grupos I, II e III) ou 5 porcas (grupos IV e V) com a mesma área disponível por marrã (1,55 m2). Para a análise dos comportamentos foi seguido um etograma em que se estudaram os comportamentos de descanso, em pé, movimento, exploratório, mastigar, social, agonístico, beber/eliminar e comer. As observações foram feitas com auxílio de uma câmara de vídeo (Sony® Super SteadyShot, modelo HDR-SR11 E), e os comportamentos analisados em computador. Para a análise dos comportamentos foi seguida a metodologia de observação designada de Scan Sampling. Com esta metodologia foram registados os comportamentos de todos os animais de cada grupo foram considerados os períodos “antes da refeição das 8 horas” (8ANT), “durante a refeição” (8DUR) e “depois da refeição” (8DEP). De forma idêntica foram obtidos registos “antes da segunda refeição das 16 horas” (16ANT), “durante” (16DUR) e “depois” (16DEP). A duração para cada um destes períodos foi padronizada para 300 segundos. O trabalho experimental decorreu durante 41 dias e foi dividido em três tempos (T1, T2 e T3). Em que o T1 corresponde a 6 dias na primeira semana após a chegada das marrãs, T2 corresponde a 5 dias entre o 11º dia e o 21º dia e T3 corresponde a 5 dias entre o 25º e o 41º dia. A análise dos comportamentos foi realizada por um factorial, sendo estudados os efeitos tempo e período. Os grupos foram utilizados como repetições. A comparação de médias foi realizada pelo teste de Tukey HSD. Como era de esperar há um efeito altamente significativo (P<0,0001) do período para todos os comportamentos excepto para o “comportamento de movimento” (P=0,2225). Já para o efeito tempo apenas o “comportamento descanso” (P=0,0004), “comportamento mastigar” (P=0,0138) e “comportamento beber/eliminar” (P=0,0011) mostraram ser significativos. Estes resultados mostram de uma forma generalizada uma marcada alteração do comportamento durante a refeição, quer na manhã quer à tarde. Relativamente ao “comportamento agonístico” este ocorre apenas durante as refeições (P<0,05) e não existe, ao contrário do que seria de esperar, um efeito do tempo embora se observe uma tendência para a sua redução (P=0,1061). De uma forma geral ao longo da quarentena não foram observados comportamentos que sejam indicadores de problemas com o bem-estar das marrãs mesmo nas situações em que são geralmente referenciados problemas, como é o caso da formação de novos grupos ou de interacções agressivas durante as refeições. Este resultado certamente fundamenta-se no facto de os animais terem origem muito próxima. |
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