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Comportamento alimentar e avaliação das reservas corporais de ruminantes em pastagens de montanha do Norte da Península Ibérica
| Summary: | O sucesso de qualquer estratégia de gestão de sistemas de produção animal assentes em pastoreio depende da compreensão da relação existente entre o animal e a pastagem, no sentido de se obter uma mais eficiente utilização do coberto vegetal, e do conhecimento dos parâmetros de produção animal. Neste sentido, este estudo teve como principais objetivos estudar o comportamento alimentar de bovinos de aptidão mista em pastoreio monoespecífico e misto (com caprinos). Esta avaliação foi realizada por observação direta dos animais em três ocasiões ao longo da época de pastoreio, registando as atividades dos animais a cada quinze minutos durante o período de luz de dois dias consecutivos. Simultaneamente, foram recolhidas amostras representativas dos componentes vegetais e das fezes excretadas por cada animal no sentido de avaliar a composição da dieta selecionada pelos animais, utilizando os n-alcanos como marcadores fecais. Adicionalmente, avaliámos a performance de pequenos ruminantes em áreas de pastagem de montanha ao longo da época de pastoreio (primavera-verão-outono). Os resultados obtidos indicam que os bovinos, independentemente da tipologia de pastoreio (monoespecífico vs. misto), dedicaram a quase totalidade do seu tempo de pastoreio na área de pastagem (7,9 e 7,8 h/dia, respetivamente), quando comparado com o tempo despendido na vegetação arbustiva (1,3 e 0 h/dia, respetivamente). Os resultados da composição de dieta estimada pelos marcadores fecais foram consistentes com os obtidos pela observação direta e indicam que a dieta dos bovinos foi composta quase exclusivamente por vegetação herbácea em todas as épocas de pastoreio (valor médio de 0,957 para as duas tipologias de pastoreio). Os resultados indicam também um maior consumo de vegetação herbácea nos bovinos em pastoreio misto (0,979 vs. 0,935; P=0,0384) como resultado da presença de caprinos no rebanho. Pelo contrário, os caprinos demonstraram possuir uma capacidade para incorporarem na sua grandes quantidades de espécies arbustivas nas suas dietas (cerca de 21,5%), o que sugere que poderão constituir um bom complemento aos bovinos. Em ambas as tipologias de pastoreio as espécies animais rejeitaram a ingestão de Ulex gallii. Para a monitorização das reservas corporais foram efetuadas cinco sessões de Abril a Novembro em caprinos e ovinos nos quais foi determinado o peso vivo (PV), a condição corporal (CC) e medidas de ultrassonografia em tempo real (UTR). As medidas de UTR foram em três pontos anatómicos (na região torácico-lombar, na parede torácica e na região esternal). De uma forma geral, o PV revelou ser um mau estimador das reservas corporais de gordura avaliadas pela CC, com um valor de correlação entre 0,007 (P>0,05) e 0,388 (P<0,01). Já a relação entre a CC e as medidas obtidas por UTR apresentou de forma consistente valores de correlação mais elevados, embora tenha sido observada uma variação muito grande do valor de correlação com o tipo de tecido e com a região avaliada, com um valor de r entre -0,033 (P>0,05) e 0,569 (P<0,01). |
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| Main Authors: | Moreira, Ana Cláudia da Rocha |
| Subject: | Ruminante Hábito alimentar Pastagem de montanha Gestão de pastagens Tecido adiposo Monitorização Ultrassonografia |
| Year: | 2016 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | restricted access |
| Associated institution: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da UTAD |
| Summary: | O sucesso de qualquer estratégia de gestão de sistemas de produção animal assentes em pastoreio depende da compreensão da relação existente entre o animal e a pastagem, no sentido de se obter uma mais eficiente utilização do coberto vegetal, e do conhecimento dos parâmetros de produção animal. Neste sentido, este estudo teve como principais objetivos estudar o comportamento alimentar de bovinos de aptidão mista em pastoreio monoespecífico e misto (com caprinos). Esta avaliação foi realizada por observação direta dos animais em três ocasiões ao longo da época de pastoreio, registando as atividades dos animais a cada quinze minutos durante o período de luz de dois dias consecutivos. Simultaneamente, foram recolhidas amostras representativas dos componentes vegetais e das fezes excretadas por cada animal no sentido de avaliar a composição da dieta selecionada pelos animais, utilizando os n-alcanos como marcadores fecais. Adicionalmente, avaliámos a performance de pequenos ruminantes em áreas de pastagem de montanha ao longo da época de pastoreio (primavera-verão-outono). Os resultados obtidos indicam que os bovinos, independentemente da tipologia de pastoreio (monoespecífico vs. misto), dedicaram a quase totalidade do seu tempo de pastoreio na área de pastagem (7,9 e 7,8 h/dia, respetivamente), quando comparado com o tempo despendido na vegetação arbustiva (1,3 e 0 h/dia, respetivamente). Os resultados da composição de dieta estimada pelos marcadores fecais foram consistentes com os obtidos pela observação direta e indicam que a dieta dos bovinos foi composta quase exclusivamente por vegetação herbácea em todas as épocas de pastoreio (valor médio de 0,957 para as duas tipologias de pastoreio). Os resultados indicam também um maior consumo de vegetação herbácea nos bovinos em pastoreio misto (0,979 vs. 0,935; P=0,0384) como resultado da presença de caprinos no rebanho. Pelo contrário, os caprinos demonstraram possuir uma capacidade para incorporarem na sua grandes quantidades de espécies arbustivas nas suas dietas (cerca de 21,5%), o que sugere que poderão constituir um bom complemento aos bovinos. Em ambas as tipologias de pastoreio as espécies animais rejeitaram a ingestão de Ulex gallii. Para a monitorização das reservas corporais foram efetuadas cinco sessões de Abril a Novembro em caprinos e ovinos nos quais foi determinado o peso vivo (PV), a condição corporal (CC) e medidas de ultrassonografia em tempo real (UTR). As medidas de UTR foram em três pontos anatómicos (na região torácico-lombar, na parede torácica e na região esternal). De uma forma geral, o PV revelou ser um mau estimador das reservas corporais de gordura avaliadas pela CC, com um valor de correlação entre 0,007 (P>0,05) e 0,388 (P<0,01). Já a relação entre a CC e as medidas obtidas por UTR apresentou de forma consistente valores de correlação mais elevados, embora tenha sido observada uma variação muito grande do valor de correlação com o tipo de tecido e com a região avaliada, com um valor de r entre -0,033 (P>0,05) e 0,569 (P<0,01). |
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